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Mostrando postagens de Junho, 2009
Fotografobia

Guardo as imagens que recolho na memória.
Ou mesmo na falta dela. Sou um pensador de memórias não vividas
para uma vida de tecer memórias antigas...

(do meu próximo livro, Poesia Sem Pele)

DE LÍRIOS
Escrevo de dentro de uma caixa de ossos. Dos alambrados da pele. Com olhares que estimulam o que sereia palavras. Não escrevo o que não me retalha ou me dilui nas coisas. Palavras são lâminas. Agudez que percorre os múltiplos rios das correntes sanguíneas. (Rios que solapam a alma.) Por isso não retiro nunca o que digo. Mas, volto atrás se o engano se confunde com o medo do abismo. Escrever poemas é não temer os abismos!

LIVRO DE POEMAS
Quando empresto um livro de poemas que gosto é como se entregasse à pessoa um pedaço de mim. Quando dou um desses livros, um pouco da minha existência vai junto. Às vezes as pessoas nem percebem. Então empresto e o livro nunca mais volta. Talvez seja esta a mais delicada forma de presentear. Um livro que já tenha contaminando nossas células com o in…
berimbau de luaantes que tudo
fuja aos meus pés
vou caminhando

isento das alegrias
fúteis e das tristezas
dispensáveisvou como um bárbaro
mirando a luaviajante do tempo
na beira de um açude
de coisas ocultas

caminho como quem
sabe das bifurcações
e dos disfarcescom medo do que
não amedronta
mais

(poema do meu próximo livro, cujo título a princípio será Poesia Sem Pele)

POESIA BRASILEIRA NA ARGENTINA
Recebi indicação do poeta brasiliense Ronaldo Cagiano para um programa da Radio Nacional de Catamarca, na Argentina. O programa é ouvido em todo território nacional argentino e tem por objetivo divulgar a poesia brasileira contemporânea naquele país. Os escritores que passam por aqui, caso desejem enviar seus livros, dirijam correspondência ao poeta Claudio Sesín – B 48 Vivendas Sur – Casa 49 (Anexo I) – 4700 – Catamarca – Argentina.

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Confirmado! Viajo dia 11 de novembro para Porto Alegre, a convite da Câmara Riograndense do Livro. No dia 12, juntamente com poetas como, Laís Ch…
mobília.na madrugada insone
os objetos afirmam suas linguagens
de silêncio

desenvolvem suas prosas mudas
sob a nudez do telhado

imobilizados
movimentam a rodilha do tempo

dilaceram os vultos

espectros antigos
que entre eles se escondem(poema do meu primeiro livro, O comício das veias. Ed. Idéia, 1993)

JOANA BELARMINO I
Barrados no Braille é o nome insinuante do blog desta professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, doutora em semiótica pela PUC/SP. Joana canta divinamente. Já gravou algumas parcerias minhas com Erivan Araújo (ex-Tocaia). Mas, também escreve. E como escreve. Texto fluente, cheio de lirismo. Arrisca-se sempre na busca do sublime. Foi parceira no meu primeiro livro, O Comício das Veias (1993) escrevendo contos. Autora de “Dartanhan, um gato com gosto de pinto” (literatura infantil), publicado pela Editora Moderna - SP (1983). Enfim, uma intelectual, uma profissional, uma pessoa brilhante em todos os sentidos. O blog de Joana está linkado ao meu. Of…
(MEU POEMA CATALÃO) aos predadores
da utopia



dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres

[En na virada do século, Landy, São Paulo, 2002 e O Guardador de Sorrisos, 1998, Trema, PB]

als predadors
de la utopia



dins meu
van morir molts tigres

els que van restar
mentrestant
són lliures

[Traducció de Joan Navarro]

“Aos predadores da utopia” é, provavelmente, o meu poema mais publicado. É usado até mesmo em ‘profile’ de pessoas no Orkut. Já andou até por coluna social. Na agenda do PSTU, também. No Livro da Tribo, antologias, blogs, sites, zines, revistas, suplementos, foi musicado por Zé Guilherme... Agora descobri no site sèrieAlfa.art i literatura do poeta catalão Joan Navarro, este poema traduzido para o idioma oficial da Cataluña, um País que mora na Espanha. Originalmente, o poema faz parte do meu segundo livro, “O guardador de sorrisos”, publicado em 1998, pela Trema Edições. Um selo experimental organizado pelos poetas Antônio Mariano, André Ricardo Aguiar e José Caet…
cobaia



não existem feridas
que não cicatrizem

mas a marca funda
de um olhar amargo

dói como a dor de
um bicho esmagado

(poema do meu primeiro livro, O Comício das Veias – Ed. Idéia-PB, 1993 – que será republicado do Livro da Tribo 2010)

OFICINA DE CRIAÇÃO POETICA
Certamente o poeta gaúcho Ronald Augusto é dos mais contundentes da cena contemporânea brasileira. Se você mora em Porto Alegre (ou arredores) não pode perder de vista a oficina que será ministrada pelo Ronald. Na verdade é um verdadeiro curso de criação poética. Vai de 2 de julho até 3 de setembro. Maiores informações, aqui.

