carapuça

.

sair de mim
não compreende
represar a alma

mas extorquir
todas as vozes
do silêncio

(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos - lausiqueira)

CINEPORT
Está mais uma vez bombando em João Pessoa o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, o IV CINEPORT. Um evento grandioso que dialoga com o mundo e que a cada ano vem aprimorando a sua execução. Quem está por perto, é de João Pessoa ou pretende vir por aqui até o dia 10 próximo, certamente ficará impactado com o evento. Visite o site do festival (http://www.festivalcineport.com/) e tenha uma idéia breve. Focado no audiovisual, o evento hoje exige uma maior capacidade de organização da cena local para o estabelecimento de um diálogo mais profícuo com essa Língua, nossa pátria.

ANGÚSTIA
Em Kierkegaard (1813-1855), sentimento de ameaça impreciso e indeterminado inerente à condição humana, pelo fato de que a existência de um ser que projeta incessantemente o futuro se defronta de maneira inexorável com possibilidade de fracasso, sofrimento e, no limite, a morte. Em Heidegger (1889-1976), situação afetiva fundamental despertada pela consciência da inevitabilidade da morte, que coloca o homem em presença do Nada absoluto e incontornável. Em Sartre (1905-1980), consciência da responsabilidade decorrente da infinita liberdade humana e do vazio ontológico que possibilita a liberdade. E quando tomo consciência de tudo isso a única expressão que me ocorre é a seguinte: “que merda!”

ARTE & REPRESSÃO
No post anterior recebi dois comentários acerca da relação da criação artística com a repressão política. Na verdade, o que eu penso é que nesses períodos de exceção, a arte se configura melhor como canal de expressão da condição humana. Não nos iludamos! A democracia burguesa é uma imensa farsa. Diante da ditadura do mercado, os ferros que nos impossibilitam os passos, fazem o povo dançar. A produção contemporânea está sufocada, não mais pelos coronéis, mas pela indústria do Creu, pela diluição dos valores éticos e estéticos. Sinceramente, não creio que possamos ter saudades dos tempos obscuros que marcaram com sangue e mentira a nossa história.

POEMA DE JORGE LUIZ BORGES

Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E o alcácer abarca o universo.
E não tem nem anverso nem reverso
Nem extremo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de seu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que é um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
A fera, no negro entardecer.

(Labirinto, poema de JLB, no livro - Elogio da sombra - Tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques)

Comentários

Anônimo disse…
se deu mau lau nao vou te favoritar (..)

ar blasé+adeuzim

motivo: hj nao to a fim, só.
Anônimo disse…
oupaaa!!!achei um motivo menos subjetivo:

“É inútil para mim conhecer algo que não posso transformar.” (Paul Valéry)

beijinhos.
Ada disse…
Lau,
Essas liberdades democráticas nos deixam confortavelmente
dispensados de emitir opiniões mais contundentes sobre o mundo
que nos circunda e que ainda mantém aprisionados pela desproporcional
falta de oportunidade e cidadania, a um enorme contingente de pessoas.
Rodeados pelos "bons sentimentos" de uma classe média que
sempre ansiou pela liberdade abstrata (e que odeia índios, sem-terras, e marginalizados em geral) sentimos saudade da repressão. Pois estava claro pelo que se devia lutar, só não havia como fazê-lo sem enormes riscos. Hoje, quando "repressão não há",
finjimos crer que existem instrumentos que podem ser utilizados por quem quer que se sinta injustiçado.
Como se qualquer um tivesse igual acesso à ìnformação sobre os próprios direitos.
Como se a igualdade de oportunidades fosse uma realidade palpável ao alcance dos "homens - e muulheres- de boa vontade".
Num quadro desse parece meio anacrônico falar de justiça social ou o que o valha; não é "moderno", não é visível, não vende muito.
Se a angústia do inevitável nos toma a todos (que merda!) é preciso ter quem se disponha ao menos a falar daqueles (e por aqueles) a quem a falta de saneamento básico não permite tais angústias."(Nós que nos refugiamos nos abstrato"), como disse Clarice Lispector)
Por isso, meu bem, você estará sempre entre meus favoritos, pois para além das vaidades pessoais, sentimento e romances circunstanciais, tu fala do que é preciso falar, dos sentimentos e direitos coletivos que tem sido silenciados pela "moderna democracia" e pelo culto exacerbado ao individualismo.
Além do que, fazendo a lição de casa do existencialismo e assumindo a responsabilidade pelas minhas escolhas,assumo estar integralmente ao teu lado nas
na tua leitura de arte e sociedade e nas interações entre ambas.
E por isso minha amizade, caríssimo, que deposito sem receio; não é necessário sentir como eu sinto, mas a leitura de mundo tem que ser muito próxima, senão não dá "liga"
(Não precisa publicar esse post se não quiser)
Beijos
Ada
BAR DO BARDO disse…
O pai do Carpinejar manda!
Igor Monteiro. disse…
Opa, gostei muito do seu blog, estou como seguidor, aguardo visitas sua no meu blog, abraços fortes.

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