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quarta-feira, 8 de abril de 2009

pedro sobre pedra



o oceano era tanto
que a vida inteira
balançava

diante de um
arco feito horizonte

o instante era uma
atitude medida na
inquietude do vento

) éramos algo
pesado planando
sobre as águas )

o infinito e o incerto
balançavam as ondas


( homens
velas e madeira
sobre o oceano (


gritos de um povo
inscrito no silêncio

proscrito do que de
tão imenso




...e o que pesquei
nesta vida inteira

foi
o
mar

(poema vermelho – lau siqueira)

PEDRO BUCHUDO
Ano passado ouvi um relato de um pescador da praia da Penha, aqui na capital da Paraíba, que muito me impressionou. Ele disse que viajou com mais dois companheiros pescadores, numa jangada, até o Rio de Janeiro. Eles foram entregar as reivindicações dos pescadores ao presidente da República. Na época era o Juscelino. Esse relato foi feito por um homem chamado Pedro Buchudo. E ele relatou tudo numa assembléia do Orçamento Democrático, um instrumento de gestão instituído pela Prefeitura Municipal. Portanto, falou para centenas de pessoas, num microfone. Sem medo que alguém fosse lá dizer que aquilo era história de pescador. Foi para esse personagem da paixão pela aventura que escrevi o poema acima.

UMA PALAVRA CRÍTICA
Li algo de Octavio Paz, falando da crítica literária enquanto gênero. Ou seja: algo longe do que li certa vez no jornal literário O Rascunho. Percebi que o jornal precisava ser passado a limpo quando publicou artigos sobre a poesia de Arnaldo Antunes. Nos primeiros parágrafos o texto se referia de forma bastante pejorativa ao cabelo de Arnaldo Antunes. Sim, ao cabelo e não à poesia do cara. Um misto de caretice e charlatanice. Jamais crítica. Depois, o mesmo jornal irritou muita gente ao chamar o grande poeta , Sebastião Uchoa Leite de “empilhador de sílabas”.

A CRÍTICA COMO MÉTODO DE LEITURA
Na verdade Paz disse exatamente o contrário do que esse jornal praticava ou ainda pratica, já que cancelei há anos uma assinatura gratuita que tinha. O poeta mexicano acreditava que a crítica era uma releitura, uma recriação do texto. Na verdade, uma criação! Não resumo meus conceitos a isso, mas tenho certeza que a deselegância (ocasional ou não) do Jornal O Rascunho não tem nada a ver com crítica literária. Textos críticos deselegantes não têm nada a ver com literatura. Espero que eles tenham feito uma detetização da linha editorial. Crítica é, sobretudo, leitura. Do mundo e dos livros. Ponto. Preconceito estético é algo absolutamente podre. Fui!

POR QUE UM BLOG?
Penso que escrever é um exercício de dignidade. Mesmo Rimbaud que escreveu até muito jovem e na idade adulta abandonou a poesia pela contravenção. Sua poesia é da mais pura dignidade! Talvez tenha sido o que tenha sobrado da sua dignidade. Escrever em um blog, num livro ou pichar muros, requer dosagem de ousadia e certeza. Escrevo aqui no Poesia Sim. Escrevo até na areia. Escrevo, porque não me rendo. Nem me vendo...


POEMA DE PETRÔNIO SOUTO

Não quero encontrar o Santo Graal,
Muito menos tirar na Megasena.
Até o amor, que não faz mal,
Deixei de quarentena...
Meu único desejo (minha sina?)
É sair de cena
Como quem dobra uma esquina.

PETRÔNIO E A POESIA
O texto acima se chama “Dobrando a esquina”. Se trata de um poema inédito do meu amigo Petrônio Souto. Um cara que um dia me disse que não fazia Poesia, porque Poesia seria coisa séria. Então eu disse pra mim mesmo: Poesia é coisa séria! E continuei brincando com as palavras. Petrônio é jornalista e advogado. Aos sessenta anos, parece que não deseja nada mais que transpor todos os seus olhares, num mirante do Cabo Branco. (Uma bela praia onde presenciei uma tentativa de assalto e um tiroteio no dia 1º de abril, conforme relato aqui no blog, na edição do dia 2 de abril.)

5 comentários:

Mirse disse...

Bom dia, Lau! Antes mesmo de ler seu poema, Cliquei e verifiquei os desenhos de Contança. Pura arte e das mais significativas. Mostra o que o cérebro trabalha, onde se fixa, além de ser uma arte totalmente diferente. Muito bonito mesmo!

PEDRO SOBRE PEDRA - Nas duas primeiras estrofes, um pleonasmo do tamanho do oceano, nunca antes visto. Passa o movimento do mar, diante de um horizonte reto, ao alcance do olhar, e arco ao alcnce da grandiosidade que leva ao restante do poema.
Os parênteses invertidos concluem os arcos não só do oceano mas da nossa própria vida inversa neste tumultuado mundo.
A homenagem a um pescador que ousou, me emocionou, como me emociona tudo e todos que ousam traçar e fazer um mundo diferente.

Parabéns, Lau!
POESIA SIM, e dessa fonte eu bebo.

Forte abraço

Mirse

Anônimo disse...

E eu fiquei pendurada numa linha tênue entre o imaginário e o real, qdo dissestes:

E o que pesquei
nesta vida inteira
acreditem
foi
o Mar...

tanto acredito, quanto parabenizo-te!
montedebeijos, Lau.

Marli Reis disse...

"Dica" oportuna!
Beijo carinhoso!

Constança Lucas disse...

Obrigada Mirse pelas suas palavras sobre os meus desenhos :)

abraços
Constança

Gerlane disse...

Parabéns pela sua postura sobre a crítica literária.É isso mesmo, no estágio de evolução do pensamento crítico em que chegamos, não podemos admitir que posturas críticas preconceituosas venham a ganhar espaço. Mas como em todos os ambientes das idéias, onde cada um deseja demarcar seu terrreno,com o espaço da crítica literária não é diferente. Só nos resta separar o joio do trigo.E pra isso, estás contribuindo muito bem. Forte abraço Lau!