Translate

domingo, 22 de março de 2009

tese de machado



no entalhe
a madeira se reparte

com porte de quem
cumpre o rito criador

o machado parte

a árvore tombada
já não é a mesma

virou linguagem
substrato e signo de
abismo e arte


(lau siqueira poema inédito em livro)


TESE DE MACHADO
Este poema foi um dos dez musicados por Paulo Roh e que, provavelmente, neste ano de 2009 deverão ser lançados em CD. A música ficou linda. Paulo Roh soube extrair de cada palavra a sua extrema musicalidade. Mas, não para por aí...

HOJE É O DIA!
Já escrevi por aqui que meu próximo livro será de poemas de desenhos. Uma parceria com a artista visual Constança Lucas, cujo talento você pode conferir num link aqui ao lado. Hoje mesmo começo a seleção dos poemas e envio os primeiros para Constança. Espero dentro de uns três meses ter re$paldo editorial para publicá-lo. Certamente que por conta própria. Apostando na venda para evitar maiores prejuízos. Espero que lá para setembro tudo esteja bem mais definido. E, quem sabe, o livro já publicado. Vou selecionar os poemas com calma, experimentar outros e retomar o diálogo poético com Constança. O poema acima, certamente, estará no livro.

DIA INTERNACIONAL DA POESIA
Ontem, 21 de março, foi o Dia Internacional da Poesia. Desconfio muito da importância dessas datas. Mas, esse dia tem significado especial pra mim. Nasci exatamente no dia 21 de março de 1957, às oito horas da manhã, em Jaguarão, no coração do pampa gaucho. Aos 52 anos, penso que já não tenho tanto tempo assim. Que preciso escrever mais e melhor... Ainda que concorde com Borges, “a gente pode escolher o que lê, mas escreve o que é possível escrever.”

COMEÇA O DRAMA

Sempre é muito difícil selecionar poemas para um livro. Que critério usar? Por que agora e não daqui há uns 4 ou 5 anos? Por que publicar se os poemas já estão expostos aqui no blog? São tantas perguntas miúdas. Angústias que os leitores e leitoras desse tal de Poesia Sim haverão de acompanhar. Ou não...

FRAGMENTO DE T. S. ELIOT

O amor apenas a si próprio tangencia
Quando agora e aqui não mais importam.
Os velhos devem ser exploradores,
Aqui ou ali, não interessa
Devemos estar imóveis e contudo mover-nos
Rumo à outra intensidade
A uma união mais ampla, uma comunhão mais profunda
Através da escura frieza e da vazia desolação,
O grito da vaga, o grito do vento, as águas infinitas
Da procelária e do delfim. Em meu fim está meu princípio.

(tradução de Ivan Junqueira, extraído do livro Poesia – de T. S. Eliot, Editora Nova Fronteira)

8 comentários:

Joana disse...

Bonito de mais. Eliot fala com a gente, nesse mundo onde a fala se transmuda em bits e bits...

Fabiana Motroni disse...

p.s.: corrigindo e acrescentando...fico feliz em conhecer mais da verve parahybana-pampeira... :)

Clarissa Marinho disse...

Acho que teu livro novo vai ser um sucesso!!
Gostei do trecho de T.S. Eliot.Combina com o espírito de se encarar bem mais um ciclo de vida,que se iniciou com teu aniversário.Mais uma vez,parabéns!
=)

Marli Reis disse...

Parabéns! Também pelo ANIVERSÁRIO!
Abraços!!

fernando cisco zappa disse...

lau
gostei muito desse poema!

machado afiado
extensão dos dentes
nas fibras semióticas

evoé,
poesia sim!
poesia que tece os dias...

paulo de toledo disse...

companheiro, parabéns!
(better later than never.)
muita saúde e poesia pra ti.

abrações,

paulo

Mirse disse...

Lau, PARABÉNS!!!! Nasceste no dia do equinócio outonal, o mais importante dos equinócios.
Belíssimo poema onde a comunhão da humanidade em prol de mais paz e melhor expectativa de vida arde há muito em nosso peito.

Aplausos pelo poema, e parabésns, pelo aniversário!

um forte abraço

Mirze

mario cezar disse...

caro Lau, teu livro terá a marca do barro úmido; a lonjura do céu, pleno de asa; teu livro terá o vagir do encontro. abraços