LIVRO DA TRIBO
Assinei hoje a autorização para que oito poemas e quatro textos de rodapé sejam incluídos no Livro da Tribo 2010. Há mais de dez anos publico poemas neste veículo e tenho colhido vários bons frutos. Por exemplo, meu terceiro livro, Sem meias palavras, foi publicado com recursos provenientes do direito autoral que recebi da Editora Tribo. Eles pagam esses direitos em exemplares que, pelos cuidados g…
RAZÃO NENHUMA
o que escrevo
é apenas parte
do que sinto a outra parte
finjo que minto
e acredito(poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras, Ed. Idéia-PB, 2002)

MÁRCIA TIBURI
Logicamente que vou pinçar aqui um fato isolado num artigo da professora Márcia Tiburi (Cult 133), onde ela aborda o conceito de instalação e outros babados da arte. Portanto, sem precipitações além das minhas próprias, ok? Márcia sentiu necessidade de escrever o artigo após ser inquirida por uma jovem aluna universitária de Santa Catarina, durante uma palestra. A menina queria saber que danado era a tal da instalação. Márcia percebeu, então, o quanto ainda é preciso começar do zero. O que me deixa perplexo, entretanto, não é a pergunta da aluna. Mesmo que seja considerada ingênua ou desinformada. O que me deixa perplexo é o silêncio dos demais. Principalmente dos que tinham certeza que sabiam o que era uma instalação.

EDUCAÇÃO E REFORMAS
Ainda hoje há uma predominância professoral, corporativista e conservadora sob…
blindagemvivo neste redemoinho
como um cogumelo de ondas
invisíveis sobre a areia

um nada que se avoluma cada
vez que domino a palavra
como amante que permanece
esguio diante do amorcomeço a tecer meus rios
paralelos como os rios que em
mim permanecemcálidos e recorrentes... uma vez vencido sou outro(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

AH, TÁ!
Encontrei uma entrevista minha no site Overmundo. Uma entrevista concedida à Elisa Carvalho, de Barra Mansa-RJ. Pra quem quiser conferir um monte de besteira dita e alguma coisa razoável, eis o link http://www.overmundo.com.br/overblog/perguntei-pro-poeta-lau-siqueira

FLÁVIA MUNIZ
Os múltiplos e contínuos movimentos da Música Brasileira Contemporânea nos levam periodicamente a descobertas de artistas diferenciados que nos fazem acreditar que está sendo gestado um novo momento. Num revigoramento estético permanente. Muito por acaso descobri o trabalho da carioca Flávia Muniz. Uma artista que ilumina sua carreira com letras e músicas que nos fazem pensa…
hálito seqüencial

(

caminho pelo delicado silêncio
onde passas com pés de ungüento

e adormeces ao tempo que excitas
a pele das pétalas

volúpia dum olhar sumidouro

como se fôssemos o vento

)

(poema vermelho – lau siqueira)

DESENREDOS

Mais uma revista de cultura e literatura está nos ares da web. É a revista Desenredos, editada por Wanderson Lima e Adriano Lobão Aragão. Um veículo que vem com a responsabilidade de substituir a revista impressa Amálgama, da Editora Amálgama, de Teresina-PI. Confira! http://www.desenredos.com.br/

O RISCO É NÃO CORRER RISCOS
Escrevo muito próximo do erro, confesso. É como se estivesse extraindo pedras do fígado de uma montanha. E mais: com um certo estilete de cores que cortam a palidez das coisas. Escrevo para desaprovar na escola dos conhecidos e dos menos, mas envaidecidos. Escrevo como se houvessem bolhas sobre a semente que germina. Escrevo como quem dribla a morte. Como quem erra com sorte...

CRIANÇAS DE LUA

Criança não é de rua. Criança é de Lua. Espelho da miséri…
olho de saber



às vezes
sinto uma alegria cinzenta

num vôo
semente de luas

(lau siqueira – poema vermelho)

ARTIMANHAS POÉTICAS 2009
Recebi e-mail do amigo poeta Cláudio Daniel, informando que nos dias 12 e 13 de junho, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, será realizado o Festival Artimanhas Poéticas 2009, com a participação de nomes como Luiz Costa Lima, Paulo Henriques Brito, o meu bróder português, Luiz Serguilha, entre outros poetas, críticos e editores de revistas. Uma dica interessante para quem mora ou estará pelo Rio de Janeiro nesses dias.
A curadoria é do Cláudio. Só uma palhinha da programação: “Palestra: A crítica literária reflete a criação poética contemporânea? Com Luiz Costa Lima.”

ALGAZARRA
A palavra quando perde os sentidos, vira poema. Arte de navegar sem rios. Quando as emoções transbordam, somos nossas próprias águas. A umidade do invento num desfiladeiro de reses secas. Assim matamos nossa própria sede.

SILÊNCIO
Às vezes, transgrido o silêncio com esse o…
a natureza do espetáculo)
amarelas
eram as flores do ipê

esparramadas nos galhos
e no palmo de asfalto
antes do chão pétalas e mais pétalas
falando ao meu silêncio
a p r e s s a d o
exalando o indomável
escândalo da beleza

(lau siqueira – poema vermelho pintado de verde)

MONTEIRO LOBATO
Considerado reacionário por alguns, Monteiro Lobato sempre teve a minha admiração. Muito pela sua literatura, mas, também pela ousadia de intervir na cadeia produtiva do livro. Na sua literatura, destaco um livro pouco conhecido: “O Presidente Negro”. Neste livro Lobato já previa (em 1937, se não estou enganado) a eleição de um presidente negro nos Estados Unidos. O protagonista venceria uma disputa onde os favoritos eram um homem e uma mulher. Tal e qual se deu na última disputa pela chave da Casa Branca. Obama venceu uma mulher branca e depois um homem branco. No mesmo livro, o pai do Jeca Tatu anunciava a comunicação por transmissão de dados, algo muito semelhante ao que hoje é a internet.
AINDA MONTEIRO LOBAT…