quatro paredes


e se te amo ainda como
em eterna e cálida despedida
cozendo em trapos a vida
sem ânimo para colher o pomo

deste olhar lacerado e inútil
de onde sopro tua ausência
e meus olhos de eterna ânsia
desmembram tua beleza fútil

é que trago em mim a lágrima
e os destroços do naufrágio
- corpo e alma em desvario

vestindo a soberba demência
do que soçobra entrementes
solidão entre quatro paredes

(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

POEMAS ESCOLHIDOS
Sabe no que dá medo morrer? Na possibilidade de alguma alma caridosa publicar meus piores poemas. Por isso deleto tanta coisa. Tenho receio de ser confundido. Meus erros são distraídos e certeiros. Não sou como James Joyce que dizia que “um homem de gênio não comete erros. Seus erros são voluntários e são os portais da sabedoria.”

AS ESCOLHAS CERTAS
Por outro lado, muitas vezes desconfio muito das minhas escolhas. Ano passado estive presente numa sala de aula do curso de Letras da UFPB, onde um grupo estava estudando a poesia de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes e a minha. Surpreendi-me ao perceber que um dos poemas que estavam estudando eu havia enviado por e-mail para alguns amigos (para o professor, inclusive) e depois deletado por considerá-lo insignificante. Por isso nunca sei quais são minhas escolhas certas. Mas, tenho certeza que esse disfarce não é meu: meus erros não são voluntários.

CORRIGINDO A HISTÓRIA
Ontem conversei com um os filhos de Chico Buchudo. Sim, Chico e não Pedro como coloquei aqui, erradamente, na edição do dia 8 passado. O pescador Chico Buchudo me parece gostar muito de presidentes e de sexo. Depois de ter ido levar reivindicações dos pescadores ao presidente Juscelino, num Rio de Janeiro ainda capital, voltou até a capital federal de bicicleta. Mas, desta vez a capital já estava instalada em Brasília e Chico percorreu a distância entre João Pessoa e até lá, de bicicleta. O bom motivo era, na verdade, um mau motivo. Desta vez Chico foi assistir a posse do último general ditador, João Figueiredo. E o sexo? Ah, ele teve 11 mulheres e 29 filhos. Todos centrados e muito bem criados. Chico é um fenômeno. Toda essa energia ele tirou do mar. Até hoje, ele me parece muito saudável e disposto. Não duvide da sua virilidade e muito menos da sua capacidade de empreender outra aventura.

O QUE É POESIA?
Dia 23 estarei no auditório 411 do CCHLA – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da UFPB. Motivo? A conferência do poeta Antônio Cícero com o tema “o que é poesia?”. Cícero faz um passeio que vem da Grécia antiga aos dias de hoje. Confira mais detalhes: http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?93170. Então eu lembro o poeta cearense Francisco Carvalho: “fazer poesia é ver as coisas como as coisas não são”.


POEMA DE FREDERICO BARBOSA

ENSINAM ASSIM:
COMO QUEM HOJE
CANTA.
BAJULE, PUXE,
SEJA BANAL.
PULE, GRITE,
APAGUE-SE NA LUZES.
TRANSFORME TODO SOM
POEMA PROBLEMA
EM APELO SEXUAL.

APELE. SALVE SUA PELE

(Poema de Frederico Barbosa, do livro CONTRACORRENTE.)

Comentários

Olá Lau!! Não conhecia seu trabalho e vim parar aqui através de buscas na internet. Gostei muito do que encontrei aqui. Meus parabéns pelo seu trabalho, ótima qualidade expressiva. Achei muito legal você ter livros publicados de poesias, acho que isso é muito difícil. Quem sabe possamos conversar melhor sobre isso também, uma hora dessas.

Abraços,

Rafael
líria porto disse…
querido poeta
partilho das tuas aflições - outro dia escolheram uns poemas meus para a publicação do meu primeiro livro, vão fazê-lo em portugal - são poemas que eu não escolheria - mas como não tenho nada publicado, aprovei... estou numa insegurança que nem imaginas!
saudades tuas!
besos
Nydia Bonetti disse…
Que belo poema, Lau.
Acho que você já não erra. E a tua poesia sempre precisa, certeira, essencial.
Um abraço
Nydia.
Sofia Duarte disse…
Belo trabalho este de lear a poesia ao mundo!

Continuações de optimas inspirações!!!!

Abraço
lili laranjo disse…
POETA
Ser poeta…
É ser louco…
É ser sonhador…
É saber dar…

Dar e dar-se…
Na poesia…
Na vida…
No mundo…
E saber que o seu poema…

Foi lido…
Foi sentido…
E, foi tantas vezes… partilhado!...

Partilhado…
Com dor…
Com alegria…
Com amor…

E o poeta sente…
Que o que fez…
Não foi para si|…
Foi para o mundo…

E nessa partilha…
Entende que não mais…
Voltará a estar só!...

Lili Laranjo
Mara faturi disse…
Querido Lau,

por aqui já está soprando o minuano tímido, mas sua poesia continua "quente", muito lindo esse poema, doído de lindo;)
* Escolhi seu blog para dar o prêmio Arte y Pico, por vários motivos; visite meu blog e descubra,
bjos e saudades!
Mara faturi disse…
Querido amigo,

deixei um prêmio, presentinho pra vc lá no meu blog, passa lá para ler e repassar para seus preferidos, ok?? foi com todo carinho e admiração que o escolhi;)
beijos!!!

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