extremo


caminho na direção
do amanhecer

ainda que anoiteça

como nascente
dum rio digital

fragilidade insensata
no universo absoluto

perenidade que se
perde na memória

sem medo de
transbordar


(poema em construção – lau siqueira)

NOITE DE AUTÓGRAFOS
Lancei meu livro, Texto Sentido, em novembro de 2007. De lá para cá tem sido este blog seu maior veículo. Vendi e continuo vendendo para todo o Brasil, por aqui. Pouco, mas sempre. Não coloquei em livrarias. (Consignação é a mãe!) Na verdade, pouco trabalho este livro. No entanto, neste dia 8, entre 19 e 20h, serei levado por ele pruma noite de autógrafos dos escritores e artistas que estão expondo no stand do SEBRAE, dentro do IV CINEPORT – Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. Um puta dum evento que está rolando aqui em João Pessoa. Confira no link. O festival vai até o dia 10 deste mês de inundações.

Lutopias


Não temos pés de barro.
Nem mesmo nossos ombros
são nuvens.

Somos parte de uma utopia
que abala o mundo.

Um sonho que transforma
o sílex em silêncio.

Somos os que não se rendem
diante do medo.

Os que não temem as sombras. (Não tememos as trevas!)

Somos fabricantes de luzes.

Vaga-lumes em noite sem lua...

(poema em destruição – lau siqueira)

MERCADO E RESISTÊNCIA
A Poesia é uma espécie de resistência no mercado do livro. Um calo incômodo que precisa ser amontoado em alguma estante. A lucratividade das editoras é estratosférica neste país de exclusões. E a Poesia é um dos gêneros mais lidos. Apesar da imagem contrária. Entretanto, misteriosamente, Poesia não dá lucro. Homero tinha razão quando dizia que as folhas de louro com as quais faziam as coroas, na Grécia antiga, com as quais eram condecorados os poetas, “mal serviam para temperar o feijão”.

POESIA E MERCADO
A tradição dos poetas beduínos pendurava poemas em painéis suspensos, espalhados pelo deserto. Nessa época ninguém poderia supor que a Poesia um dia faria parte de uma engrenagem tão poderosa. Mesmo ficando na margem. Todavia, o mercado do livro não possui nem a longevidade e nem a perspectiva da Poesia. Paulo Coelho será engolido pelo futuro. Tanto quanto os best sellers dos tempos de Rimbaud. A Poesia tem o charme da eternidade. Mesmo quando tantas vezes se apresenta espalhafatosamente fugaz.

UM POUCO DE RIMBAUD

“Numa bela manhã, em meio a gente doce, um homem e uma mulher soberbos gritavam pela praça pública: ‘Amigos, quero que ela seja rainha!’ ‘Quero ser rainha!’ Ela ria e tremia. Ele falava aos amigos de revelação, de uma provação terminada. Eles desmaiavam um no outro.

De fato, eles foram reis por uma manhã inteira, em que tapeçarias carminadas se estenderam sobre as casas, e a tarde inteira, em que eles avançaram do lado do jardim de palmeiras.”

(“Realeza”, poema de Arthur Rimbaud, com tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. Do livro Iluminuras – gravuras coloridas, publicado logicamente pela Editora iluminuras em sua tercedira edição. Muito tudo de bom, Rimbaud. Sempre!)

Comentários

Nydia Bonetti disse…
De um Extremo ao outro, uma beleza... Realeza.
bjs.
BAR DO BARDO disse…
Digo sim. Agradeço pelos poemas e pelas informações.
Lis Cristina disse…
Simplesmente fantástico...
Embora as vezes não consiga deixar meu comentário por aqui,,,beber desta fonte virou um vicio para mim..Este seu blog está cada vez mais lindo!!!!
Amei a foto do perfil!!!
Este poema inacabado...
Como um poema inacabado. Como a Sinfonia Beleza não finda. Porque soube ser começo. Mas não fim. Você fica e eu sigo. Ou você segue e eu fico ...
Adriana disse…
Lau,
O poema é belíssimo e teus comentários sempre certeiros.
Marli Reis disse…
"sem medo de transbordar", que "lugar" especial esse!!!
Bj
Erica Maria disse…
eu tô com medo de transbordar
:(
Juracy Ribeiro disse…
Lau Siqueira,
te encontrei no Jornal de Poesia.
Muito tarde agora, amanhã - hoje, quero dizer, volto a ler mais.

Abraço poético,
Juracy.

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