sábado, 9 de maio de 2009

poema dos rios desimportantes



banho de rio
acalma as tristezas

no acúmulo das águas
que secam os afluentes
das iras contidas

quando imundo de silêncios
e destinos transbordados

angustio
a sede dos peixes


como espírito que em nada
conspira aos próprios tormentos

no invento de palavras
transpostas na fluidez do
inverso profundo

onde as corredeiras são frias
e barrentas

onde permanecem afogados
os olhos invisíveis do ocaso

) argúcia dos moluscos
na umidade ácida dos juncos


(poema vermelho – lau Siqueira)

POEMAS MUTANTES
Acredito no que revela o conceito de obra aberta em Umberto Eco. Também no que meu bróder querido, o poeta Moacy Cirne, diz ao definir o Poema/Processo. Todo poema é uma obra aberta. Todo poema é um processo. O poema é um ser mutante (ou inexistente). Um ser de palavras, imagens, objetos, sons, cheiros e um infinito de coisas invisíveis que, na verdade, nos fazem pensar que não podem jamais, num ato de impermanência, negar a mobilidade das linguagens que o compõem. O poema acima já foi modificado umas 8 vezes para permanecer poema. Enfim...

THE DAY AFTER
Foi bem interessante a noite de autógrafos ontem, no CINEPORT. Vendi alguns livros em circunstâncias bastante divertidas. Como para Bruna (e sua amiga) que, quando viu meu livro exclamou: Lau Siqueira! Com alegria estampada no rosto. Eu estava ao lado. Ela conhecia apenas meu corpo de palavras. Antônio Barros e Cecéu estiveram por lá, também, sempre tão imensos. Ele, o “homem com h” que passou a noite “procurando tu”. Cecéu com sua simplicidade bandeiriana. Mayra Barros e sua ousadia de preservar num mesmo corpo estético, raiz e ousadia. Tradição e modernidade fotografadas pelo olho nu do universo. Estavam também Clotilde Tavares, Ricardo Anísio, Eleonora Falcone, Bona Akotirene, Sitônio Pinto, Milton Dornellas e outros artistas. Foi bom! Gracias Maísa, Emanuel, gracias SEBRAE-PB. Agora escrevo para o blog, ouvindo Alice in Chains e Aerosmith. O Rappa... Esse rock dá samba!

AMBIENTES E CIRCUNSTÂNCIAS
Surpreendentemente minha filha chega em casa com um livro do poeta mineiro, de Cataguases, Ronaldo Werneck. E autografado pra mim! Um presente vindo do nosso desencontro no CINEPORT. Preciso encontrá-lo ainda hoje, no final dia final do Festival. Vou lá curtir o show do mano Chico Cesar. Chico, nesta segunda-feira, assume o cargo de diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE. Onde estive, em missão guerrilheira, do início de 2007 até dezembro de 2008. Hoje é dia de ver Chico, Ronaldo e outros artistas. Coisas que somente acontecem nos festivais de arte. Ambientes que adoro freqüentar. Aliás, ando com uma puta duma saudade da Feira Livro de Porto Alegre, Minha poesia tem migrado nos últimos tempos, na direção dos pampas. Quem sabe na Feira deste ano eu possa dar um pulo por lá. Com alguma grana pra comprar alguns livros e com muita disposição de circular melhor na minha terra, de onde guardo saudades profundamente sentidas. Na verdade, muita poesia.

UM POEMA DE RONALDO WERNECK

vento nos ingazeiros tardo tempo
cai de encontro à pedreira esse céu plúmbeo
tristes tardes-cartazes cataguases

(“Um dia: aquele”, poema de Ronaldo Werneck, do livro Minerar o Branco. Uma bela edição da Artepaubrasil, SP)

2 comentários:

Lis Cristina disse...

Já lhes disse que me surpreendi quando pela primeira vez,,eu li este blog,,minha audácia então fez,,eu revirar este blog,,desvirar,,o que comecei a ver,,a ler a reler,,tocava na alma,,eu que achava que tinha tamanho talento me senti aprendiz de um grande poeta,,minha audácia de querer ter um dos livros teus,,se realizou,,por um lado não sei se esta minha audácia é boa,,ou ruim,,quando finalmente peguei o livro nas mãos e ao começar a ler,,me surpreendi,,pensei porque me ,,surpreendera este livro,pelo blog,,não deveria eu ficar surpresa?!!Sim!!!
O aque anseio ler é o Guardião de Sorrisos,,,
gostei quando escreveu:
O poema é um ser mutante (ou inexistente). Um ser de palavras, imagens, objetos, sons, cheiros e um infinito de coisas invisíveis que, na verdade, nos fazem pensar que não podem jamais, num ato de impermanência, negar a mobilidade das linguagens que o compõem.
Sou prova viva que o banho do rio acalma as tristezas,,,
Na escuridão te encontrei,,,trilhando um caminho inerente......

BAR DO BARDO disse...

digo sim. bom saber das novi e velhidades.

um abraço.