quarta-feira, 22 de abril de 2009

rio
sanhauá



anéis
e dedos se foram

resta a carne seca
em ossos dissipada

o coração - poço de
coragens vencidas

no alvo da retina
a nitidez do que
não existe

(tudo é belo
e triste)

(poema do livro Texto Sentido)

DIÁRIO DE UM LOUCO
Assisti Esperando Godot, em Porto Alegre há uns 25 anos atrás, ou mais. Um clássico de Becket. Adorei! Tempos atrás, assisti A Gaivota, de Tchecov, com o grupo Piollin. Bárbaro! Domingo, a convite do meu amigo Jorge Bweres, diretor do espetáculo, fui assistir Diário de Um Louco, de Nikolai Vassilievitch Gogol. Também adorei. Inclusive escrevi a respeito no blog Pele Sem Pele. O bom teatro sempre busca bons textos.

ROMAN JAKOBSON
“É a poesia que nos protege contra a automação, contra a ferrugem que ameaça a nossa fórmula do amor e do ódio, da revolta e da reconciliação, da fé e da negação.”

POESIA SIM
Pensar o poema, às vezes, parece um ato repetitivo. Isto se não nos libertamos do aprendido e do apreendido, para a experiência de colher imagens e transportá-las para a pimenta do signo, para o extremo hálito do que nos parece palpável e ao mesmo tempo tão distante, mas tão distante que talvez nem exista. É por aí que transitam as certezas sobre o que eu escrevo. O medo do absoluto me confunde às vezes. Por isso experimento sempre. Por isso transgrido o gosto (meu e alheio), muitas vezes, numa provocação que faço aos meus possíveis acomodamentos estéticos e existenciais.

POEMA DE RICARDO ALEIXO

tudo branco
ao redor

estático
teatro de

sombras
matéria de

que é
feita a

insônia
quem me

dera o ouro
de uma

noite sem
memória

(Teatro, poema do mineiro Ricardo Aleixo, extraído da antologia Na Virada do Século – Poesia de Invenção no Brasil)

2 comentários:

LILI LARANJO disse...

PASSEI POR AQUI...
E DEIXEI...





Estou só…
Brinco com as letras…
Tento uni-las…
E formar palavras…

Palavras lindas…
Palavras doces…
Que me consolem
Que me aqueçam
E que façam…
Com que eu esqueça! …

Tudo é feio…
Tudo é miséria…
Tudo é dor…
E que eu…
Sinta por fim…
O que é o Amor!...




Lili Laranjo

Priscila Lopes disse...

Tenho repensado o poema com freqüencia. Tanto, e tanto, que não sinto, há algum tempo, o menor impulso da mão que se lança à escrita.