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quarta-feira, 13 de maio de 2009

úbere transposta


coisa nenhuma - eu diria

quando as palavras chegam assim
tão minúsculas tão
envoltas em coisa nenhuma

artefatos apenas

onde galileu e suas teses iniciais
sobre os caminhos que se bifurcam
persiste na busca do que há
na zona de sombra do universo e
revela em imagem e som o ruído
das palavras

palavras minúsculas
envoltas em coisa nenhuma

(poema transposto – lau Siqueira)

A UTILIDADE DA ESCOLHA
Lembro que na época que estava selecionando poemas para o livro Texto Sentido deletei muitos poemas. Muito mais de uma centena. No entanto, sobraram alguns poucos daquela safra. Pouquíssimos! São os sobreviventes. Do poema acima arranquei apenas o título: úbere mínima que passou a ser título de outro poema que, até aquele momento, não estava nos planos. Enfim, recoloco o poema na roda, agora, operando uma irônica mudança no título. Este outro, a seguir, tem a mesma história de sobrevivência


outros pássaros

quando nas manhãs de sol
os bem-te-vis revelam seus
cantos como os olhos
de um segredo

e em suas asas habitam os
duendes que não suprem
suas sedes com as sobras
do jardim

um violino distante
invade a noite fria

e a solidão mostra seus dentes
amarelo-manga como um
filme que não tem fim

(outro poema que sobrou na curva do Texto Sentido – lau siqueira)

PRÊMIO TOP BLOG
Recebi por e-mail a indicação do prêmio Top Blog. Não sei bem o que é, mas segundo as informações do site, o “Top Blog Prêmio é um sistema interativo de incentivo cultural destinado a reconhecer e premiar, mediante a votação popular e acadêmica (Júri acadêmico) os Blogs Brasileiros mais populares, que possuam a maior parte de seu conteúdo focado para o público brasileiro, com melhor apresentação técnica específica a cada grupo (Pessoal, Profissional e Corporativo) e categorias.” E agora?

VISITAÇÕES
De qualquer forma, o que mais me surpreendeu não é a indicação que nem sei de onde veio. O que me surpreendeu foi o úmero de visitantes do blog. Coloquei um contador no dia 1º de fevereiro e já estou chegando nas 9 mil, visitas. Muito além do que eu poderia pensar. O outro blog, Pele Sem Pele, recebe bem menos visitantes. Começou a contagem em 1º de abril e está chegando nas 700 visitas. Esta era a média que eu esperava para o Poesia Sim. Surpreendente! Como votar em mim? Não sei. Mas pela primeira vez na vida concorro a algo.

VERSOS DE DYLAN THOMAS

Vinte e quatro anos recordam as lágrimas de meus olhos.
(Enterra os mortos para que não se arrastem até o túmulo.)
Sob o septo do vão da abóbada natural agachei-me como um alfaiate
Que costurasse o sudário para uma jornada
À luz do sol que engolia carne.
Vestido para morrer, dei início ao pavoneio sensual,
Com as rubras veias abarrotadas de dinheiro,
Avanço em direção final à cidade elementar
Enquanto perdurar o que existe para sempre.

(Vinte e quatro anos, poema de Dylan Thomas, traduzido por Ivan Junqueira. Do livro Poemas Reunidos – 1934/1953. José Olympio Editora, segunda edição revista)

6 comentários:

Nana disse...

Pai, bota também um contador de feeds!

BAR DO BARDO disse...

Boa sorte.

Digo sim à poesia!

Valeska Asfora disse...

Passarei agora mesmo a investigar como é que eu faço para votar neste Blog!rsrs

Adriana disse...

Lau,
Poesia da mais alta qualidade...mesmo em minúsculo.

Mirse disse...

Muito bom, Lau.

Quero o que você arrancou do Sexto Sentido! Quem sabe não estaria ali nas páginas e palavras censuradas, outro belo livro?

Muito bom o Dylan Thomas!

Parabéns, amigo!

Abraços

Mirse

lau siqueira disse...

Mirse... meus poemas sobrantes foram censurados pela falta de grana pra um livro mais grosso... rsrsrs... mas, nenhum que fosse tão significativo que merecesse realemnte ser salvo.
Eu sou um poema minúsculo, Adriana. Nana, bota meus feeds pra fora... hehe Nem sei o que é isso.
valeska, como se diz por aqui: e eu seio?
hehe
bjs