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quinta-feira, 23 de julho de 2009

púrpura resina



: paralisia

ímpetos
capitulados na teia
dos s e n t i d o s

tipo ira em ciclos

repassando o tambor do
murmúrio que v e d a
temporais

(profanação das chuvas

semente que brota o tempo
das coisas sumidas de tudo

impulsão de rija
e invisível resina sobre os olhos
do que não se vê


)


(poema sem pele – lau siqueira)

VERMELHO E SEM PELE
Tenho quase certeza que publiquei este poema muito recentemente aqui no blog. Mas, parece que antes de terminar de escrever esta edição, não vou mudar de idéia. Por isso, por enquanto é a ele que me refiro. Digo isso porque num post anterior publiquei um poema cujo melhor destino era a lixeira. E foi isso que fiz. Substituí pelo poema Signo, publicado no meu terceiro livro, Sem meias palavras, de 2002.

BANDEIRA NA CULT
A revista Cult número 137 está divulgando dois livros que revelam uma face pouco conhecida do poeta Manuel Bandeira, a do crítico. São dois títulos publicados pela Cosac Naif: Crônicas Inéditas 2, organizada pelo Julio Castañon Guimarães e Apresentação da poesia brasileira, organizada pelo Otto Maria Carpeaux. Cada um por R$ 69,00. Uma porrada! Quem tiver essa grana para qualquer um dos dois ou para os dois, certamente que vale a pena. Recentemente li uns textos críticos de Bandeira, sobre Vinícius, muito interessantes.

BANDEIRA FORA DOS LIVROS
Manuel Bandeira publicou muitos textos em jornais e revistas. Fosse hoje, certamente teria seu blog e estaria publicando em diversos sites, também. Segundo matéria assinada por Wilker Sousa, na Cult, o poeta era um pensador da cultura brasileira.

VALÉRIA TARELHO
Fui gentilmente convidado para apresentar o livro de estréia de Valéria Tarelho. Escrevendo poemas há apenas 9 anos, minha amiga Val estréia em grande estilo, pela Editora Landy de Sampa, na coleção Alguidar, dirigida pelo poeta e amigo Fred Barbosa. O texto da apresentação já está no meu blog Pele Sem Pele, www.lau-siqueira.blogspot.com . A partir de agosto o livro chega nas livrarias.

JOÃO PESSOAS
Jornalista, compositor e poeta, Fernando Moura é certamente o maior pesquisador da vida e da obra de Jackson do Pandeiro. Lançou a biografia do “Rei do Ritmo” nacionalmente. Fernando me convidou para escrever um artigo sobre Parrá. Parrá é um contemporâneo e seguidor de Jackson. Uma alegria enorme escrever sobre a grande figura que é Parrá, um cara que representa uma geração de artistas que passa.por gente como Maestro Vilô, Maestro Severino Araújo, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Livardo Alves, Antônio Barros, etc.

PELE SEM PELE
O texto sobre Parrá será o próximo a ser publicado no blog Pele Sem Pele. Será publicado também na minha coluna no site do meu amigo Elpídio Navarro o El Theatro e na coluna que mantenho também no site Janela Cultural, editado pelo jornalista e pesquisador Elinaldo Rodrigues.

UM POEMA DE
SYLVIA PLATH

Sei o que há no fundo, ela diz. Conheço com minha própria raiz.
Era o que você temia.
Eu não: já estive lá.

É o mar que você ouve em mim,
Suas frustrações?
Ou a voz do nada, essa é sua loucura?

O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são teus cascos: fugiram, como cavalos.

Vou galopar a noite inteira assim, impetuosa,
Até que sua cabeça vire pedra, seu travesseiro vire turfa,
Ecoando, ecoando.

Ou devo te trazer o borbulhar das poções?
Isso agora é chuva, esse silêncio imenso.
E este é seu fruto: branco-metálico, como arsênico.

Sofri a atrocidade dos poentes.
Queimada até as raízes
Meus filamentos ardem e ficam, emaranhados de arames.

Meus estilhaços se espalham em centelhas.
Um vento violento assim
Não suporta obstáculos: preciso gritar.

A lua, também, não tem pena de mim: me engole
Cruel e estéril.
Seus raios me arruínam. Ou quem sabe a peguei.

Eu a deixo ir, ir
Magra e minguante, como depois de uma cirurgia radical.
Seus pesadelos me enfeitam e me possuem.

Dentro de mim mora um grito.
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.

Sou aterrorizada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.

Nuvens passam e dispersam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi para isso que agitei meu coração?

Sou incapaz de mais compreensão.
E o que é isso agora, essa face
Assassina em seus galhos sufocantes? –

O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos.
Que matam, matam, matam.

(Olmo, poema da americana Sylvia Plath, nascida em 27/10/32, em Boston. Faleceu em fevereiro de 1963. Poema extraído do livro Poemas, publicado pela Iluminuras. Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)


3 comentários:

marcia cardeal disse...

Gosto muito deste espaço. Do traço. Do verbo. beijo

Flávio Machado disse...

companheiro muito bom o blog, e com várias notícias com do lançamento do livro de Valéria, e assim por diante, sucesso sempre.

abs
Flávio

Batom e poesias disse...

Estava com saudades daqui, mas ando assim "tipo ira em ciclos".

Adorei o poema.

bjs Lau
Rossana