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sexta-feira, 1 de maio de 2009

veloz
a vida pássaro
por nós


(poema dum dia desses – lausiqueira)

PONTO
Os budistas dizem: "você é o Senhor da sua mente". Portanto, perder os sentimentos, os instintos, a compreensão ética do mundo e a capacidade de comprovar a própria existência como um ato de ternura não seria, também, perder a razão? O limite do pragmatismo é o oportunismo.

CAMBIANDO EL TEMA
O poeta vive a experimentação do ilimite. O poeta vive, na mesma proporção, os mergulhos na condição humana e nas diversidades da linguagem. Sua fragilidade é diretamente proporcional a sua capacidade de produzir tempestades. Logicamente que não há, nesse aspecto, nenhuma vantagem ou desvantagem.

NO MESMO TEMA
Os poetas são os “cavalos” do desconhecido. Amarrar o poema em conceitos significa conter as suas possibilidades. É esse o equívoco dos que tentam reduzir a poesia à condição de rato de laboratório. O poema, até pode. A poesia, não. A poesia não depende das palavras.

E O QUE É VANGUARDA?

I N U T R O Q U E C E S A R
N I N U T R O Q U E C E S A
U N I N U T R O Q U E C E S
T U N I N U T R O Q U E C E
R T U N I N U T R O Q U E C
O R T U N I N U T R O Q U E
Q O R T U N I N U T R O Q U
U Q O R T U N I N U T R O Q
E U Q O R T U N I N U T R O
C E U Q O R T U N I N U T R
E C E U Q O R T U N I N U T
S E C E U Q O R T U N I N U
A S E C E E U Q O T U N I N
R A S E C E U Q O R T U N I


O poema acima foi escrito por um brasileiro chamado Anastácio Ayres de Penhafiel. Poeta que fez parte da Academia Brasílica dos Esquecidos fundada na Bahia em 1724, pelo vice-rei Vasco Fernandes César de Meneses. Teve a duração de apenas um ano. Anastácio utilizou neste poema uma frase em latim, "In utroque César" que quer dizer “em um e outro César”. Ele queria apenas que a letra I andasse em sentido diagonal. Séculos depois, tentando produzir o mesmo efeito em Word, não consegui. Mas, continuemos:

V V V V V V V V V V
V V V V V V V V V E
V V V V V V V V E L
V V V V V V V E L O
V V V V V V E L O C
V V V V V E L O C I
V V V V E L O C I D
V V V E L O C I D A
V V E L O C I D A D
V E L O C I D A D E

Este poema aqui foi fruto da imaginação concretista de Ronaldo Azeredo, escrito em meados do Século XX. Há uma inegável identidade experimental, entre um e outro, atravessando os séculos. E isso já vale o ingresso. Como dizia o velho Maiacóvski, "sem forma revolucionária não há arte revolucionária".

MAS, O QUE É MESMO VANGUARDA?
Prefiro falar de transgressão, pois não tem lugar nos calendários. O que conhecemos hoje como Poesia Visual, por exemplo - e tratamos como vanguarda - é muito semelhante ao que Simmias fazia na Grécia há mais de dois mil anos. E aí?

7 comentários:

marcos disse...

Olá Lau, envie-lhe um E-mail no Gmail. Veja lá!
Ou me confirme o seu e-mail por favor.

[]'s

Márcia disse...

Tem um artigo massa de Antônio Cícero sobre o 'problema' das Vanguardas. Toca nesse exato ponto aí.

Saudade de tu, viu?

Beijo.

OleSchmitt disse...

Talvez a questão esteja em "ser vanguarda" e "ter sido vanguarda".

Porém fica difícil qualquer vanguarda num mundo onde tudo pode: a repressão faz um bem danado às artes.

Moacy Cirne disse...

E tem um poema seu no Balaio, meu caro.
Abraços.

Batom e poesias disse...

Instigou-me seu comentário em minha casa e vim conhecer o autor.

Maravilha! Sim... Poesia sim!

Concordo com o comentário acima. Na época da repressão foi quanto dispusemos da fase de maior criatividade em todas as artes.

O mêdo inspira?

Bj
Rossana

Marli Reis disse...

Sucinto, abrangente!...

BAR DO BARDO disse...

vanguarda é, esteticamente, um espaço e um tempo do espírito (imortal)...