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domingo, 17 de maio de 2009

((eira íntima))



quanto ao que penso
confesso que desce pelos poros

inundando a
pele de brilho opaco
das retinas

coisa que não tem
jeito para uso doméstico da
rebeldia

sem que nada do uni
verso possa gerir em súmulas

pulsante dentro e fora
das possibilidades de um
espelho

despedaçando o vento

soluçando
entre as rochas miúdas do
silêncio

na infinitude aguda dos
dos bares

onde às vezes
me pego violando
as certezas

(poema vermelho – lau siqueira)


"A NAÇÃO DOS POETAS"

A organização do festival "A Nação dos Poetas" convida poetas de até 30 anos a participar de seu primeiro concurso de poesia. Basta enviar, até o dia 15 de julho, cinco poemas ao endereço eletrônico natiuneapoetilor@gmail.com. Os poemas devem ser enviados no corpo do e-mail. Haverá um vencedor para cada língua européia inscrita. O concurso é aberto a poetas que não vivam na Europa. O prêmio é de 300 euros, mais a tradução ao romeno e publicação dos poemas na antologia do festival. O festival se realizará de 4 a 10 de outubro na região de Bucovina, norte da Romênia. Entre os organizadores estão a província de Suceava, o centro cultural Ciprian Porumbescu e a associação cultural Bucovina Viitoare. Para mais informações, enviar um e-mail (em inglês) a natiuneapoetilor@gmail.com. (recebi a informação por e-mail, da poeta Marília Kubota)

UM POUCO DE AUGUSTO BOAL
"Hoje navego pela internet e me sinto sentado na ponte do portão da minha casa, vendo o mundo passar.
Lanço mensagens no meu site, como garrafas ao mar...Escrevo livros como se quisesse alcançar alguém que não cheguei a conhecer, ou alguém cujo rosto se dissolveu no tempo...
Quero ver o rosto de quem, nos meus livros, vê o meu."
(Augusto Boal, in, Hamlet e o filho do padeiro, 2000, p 83. Boal faleceu no último 2 de maio, aos 78 anos)

VIDA PASSANDO
Non so nulla delle vite passate. Non so nulla neanche del futuro. So dei viaggi, delle inflessioni esistenziali e del coraggio. E vivo il volo libero dei miei piedi nel terreno fermo di ogni movimento.
Não sei das vidas passadas. Também não sei do futuro. Sei das viagens, das inflexões existenciais e da coragem. E vivo o vôo livre dos meus pés no chão firme de cada movimento.
(Lau Siqueira, no blog Diario de Bottega. Tradução de Rosella Pristera)

8 comentários:

BAR DO BARDO disse...

A Romênia promove um concurso internacional... Eu vivo onde? Num país de que língua? Parodiando o moço (Oiticica) do parangolé: "todo poeta em língua portuguesa é um herói".

Poesia não é o "a" nem o "b" do mundo... (verso cunhado por Henrique Pimenta).

Ai...

Um abraço, Lau.

Batom e poesias disse...

Que bom que tens certezas para violar.
Tivesse eu alguma, transgrediria todas, nem que fosse só pela poesia.

Gostei muito do poema.

Rossana

Mirse disse...

Belíssimo poema, Lau!

"soluçando entre as rochas miudas do silêncio" (LINDO!) na parte e no todo.

Bela homenagem à Boal!

E linda a passagem sobre a VIDA PASSANDO.

Parabéns, poeta!

Abraços

Mirse

Compulsão Diária disse...

Bacana! Ainda bem que viola certezas. se no bar ou no banho. certrzasinvioláveis dá péssimo resultado.

XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE) disse...

Lau,

Nosso lançamento no Bar do Batata (Sampa/Jardins) será no próximo sábado. Se estiver na área, apareça!

Um abraço,
Priscila

Wagner Marques disse...

que legal isso aqui!

lau siqueira disse...

Bardo, Portugal fica na Europa ainda? Sei lá se Saramago já não deslocou de vez aquela península, elevândo-a à condição de ilha do Caribe...
Rossana, eu tenho muitas certezas. Todas elas violadas.
Priscila, não vou estar na área. Brindo com você daqui mesmo.
Wagner, Mirse querida, compulsão... gracias!

Talita Prates disse...

Ótimo blog, parabéns!
Curti muito!
Paz. :D