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domingo, 12 de abril de 2009

poema


o poema é
a nudez que me veste
na mesma derme que
rasga as algemas e os
vetores do nome que sou
quando apenas respiro
fraudulento de minha espécie
pensando sentindo sentindo
pensando

(.........)

queria cinco
pares de unhas afiadas para escrever
meu poema pelas paredes
como uma grafitagem de beleza
escondida nos becos

(.........)

penso arrancar as telhas para ver
melhor a lua

(.........)

arrancar as telhas já vale o poema

(.........)

penso que poema algum é tudo

(.........)

penso com minha alma de veludo

(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

ESCREVER POEMAS
Não publico um poema inédito aqui no blog há séculos. Mesmo assim continuo escrevendo, acreditem. Varo madrugadas sentado em frente ao computador. Digo sempre que escrever poemas é o exercício permanente das nossas impermanências. A questão é que não consegui, nos últimos tempos, extrair dos meus exercícios um único poema que julgasse passível de ser publicado aqui no Poesia Sim (imagine em outros espaços). Por isso, estou apagando tudo. Escrevo e apago. Escrevo e apago. Escrevo e apago... Tenho escrito e publicado textos no blog Pele Sem Pele. Mas, poemas não. Ainda assim, insisto em escrevê-los e apagá-los. Até que a poesia transgrida toda essa minha apatia.

DAS TENTATIVAS
Até mesmo o oco criativo é celebrado como tema na página virtual do word. A eterna página em branco. (E o poema que não vem!) Um tema, aliás, de certa forma instigante para um ato criativo absolutamente angustiado e inútil: meus olhos firmados/ no branco da página/ onde nenhuma palavra / habita o poema... Mais tentativas e apenas mixórdias transbordam aos berros neste silêncio de palavras bem escolhidas. Por isso continuo tentando.

AS PEIAS DA RAZÃO
Muito bem. Se um poema fosse apenas resultado de um esforço intelectual, estaria tudo resolvido. Era só provocar o suor da moleira. Eu escreveria algo cifrado, alguma tentativa com o hálito podre das vanguardas seculares e pronto. Estaria aqui com um poema geograficamente perfeito, mas sem mares, sem rios, sem firmamento, sem cheiro de poema, sem óculos escorregando do nariz suado, sem vísceras e sem duelos de sombra e luz. Um poema não é apenas um ente de palavras. Um poema é um ser vivo com a função de fustigar o espírito de outro ser vivo. E assim é caminhar no tempo.

POR ISSO O POEMA
Coloquei o poema acima, como uma provocação à mim mesmo. Pensar o poema é preciso! (ou impreciso.) Nunca sabemos quando será escrito nosso grande poema. (ou se um dia vamos escrevê-lo) Ao menos um poema que seja minimamente provocador. Escrever é sempre um desafio. Publicar é uma provocação. Posso publicar minhas convicções, mas o certo é que escrevo minhas dúvidas. Por isso, nessas ocasiões, sigo os conselhos de Borges. Recolho-me da máquina e volto para a rede para ler um bom livro.

HAIKAI DE BRUNO GAUDÊNCIO

ira de viver,
canina fome
de luz e abismo.

(Bruno Gaudêncio faz parte da novísssima safra de poetas paraibanos. Um nome que muito em breve será muito citado nos meios literários daqui e de acolá, tenham certeza)

6 comentários:

Marli Reis disse...

Não apague...

João Tibau Campos disse...

muito legal.. parabéns pelo blog

Taninha Nascimento. disse...

Compartilho com você o mesmo sentimento.

O que escrevo, melhor não publicar...

Me reportei a Machado de Assis, quando no poema "Soneto de Natal", ele diz:

"[...]Escolheu o soneto... A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,

A pena não acode ao gesto seu [...]"

Escrever mecanicamente, como disse certa vez Patativa do Assaré; NÃO TEM GRAÇA!

"[...]Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume; [...]

Aos Poetas Clássicos
Patativa do Assaré



Bonita e sincera a sua apostagem.

FELIZ PÁSCOA!
Taninha

luciawan disse...

Sempre que entro seu blog, em tardes murchas de domingo,saio cheia de ideias. Já cheguei até a fazer poesia a partir dos seus escritos.
Boa noite de domingo!
Lúcia

Mari Amorim disse...

Em momento doloroso
O amor vem se impor
Vivo e esplendoroso

venho sempre,e gosto muito
beijos
Mari

Mirse disse...

Aguardo ansiosa essa busca pela perfeição. Só encontrarei, postando poemas que da mesma forma critico e apago. Mas as críticas alheias nos sugerem e apontam o caminho. No meu primeiro livro, que escrevi com veemência, depois de publicado, envergonhei-me e pensei em quantas coisa poderia ter trabalhado, lapidado mais.
Como seus poemas como este acima são de primeiríssima, não entendo esse porque.

No entanto admiro.

Parabéns, Lau!

POESIA SIM

Abraços

Mirse