espanto



como se fosse
outro esse mundo
tosco que me sorve
pelo avesso

pessoas palavras
coisas

deuses no
ventre do oco

tudo consumido
no espasmo
do que não sou

mas abala
e de dentro

contempla

(poema vermelho – lau siqueira)

POEMAS VIVOS
Nunca sei quando vou escrever um poema. Mas, sempre tento. Quase que diariamente me jogo nas palavras com sede de anteontem. No entanto, na maioria das vezes, apenas engasgo. Talvez por isso tenha dificuldade imensa de afirmar a poesia enquanto mero exercício cerebral. A poesia, em mim, nasce do que contemplo no sentido das palavras, a partir do que a vida me oferece. Seja doce, seja acre. Meu pensamento, sente. Meu sentimento, pensa. Não sei definir onde começa e onde termina o que me parece uno.

ANTÔNIO CÍCERO
Foi uma suave experiência do saber. Talvez pudesse descrever desta forma o prazer que foi a palestra do poeta na semana que passou. Infelizmente, não pude ficar para o debate. Na verdade, sempre acho o debate o melhor momento. Antônio Cícero é um poeta despido da arrogância que, algumas vezes, emoldura a vaidade extremada de alguns. Um poeta sem ranços e sem rancores estéticos. Acho que é por aí.

ESPARRELA
Um novo espaço para o teatro em João Pessoa. A sala do grupo Bigorna, no Espaço cultural do Terceiro Setor, em João Pessoa. Esparrela é o título do monólogo que o grande Fernando Teixeira escreveu, atua e dirige. Confira as minhas impressões sobre o espetáculo, no blog Pele Sem Pele.

CONTRAMÃO
Como recurso para o último tópico de uma postagem aqui no Poesia Sim, sempre recorro ao que tenho numa estante que fica atrás da mesa do meu computador. Decidi não acumular livros, mas preservar os que considero essenciais. O poema abaixo foi extraído de um livro que é um clássico da dita poesia marginal: Contramão. Nesse livro constam poemas de Aristides Klafke, Arnaldo Xavier, Celso L. Marangoni, Lúcia Vilares, Maurício Merlini, Tadeu Gonçalves e Ulisses Tavares.

ARNALDO XAVIER

a noite se abre
sobre sua cabeça
como um guarda-chuva ou como
uma rosa preta

o guarda silva o medo
para subsistir
enquanto os lábios dos cemitérios
como dormitórios
abocanham sono-
lentas pessoas e as sombras
arengam até sangrar

(guarda noturno, poema do paraibano Arnaldo Xavier, da antoplogia marginal, CONTRAMÃO)

POESIA NEGRA
Acho que a poesia de Arnaldo Xavier tem uma qualidade que transgride a lógica marginal. Um poeta de qualidade com uma poesia de forte raiz negra e de extrema densidade. Arnaldo Xavier (já faleceu) foi um dos ícones, na verdade, da Poesia Negra brasileira. Conversei sobre ele com o poeta gaúcho (recentemente falecido) Oliveira Silveira, em outubro, quando estive em Porto Alegre.

Comentários

Mirse disse…
Lau, que poema lindo!

Se o encontrasse escrito na areia, colocaria seu nome em baixo.

Imagino se soubesse quando iria escrever, como ficaria!!!!

Antônio Cícero é um grande nome na poesia.


Parabéns por tudo o mais, as informações que complementam seu poema, precisam ser lidas em outra hora.

Enquanto lateja o poema, é difícil!

Parabéns!

Forte abraço

Mirse
Erica disse…
acho bom eu parar de ler essas tuas palavras nessa época. tô assim assim...:P

sempre lindo!

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