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Mostrando postagens de Maio, 2009
levada carne
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.
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meu amuleto
suas tatuagens...

sorte e desejo
no mesmo gesto

) oceano de nuvens
cravado na grade
da janela )
a alma na rede
a pele da sede

fluídos contínuos
de um não que
reclama

desejos de uma
solidão que ama

(poema vermelho – lau siqueira)

UM POEMA PUXADO PELO BRAÇO
Um poema forçado. Milimetricamente cerebral. Não, não... Animal! Jamais hermético. Um poema puxado pelo braço. Pelo saco. Numa ação de quem diz com soberba: minha raça é aqui e agora! Um poema esculpido numa bolha de saliva. Espelho de memórias que se espalham. Um poema que se derrama no véu das palavras... Um poema triscado. Riscado. Tribal. Um poema nervo. Um poema rock’n roll. Um poema nada. Estrada... Um poema puxado pelo braço...

NO EXERCÍCIO DO VERSO
Imaginar uma circunstância e liquidificá-la para uma mistura insólita, semeadora de novas formas. Tecer palavra por palavra no paredão branco da tela que se abre em minha frente. Escrever o poema que transborda dos poros. O poema que fede gostoso. O poema que nunca escrev…
a versão

pessoano

não raras vezes
afeiçoado às imensidões

fingidor sem sentimentos
voláteis colhendo impressões
fervidas vivas

como um bicho que perdeu
os olhos comendo imagens


(poema recolhido – lau siqueira)

CONVERSA DO RE (...) VERSO
Estive conversando com uma amiga sobre o ato ao mesmo tempo divino, sublime, impuro e insano de escrever poemas. Soube que se sente desconfortável enquanto poeta, quando lê um bom poema. Acha que talvez os seus não sejam assim tão bons. Melhor não pensar nisso, amiga. E muito menos perder de vista esse sentimento. O espírito crítico e as boas leituras são o solo fértil e o oxigênio na medida para a composição de um bom poema. Ao tempo que não se pode esquecer que um bom poema tem um efeito pedagógico para quem escreve e para quem lê. Quanto a poeta maior, poeta menor... Não há fita métrica para medir a diversidade estética que cerca os poetas. Muito menos para a estatura de um instrumento de linguagem que é absurdamente mutante diante dos olhos criadores do leito…
cilada



comungo com as pequenas coisascom o que mergulha no sumidouro
das horas mortas

também com as flores miúdas
que harmonizam o jardim e
com abelhas que somem
no invisívelestabeleço um tempo para a fruição
do que mensuro no pulsar das
coisas tortas e nos espaçamentos
da alma

depois teço a esperança
retomando o eito do cansaço
como se os limbos da calma
que degola meus gestos pusessem
em minhas mãos o
lodo cinzento do que não sou

a lua permanece intacta entre as
nuvens a devorar o uivo e o lobo
sedento das paisagens inanimadas e a escuridão contempla
meu olho nu
(POEMA SEM PELE – Lau Siqueira)

NUNCA ESCREVA PUTO
Machado de Assis tinha razão. Quando estivermos com raiva, não devemos escrever. Podemos gritar, espernear, pular da janela (no térreo, claro), mas, jamais escrever. A palavra escrita deve ser sempre produto de algum tipo de lucidez. Mesmo quando imersa na embriaguês suave do efeito abstrato. Aliás, principalmente quando imersa na embriaguês cambaleante do abstrato. Onde uma imensa lua sem entra…
((eira íntima))



quanto ao que penso
confesso que desce pelos poros

inundando a
pele de brilho opaco
das retinas

coisa que não tem
jeito para uso doméstico da
rebeldia

sem que nada do uni
verso possa gerir em súmulas

pulsante dentro e fora
das possibilidades de um
espelho

despedaçando o vento

soluçando
entre as rochas miúdas do
silêncio

na infinitude aguda dos
dos bares

onde às vezes
me pego violando
as certezas

(poema vermelho – lau siqueira)

"A NAÇÃO DOS POETAS"

A organização do festival "A Nação dos Poetas" convida poetas de até 30 anos a participar de seu primeiro concurso de poesia. Basta enviar, até o dia 15 de julho, cinco poemas ao endereço eletrônico natiuneapoetilor@gmail.com. Os poemas devem ser enviados no corpo do e-mail. Haverá um vencedor para cada língua européia inscrita. O concurso é aberto a poetas que não vivam na Europa. O prêmio é de 300 euros, mais a tradução ao romeno e publicação dos poemas na antologia do festival. O festival se realizará de 4 a 10 de outubro na …
úbere transposta


coisa nenhuma - eu diria

quando as palavras chegam assim
tão minúsculas tão
envoltas em coisa nenhuma

artefatos apenas

onde galileu e suas teses iniciais
sobre os caminhos que se bifurcam
persiste na busca do que há
na zona de sombra do universo e
revela em imagem e som o ruído
das palavras

palavras minúsculas
envoltas em coisa nenhuma

(poema transposto – lau Siqueira)

