sábado, 20 de junho de 2009

(MEU POEMA CATALÃO)
aos predadores
da utopia



dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres


[En na virada do século, Landy, São Paulo, 2002 e O Guardador de Sorrisos, 1998, Trema, PB]

als predadors
de la utopia



dins meu
van morir molts tigres

els que van restar
mentrestant
són lliures

[Traducció de Joan Navarro]

“Aos predadores da utopia” é, provavelmente, o meu poema mais publicado. É usado até mesmo em ‘profile’ de pessoas no Orkut. Já andou até por coluna social. Na agenda do PSTU, também. No Livro da Tribo, antologias, blogs, sites, zines, revistas, suplementos, foi musicado por Zé Guilherme... Agora descobri no site sèrieAlfa.art i literatura do poeta catalão Joan Navarro, este poema traduzido para o idioma oficial da Cataluña, um País que mora na Espanha. Originalmente, o poema faz parte do meu segundo livro, “O guardador de sorrisos”, publicado em 1998, pela Trema Edições. Um selo experimental organizado pelos poetas Antônio Mariano, André Ricardo Aguiar e José Caetano.

MAIS UM TEXTO CATALÃO

Emboscada.
Não de trata de condenar a solidão por sua transmutação silenciosa. Vamos pelo que revelam os nossos minúsculos passos: a imensidão no milésimo de segundos que gastamos movimentando os artelhos para descrever os bosques onde soltamos nossos tigres e nossas araras imediatas...
Lá, onde as palavras são lapidadas como a natureza lapida um raio.

[Texto sentido, Recife, 2007]

[Emboscada]
No es tracta de condemnar la solidesa per la seua transmutació silenciosa. Ens movem pel que revelen les nostres minúscules passes: la immensitat en la mil·lèsima de segons que gastem movent turmells per a descriure els boscos on amollem els nostres tigres i les nostres mentides immediates...
Allí, on les paraules son lapidades com la natura lapida un llamp

[Traducció de Joan Navarro]

ÓDIOS INCONCLUSOS
Tenho amigos que sentem verdadeira repulsa por Ferreira Gullar. (Amigos que muito estimo.) Repulsa construída pela ruptura com o concretismo. Remonta, portando de um tempo de grandes poetas e imensos bicudos. Ironicamente, um movimento que foi uma ruptura gerou alguns dos seus seguidores avessos às rupturas.
Vejo tudo com meus olhos de longe. Não consigo deixar de dizer que li quase tudo de Ferreira Gullar Gullar. Assim como li Thiago de Melo e Neruda.
Achei engraçado quando falei em Quintana para um amigo, poeta gaúcho, e ele torceu o nariz. Pois bem: eu sou avesso a essas imposturas professorais travestidas de modernas. Aqui in PB tem professor de cursinho chamando Clarisse Lispector de “Chatice” Lispector para seus alunos. Barbaridade, meu bichinho! (Do aprendizado poético só desejo uma coisa: o aprendizado com o futuro.)

POESIA INDO E VINDO
Linguaraz é o título do novo livro do poeta pernambucano Pedro Américo de Farias. Um livro que é um disco, pois é bom de ler com os ouvidos e ouvir com os olhos. Na verdade, uma bela edição composta de poemas em todos os sentidos. Contém ainda um CD com a exuberância musical impregnada na poética de Pedro Américo. Vale à pena ouvir. Vale à pena ler. Vale a pena viver uma poesia que subverte a incoerência de ser poeta num mundo de mares revoltos e barcos sumidos. O livro de Pedro se destaca também pela arte de Victor Zalma percorrendo as páginas. Pedro, poeta e pessoa maior. Linguaraz é poesia indo e vindo. E tenho dito!

INDIQUANDO
http://www.letras.ufmg.br/atelaeotexto/
Uma revista interessante.

CONSTRANGIMENTO
Na verdade, o que constrange mesmo é a pequenez das pessoas que sentem com o intestino. Não que seja indigno sentir com o intestino. Mas, é impossível não perceber que quando abordadas por sentimentos intestinos, algumas pessoas viram um bolo de insolências. Outras usam o papel higiênico, dão descarga nos distúrbios e vão embora... (Quem sabe, colher amoras.)

POEMA COMENTADO
eu não sei medir
o tempo

meu pai me deu esse olho de pássaro

pra mim
o tempo
voa
"Olho de Pássaro", poema de Mariana Botelho! Um poema que carrega a imensidão da qual a poesia se nutre. Nos dois primeiros e mínimos versos, estende a compreensão do homem sobre o mundo a uma condição de desprezo pelo que é sólido e se desmancha no ar. No terceiro e mais longo verso aborda o resgate da raiz, na condução da vida em direção à linguagem e da linguagem em direção aos seus próprios recursos. No mini-terceto final, Mariana perpetua o insólito. É como se o poema cumprisse definitivamente a sina de explicar o inexplicável, de traçar no imaginário do leitor algum tipo de flutuação epidérmica. Coisa como o ar carregando um corpo através das forças inexplicáveis que regem, ao mesmo tempo, a natureza da linguagem e a natureza humana. Poema de profundo tear filosófico que precisa ser lido sim, duas , três, dez vezes... Sempre com muita atenção para sua beleza e delicadeza; densidade e leveza em profundo mergulho.

13 comentários:

Igor Monteiro. disse...

Uau! Fico muito feliz por você e gostei muito do poema, realmente ele meche com as pessoas e seus pensamentos, abraços. Volto logo.

Mirse disse...

Muito Bom!

Vou ver se em mim ficou algum tigre>

A Mariana Botelho, quando escvreve, arrepia.

Se não se tem atençaõ, como todos os poemas que leio dela são miúdos, mas de uma profundidade que só ela tem.
Foi muito boa a sua interpretação, aqui e no gato de não não sei quem.

Parabéns, Lau!

Nós agradecemos!

POESIA SIM!

Beijos

Mirse

Juliana Meira disse...

Lau,
parabéns por teu poema. muito bom! naturalidade que arrebata por dizer tanto em linguagem tão clara. (não sei se me expresso bem).
belo o poema da Mariana Botelho. legal, legal!
abraço grande

BAR DO BARDO disse...

quanto mais leitura, mais necessidade de leitura -

desaprendo a critica dos outros -

cada qual com a sua luz -

jugioli disse...

Lindo poema
Gostei de vir conhecer este belo espaço de poesia.
@dis-cursos

Batom e poesias disse...

Seguindo fielmente e explicávelmente sempre gostando e sempre voltando.

É tudo bom! A poesia e a prosa que compartilha.

bjs
Rossana

Adriana disse...

Lau,
Os tigres,os comentários, o poema comentado...tudo, tudo em teu blog vale a pena, tua alma...já sabes, te admiro!

Nani disse...

Painho é chique demais! foi lindo ler: son lliures! fiquei imaginando na língua galega tbm! parece um português engraçado! Um bjo, papi! amo-te um bocadão! :*

Michelle Crístal disse...

Que lindo...será que tenho algum tigre?!

Priscila Lopes disse...

Adoro este espaço teu, adoro. Visão expandida.

Michelle Crístal disse...

Olá, está cada vez mais criativo,estes teus poemas?Neles trasnbordo e me afloro.As utopias são lindas...

isabellanucci disse...

Ow! Que poesia hein! Parabéns!
Inspiração e criatividade é o que não falta no seu blog! A partir de agora, sou sua fã :D

☆Anjo☆ disse...

Oi Lau, passando pra prestigiar seus lindos poemas!
Com certeza em mim ainda existem muitos tigres presos...
Um ótimo final de semana pra ti! BJS