Translate

terça-feira, 23 de junho de 2009

mobília

.

na madrugada insone
os objetos afirmam suas linguagens
de silêncio

desenvolvem suas prosas mudas
sob a nudez do telhado

imobilizados
movimentam a rodilha do tempo

dilaceram os vultos

espectros antigos
que entre eles se escondem

(poema do meu primeiro livro, O comício das veias. Ed. Idéia, 1993)

JOANA BELARMINO I
Barrados no Braille é o nome insinuante do blog desta professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, doutora em semiótica pela PUC/SP. Joana canta divinamente. Já gravou algumas parcerias minhas com Erivan Araújo (ex-Tocaia). Mas, também escreve. E como escreve. Texto fluente, cheio de lirismo. Arrisca-se sempre na busca do sublime. Foi parceira no meu primeiro livro, O Comício das Veias (1993) escrevendo contos. Autora de “Dartanhan, um gato com gosto de pinto” (literatura infantil), publicado pela Editora Moderna - SP (1983). Enfim, uma intelectual, uma profissional, uma pessoa brilhante em todos os sentidos. O blog de Joana está linkado ao meu. Ofereço como sugestão aos leitores do Poesia Sim.

JOANA BELARMINO II
Acontece que Joana é jornalista de formação com mais de dez anos de batente. Entrou na UFPB, como professora de jornalismo, com uma média avassaladora: cinco notas 10 e uma nota 9. A maior média da história dos concursos desta universidade, segundo os jornais da época. No momento da desregulamentação da profissão de jornalista, apesar de indiferente ao fato e incrédulo quanto às conseqüências danosas apontadas pela pelegagem da FENAJ e dos sindicatos, presto homenagem aos jornalistas que honram a profissão. Com ou sem diploma. Joana é um exemplo de dignidade profissional. Ela é, também, mãe das minhas duas filhas, Mariana e Mayra. Fomos casados 13 anos e hoje somos cúmplices da mesma vida. Ah, quase esqueço. Joana é cega de nascença. É saudável, mas tem ouvido de tuberculoso. Neste dia 24, completa os mesmos meus 52 anos. Este post é a minha homenagem a esta grande mulher.

DETALHE
Enquanto escrevo este post, comovido, lamentando profundamente as minhas fraquezas por tinto seco, bebo solenemente o vinho que comprei de presente de aniversário para Joana Belarmino.

INDIQUANDO
Algumas revistas virtuais ganharam uma força incrível devido a qualidade visual e ao seu conteúdo. Por aqui, continuaremos a dar as nossas dicas sobre sites, revistas e blogs interessantes. Por enquanto, conheçam a revista Capitu: http://www.revistacapitu.com/

POEMA DE FLÁVIA MUNIZ

Permanece o mistério
daquilo que há de ser um segredo
nunca revelado.

Há uma rosa
onde o indizível habita:
semente da procura.

Há uma vila.
Carrega-me o sonho do homem.
Já não sei dos apontamentos do tempo.

Seria eu pigmento da escrita?

(A Rosa, poema ainda inédito da poeta, compositora e cantora carioca, Flávia Muniz.)

5 comentários:

Joana disse...

É quase como se houvesse recuperado a legitimidade do meu diploma. Melhor. É como se me fosse mostrado o certificado da nossa cumplicidade, do nosso carinho, do afeto tecido entre comícios de prosa e poesia, nas veias da vida. Obrigada, Lau, por nossas filhas e pela tua presença entre nós.

Joana disse...

É quase como se houvesse recuperado a legitimidade do meu diploma. Melhor. É como se me fosse mostrado o certificado da nossa cumplicidade, do nosso carinho, do afeto tecido entre comícios de prosa e poesia, nas veias da vida. Obrigada, Lau, por nossas filhas e pela tua presença entre nós.

Nani disse...

Ê, bons tempos de quando mamãe cantava umas músicas, treinando, lá em mangabeira, na nossa casa, com Erivan e cia. Orgulho transbordante de vocês dois! Nao sou completamente nada sem vocês!

Nani disse...

Pai, percebo que no meu google reader (onde vejo os teus posts) meio que demora a atualizar, porque no meu google reader, ainda nem apareceu esse teu post do dia 23! Nao sei se é só nesse computador.. :\

Mirse disse...

As madrugadas insones, são fontes pata todos os poetas.

Belo poema, Lau!

Abraços

Mirse