sábado, 27 de junho de 2009

berimbau de lua

antes que tudo
fuja aos meus pés
vou caminhando

isento das alegrias
fúteis e das tristezas
dispensáveis

vou como um bárbaro
mirando a lua

viajante do tempo
na beira de um açude
de coisas ocultas

caminho como quem
sabe das bifurcações
e dos disfarces

com medo do que
não amedronta
mais


(poema do meu próximo livro, cujo título a princípio será Poesia Sem Pele)

POESIA BRASILEIRA NA ARGENTINA
Recebi indicação do poeta brasiliense Ronaldo Cagiano para um programa da Radio Nacional de Catamarca, na Argentina. O programa é ouvido em todo território nacional argentino e tem por objetivo divulgar a poesia brasileira contemporânea naquele país. Os escritores que passam por aqui, caso desejem enviar seus livros, dirijam correspondência ao poeta Claudio Sesín – B 48 Vivendas Sur – Casa 49 (Anexo I) – 4700 – Catamarca – Argentina.

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Confirmado! Viajo dia 11 de novembro para Porto Alegre, a convite da Câmara Riograndense do Livro. No dia 12, juntamente com poetas como, Laís Chaffe, Edson Cruz e Estrela Ruiz Leminski estarei participando do sarau Cidade Poema. O sarau foi idealizado por Laís Chaffer em tributo a Paulo Leminski e Alice Ruiz. A Feira do Livro de Porto Alegre é considerada o maior evento literário ao ar livre da América Latina.

BAUDELAIRE
Há mais de 25 anos guardo exemplares adquiridos nas “promoções” da Feira do Livro de Porto Alegre. Proust, Balzac e Baudelaire por exemplo. Ontem relendo um Baudelaire comprado na Feira, colhi esta pérola: “O vinho é como o homem: não se saberá nunca até que ponto podemos estimá-lo ou desprezá-lo, amá-lo ou odiá-lo, nem de quantos atos sublimes ou perversidades monstruosas ele é capaz. Portanto, não sejamos mais cruéis com ele do que com nós mesmos e tratemo-lo como um igual.” Fragmento do livro Paraísos Artificiais, de Charles Baudelaire.

SOBRE O VINHO
Sempre fui um apreciador de bons vinhos. Não dos vinhos caros, mas dos bons vinhos chilenos e gaúchos. Sobretudo os acessíveis ao meu salário. Como trabalhador brasileiro sempre vivi na mais soberba dureza. No entanto nunca deixei de comprar vinhos e livros. Conservo com o vinho uma relação muito próxima da relação que tenho com a literatura e, muito especialmente, com a poesia. Não raras vezes foi o vinho que congregou pensamentos e sentimentos numa profusão de linguagens que, num processo de acareação de responsabilidades, acabou resultando num ou noutro poema. Tipo assim: no vinho a embriaguês é inspirada.

POEMA DE JORGE PIEIRO
Enquanto espera vida passar, vai morrendo. Hoje só tem apelo. Tarde. Mas, quem sabe?, deixa de escutar bentivis, se transforma em lodo. Lodo é verde...
(Brincar de Estátua, poema de Jorge Pieiro, poeta cearense, no livro Bolha de Osso)

2 comentários:

Simone Gois :) CotidiAmo disse...

Lindo demais este poema Lau.
um abraço.

Batom e poesias disse...

"isento das alegrias
fúteis e das tristezas
dispensáveis"

Existirão outras alegrias e outras tristezas?
Não importa se não amedronta mmais...

Muito bonito.
bjs
Rossana