levada carne
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meu amuleto
suas tatuagens...

sorte e desejo
no mesmo gesto

) oceano de nuvens
cravado na grade
da janela )

a alma na rede
a pele da sede

fluídos contínuos
de um não que
reclama

desejos de uma
solidão que ama


(poema vermelho – lau siqueira)

UM POEMA PUXADO PELO BRAÇO
Um poema forçado. Milimetricamente cerebral. Não, não... Animal! Jamais hermético. Um poema puxado pelo braço. Pelo saco. Numa ação de quem diz com soberba: minha raça é aqui e agora! Um poema esculpido numa bolha de saliva. Espelho de memórias que se espalham. Um poema que se derrama no véu das palavras... Um poema triscado. Riscado. Tribal. Um poema nervo. Um poema rock’n roll. Um poema nada. Estrada... Um poema puxado pelo braço...

NO EXERCÍCIO DO VERSO
Imaginar uma circunstância e liquidificá-la para uma mistura insólita, semeadora de novas formas. Tecer palavra por palavra no paredão branco da tela que se abre em minha frente. Escrever o poema que transborda dos poros. O poema que fede gostoso. O poema que nunca escrevi antes. Somente por isso, já valeu a pena tê-lo zoando segredos em meus ouvidos. Cada poema é uma espécie de zumbido...
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ADEUS ZÉ RODRIX!
Em 2003, se não estou enganado, entrei num debate acirrado com Zé Rodrix, na internet (em Essas Coisas, do bróder Carlos Aranha). Acirrado, mas, elegante e profundamente respeitoso. Zé era radicalmente contra os investimentos públicos em cultura. Meu pensamento era (é) diametralmente oposto. Ele, Massom. Eu, anarquista. Eu citava a impossibilidade de uma orquestra sinfônica ter sustentação. Ele dizia que na Europa as orquestras eram auto-sustentáveis. Eu falava do reisado, do cavalo marinho. Falava do Brasil. Ele defendia-se de forma inteligente, defendendo o mercado. Nesse tempo eu não imaginava que em 2007 e 2008 estaria dirigindo a Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE. Pois foi exatamente nessa condição que contratei o trio, Sá, Rodrix e Guarabira para uma apresentação em janeiro (quando eu não estava mais na Fundação). Assisti esse show numa chuva torrencial. E me divertindo com a contradição de Zé, participando de um evento promovido por uma fundação pública. Senti uma vontade imensa de ir ao camarim levar o meu abraço, pelo respeito mútuo diante da imensa divergência de idéias. E logicamente, dar uma sacaneadazinha dizendo que tinha ido lá pegar a parte dele no cachê, para devolver aos cofres públicos. Fiquei do lado de fora tomando cerveja, no entanto. Que seu espírito inquieto descanse em paz! Foi o artista, ficou a obra.

ADEUS GERALDO MACIEL (amigo Barreto)
Esta semana, também, um enfarto fulminante levou o amigo Geraldo Macial, escritor paraibano, professor da UFPB e editor. Dono do selo Manufatura que de tantos e tantos amigos, publicou os livros. Geraldo era membro do Clube do Conto da Paraíba. Gente boa. Gente muito boa. Escrevia de forma delicada. Agora foi morar com as estrelas. O post de hoje está um pouco triste...

UM POUCO DE NUNO JÚDICE
“Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amorque se despeja no copo da vida, até meio, como seo pudéssemos beber de um trago. No fundo,como o vinho turvo, deixa um gosto amargo naboca. Pergunto onde está a transparência dovidro, a pureza do líquido inicial, a energiade quem procura esvaziar a garrafa; e a respostasão estes cacos que nos cortam as mãos, a mesada alma suja de restos, palavras espalhadasnum cansaço de sentidos. Volto, então, à primeirahipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,esperando que o tempo encha o copo até cima,para que o possa erguer à luz do teu corpoe veja, através dele, o teu rosto inteiro.”
(A FONTE DESSE TEXTO, FOI UMA AMIGA DEUSA GREGA, MORADORA DE LISBOA. GRACIAS, ANTZELLA!)
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UM LIVRO PARA DEZ MIL
Caso exista interesse, o visitande de número 10 mil, pode me solicitar um exemplar do livro Texto Sentido, pelo e-mail: lausiqueira@gmail.com . Envio pelos correios, caso não resida na capital da Paraíba.

Comentários

Sara L.Miranda disse…
Gostei imenso desta mensagem e o seu blogue.
Parabéns e beijinho
Samelly Xavier disse…
eu já tive uma tatuagem...

nunca mais visitasse meu cantinho, lauzito...

beijo recitado
Nani disse…
Eita, pai, se eu for a visitante numero 10 mil, hein? hauhauhua falta pouquinho! adorei a ideia. :) Agora vai ser estranho o clube do conto sem Barreto... só saudade. Beijos, pai!
Adriana disse…
Lau,
Fazia tempinho que não visitava esse blog, sempre com muita sensibilidade, poesia boa e informações...volto sempre!
: A Letreira disse…
ei Lau, quero ser a 10 mil!!!
bye, Sônia, a Letreira.
Pri Nunes disse…
Parabéns pelo Belo Poema!!Adorei o título....
tavares disse…
adorei...
às vezes faz tão bem puxar o poema, mesmo pelas ancas, que ele se desata, anda, engrena um tesão animal, um gosto de criar.
bom conhecer esse poeta!
Gauche disse…
Ai, Lau, eu fiquei profundamente sentida pela morte. No domingo anterior, eu havia assistido ao show que o trio fez na Virada Cultural aqui de São José do Rio Preto - o último dele, aliás. E foi um show tão lindo. Eu fiquei emocionada de uma forma tão especial, tão diferente. Se eu não fosse cética demais, diria que os arrepios e as lágrimas foram um presságio. Foi, sem dúvida, o melhor show dos últimos tempos.

Um abraço saudoso, poeta.
Batom e poesias disse…
Sou a 10220... o que é uma pena, mas me fará voltar para ler-te a conta-gotas, o que é muito bom também. Passeio pelo 'Pele sem pele'. Quantos "pês"!
Palavras...

Gosto muito, mas muito mesmo do que escreve, quando "se reduz" no poema e quando se esparrama na prosa.
Abç

Rossana
Mirse disse…
Lau, que poema!

"a alma na rede a pele da sede"

Interessante é o que não está intrinsico.

Parabéns, Lau!

P.S. Minha falta de saúde me afastou, mas voltarei para reler o que perdi.

Forte abraço

Mirse
hahaha Só vc mesmo, viu Lau?! ;)

Vc sabe melhor que eu, que eu não tenho, nem poderia ter, nenhuma pretensão em meus escritos! Apenas brinco de escrever... hehehehe

Já você...como sempre, poemas maravilhosos! Falando nisso...quando for fazer seu próximo livro, não esqueça que sou designer editorial também, viu? ;P hihihi

Beijão!
"desejos de uma solidão que ama"


nenhum desejo poderia ser tão intenso...lembro da "Girl" de Lucien Freud
BAR DO BARDO disse…
bons textos

boas ideias

boas opiniões

na boa!
Luiza Baptista disse…
Ahhh...cheguei tardíssimo!!!!rsss Mas saiba que visito sempre seu blog e fico ligada nas suas palavras. Grande sucesso pra você! Lu

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