A UTILIDADE DA ESCOLHA
Lembro que na época que estava selecionando poemas para o livro Texto Sentido deletei muitos poemas. Muito mais de uma centena. No entanto, sobraram alguns poucos daquela safra. Pouquíssimos! São os sobreviventes. Do poema acima arranquei apenas o título: úbere mínima que passou a ser título de outro poema que, até aquele momento, não estava nos planos. Enfim, recoloco o poema na roda, agora, operando uma irônica mudança no título. Este outro, a seguir, tem a mesma história de sobrevivência


outros pássaros

quando nas manhãs de sol
os bem-te-vis revelam seus
cantos como os olhos
de um segredo

e em suas …
SARGENTO GARCIA
(em memória de Caio Fernando Abreu)

teus lábios em minha pele cálidos como as matilhas
selvagens do encanto meu pau solene
feito átrio aço
incontido de paixão e medo
busca o abrigo do teu hálito nenhuma voz crepuscular
na indução do desejo

nação de gemidos escarro na boca
escancarada
da cidade(tentativa de poema homoerótico escrito especialmente para o jornal Colméia, do Movimento Espírito Lilás – MEL, em julho de 2004)

CONTRA A HOMOFOBIA
Em geral não gosto de escrever poemas por encomenda. Mas, algumas causas são por demais nobres, reconheço. Em 2004, incorporado na luta contra a homofobia fui provocado e escrevi o poema acima. Na verdade, uma tentativa de poema com temática homoerótica. Acho que não fui bem sucedido, mas republico como forma de me posicionar permanentemente contra tantos assassinatos de inocentes, incentivados e praticados pela covardia homofóbica. Todavia, sempre que falo em poemas por encomenda, lembro que João Cabral de Melo Neto escreveu Morte e Vida Severin…
poema dos rios desimportantes



banho de rio
acalma as tristezas

no acúmulo das águas
que secam os afluentes
das iras contidas

quando imundo de silêncios
e destinos transbordados

angustio
a sede dos peixes


como espírito que em nada
conspira aos próprios tormentos

no invento de palavras
transpostas na fluidez do
inverso profundo

onde as corredeiras são frias
e barrentas

onde permanecem afogados
os olhos invisíveis do ocaso

) argúcia dos moluscos
na umidade ácida dos juncos

(poema vermelho – lau Siqueira)

POEMAS MUTANTES
Acredito no que revela o conceito de obra aberta em Umberto Eco. Também no que meu bróder querido, o poeta Moacy Cirne, diz ao definir o Poema/Processo. Todo poema é uma obra aberta. Todo poema é um processo. O poema é um ser mutante (ou inexistente). Um ser de palavras, imagens, objetos, sons, cheiros e um infinito de coisas invisíveis que, na verdade, nos fazem pensar que não podem jamais, num ato de impermanência, negar a mobilidade das linguagens que o compõem. O poema acima já foi modifica…
extremo


caminho na direção
do amanhecer

ainda que anoiteça

como nascente
dum rio digital

fragilidade insensata
no universo absoluto

perenidade que se
perde na memória

sem medo de
transbordar

(poema em construção – lau siqueira)

NOITE DE AUTÓGRAFOS
Lancei meu livro, Texto Sentido, em novembro de 2007. De lá para cá tem sido este blog seu maior veículo. Vendi e continuo vendendo para todo o Brasil, por aqui. Pouco, mas sempre. Não coloquei em livrarias. (Consignação é a mãe!) Na verdade, pouco trabalho este livro. No entanto, neste dia 8, entre 19 e 20h, serei levado por ele pruma noite de autógrafos dos escritores e artistas que estão expondo no stand do SEBRAE, dentro do IV CINEPORT – Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. Um puta dum evento que está rolando aqui em João Pessoa. Confira no link. O festival vai até o dia 10 deste mês de inundações.

Lutopias


Não temos pés de barro.
Nem mesmo nossos ombros
são nuvens.

Somos parte de uma utopia
que abala o mundo.

Um sonho que transforma
o sílex em…
carapuça .sair de mim
não compreende
represar a alma
mas extorquir
todas as vozes
do silêncio
(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos - lausiqueira)

CINEPORT
Está mais uma vez bombando em João Pessoa o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, o IV CINEPORT. Um evento grandioso que dialoga com o mundo e que a cada ano vem aprimorando a sua execução. Quem está por perto, é de João Pessoa ou pretende vir por aqui até o dia 10 próximo, certamente ficará impactado com o evento. Visite o site do festival (http://www.festivalcineport.com/) e tenha uma idéia breve. Focado no audiovisual, o evento hoje exige uma maior capacidade de organização da cena local para o estabelecimento de um diálogo mais profícuo com essa Língua, nossa pátria.

ANGÚSTIA
Em Kierkegaard (1813-1855), sentimento de ameaça impreciso e indeterminado inerente à condição humana, pelo fato de que a existência de um ser que projeta incessantemente o futuro se defronta de maneira inexorável com possibilidade de f…
veloz
a vida pássaro
por nós

(poema dum dia desses – lausiqueira)

PONTO
Os budistas dizem: "você é o Senhor da sua mente". Portanto, perder os sentimentos, os instintos, a compreensão ética do mundo e a capacidade de comprovar a própria existência como um ato de ternura não seria, também, perder a razão? O limite do pragmatismo é o oportunismo.

CAMBIANDO EL TEMA
O poeta vive a experimentação do ilimite. O poeta vive, na mesma proporção, os mergulhos na condição humana e nas diversidades da linguagem. Sua fragilidade é diretamente proporcional a sua capacidade de produzir tempestades. Logicamente que não há, nesse aspecto, nenhuma vantagem ou desvantagem.

NO MESMO TEMA
Os poetas são os “cavalos” do desconhecido. Amarrar o poema em conceitos significa conter as suas possibilidades. É esse o equívoco dos que tentam reduzir a poesia à condição de rato de laboratório. O poema, até pode. A poesia, não. A poesia não depende das palavras.

E O QUE É VANGUARDA?I N U T R O Q U E C E S A R
N I N U…