blindagem

vivo neste redemoinho
como um cogumelo de ondas
invisíveis sobre a areia

um nada que se avoluma cada
vez que domino a palavra
como amante que permanece
esguio diante do amor

começo a tecer meus rios
paralelos como os rios que em
mim permanecem

cálidos e recorrentes...

uma vez vencido sou outro

(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

AH, TÁ!
Encontrei uma entrevista minha no site Overmundo. Uma entrevista concedida à Elisa Carvalho, de Barra Mansa-RJ. Pra quem quiser conferir um monte de besteira dita e alguma coisa razoável, eis o link http://www.overmundo.com.br/overblog/perguntei-pro-poeta-lau-siqueira

FLÁVIA MUNIZ
Os múltiplos e contínuos movimentos da Música Brasileira Contemporânea nos levam periodicamente a descobertas de artistas diferenciados que nos fazem acreditar que está sendo gestado um novo momento. Num revigoramento estético permanente. Muito por acaso descobri o trabalho da carioca Flávia Muniz. Uma artista que ilumina sua carreira com letras e músicas que nos fazem pensar para muito além dos seus conteúdos. Em breve estarei publicando um texto de maior fôlego acerca da leitura que faço da presença de Flávia Muniz no cenário musical brasileiro. Inserida numa circunstância ao mesmo tempo antropofágica com um contraponto substancialmente literário. Confiram um pouco do trabalho desta compositora e cantora que vai conquistando seu espaço no cenário brasileiro.
Confiram! http://www.myspace.com/flaviamuniz

FARSAS OCULTAS
Quando o riso cede ao apelo volúvel. Quando o riso sede...

DO AMOR
Ao amor dedico meus ciclos e os dias famintos. (Bicho que mata a fome com a fartura do osso.) Ao amor dedico minhas serenatas diurnas. Pele roçando os apelos, os pelos... Ao amor, todos os meus ecos..Silêncios do meu mais profundo oco.

NEOBARROCO, CONCEITUADO POR SEVERO SARDUY
"Barroco em sua ação de pesar, em sua queda, em sua linguagem afetada, às vezes estridente, multicor e caótica, que metaforiza a impugnação da entidade logocêntrica que até então nos estruturava em sua distância e autoridade; barroco que recusa toda instauração, que metaforiza a ordem discutida, o deus julgado, a lei transgredida. Barroco da Revolução.(1) Esse barroco representa subversão, discordância em relação ao centro, ao Logus absoluto, à razão imposta pela Europa aos continentes periféricos, como a América Latina e a África. Por essa razão, "sempre esteve relacionado à literatura e à cultura dos países saídos do colonialismo".(2) Segundo Afonso Ávila(3), a dúvida existencial se expressa pela consciência da ludicidade, fundindo os contrários que labirinticamente se suplementam em espirais de gozo, libertando-se dos círculos redutores do racional. O jogo barroco se afirma como instrumento de rebeldia, onde a emoção predomina, rompendo com o equilíbrio clássico. O excesso e o exagero, a abundância e o desperdício caracterizam a linguagem barroca, cuja extroversão busca o sem limites, o prazer, o erotismo. Segundo Walter Benjamin, o barroco é a alegoria do desengano. É espelho deformado. Através do estilhaçamento semântico e fônico, faz o riso contracenar com a melancolia e com o vazio. É preciso ler o alegórico que se expressa pela ludicidade da linguagem."

Comentários

Batom e poesias disse…
Lindo poema.

Estou fazendo propaganda do teu livro... rss
Coloquei uma foto da capa na minha casinha para divulgar.

Abços
Rossana
Mirse disse…
Lindo poema, Lau!

É repetitivo e metafórico dizer isto, mas disse.

Só ressalvo que:"uma vez vencido sou outro" , melhor que aquele que dominou o anterior à palavra.

Magnífico!

Agora vou conferir o restante.

Beijos

Mirse
Mirse disse…
Lau, a Flávia é um espetáculo!

Gravei no Real o vídeo para ver a hora que quiser.

Pessoal que por acaso aqui comparecer, não deixem de ver, ouvir e prestar atenção ao vídeo-livro-música de Flávia que o Lau indicou.

Vale muito!

Obrigada, Lau!

Mirse

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