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sábado, 18 de julho de 2009

signo

a cadeira
onde sento para
escrever poemas
sequer suspeita
da trama conceitual
que envolve
sua existência



(lau siqueira – so meu terceiro livro, Sem Meias Palavras)


POEMA EÓLICO
Um poema assim vem no vento. Sem muito pensar, sem muito sentir, sem muito desejar cada sílaba. Um poema que nasce pela necessidade do poeta e suas falas. Não há nada tão ruim nisso, penso. Escrever poemas não é obrigar-se a escrever, mas manter um trato de dignidade com a palavra. A linguagem da construção de um poema não pode estar jamais vinculada a nada. A linguagem deve ser clara, ainda que o poeta não queira, absolutamente, cumprir-se enquanto edificador de significados.

CAGANDO REGRAS
Na verdade tenho a ousadia de colocar algo assim no blog, mas jamais pensando que isto deva ser uma regra. Cada poeta tem seu processo de produção, seja pelas vias da arte, seja pelos fluxos do conhecimento adquirido nos livros, na experiência estética e, necessariamente na vida. Ainda que nada disso esteja de alguma forma vinculado.

LEITURAS AFINS
Uma das observações que faço da contribuição que os tempos modernos da internet deram à Poesia é exatamente a possibilidade que temos de ler sempre e mais os nossos contemporâneos. Isso sem abandonar os clássicos. É plenamente conjugável esse pensamento, na mesma proporção que sempre há de se conjugar o sólido com o difuso. Algumas das boas leituras de poemas que faço, estão nos links do meu próprio blog.

SUSY LOPES & TALITHA LIMA
As atrizes Susy Lopes e Thalyta Lima fazem na primeira terça de cada mês o projeto Café em Verso e Prosa, no Empório Café, que fica por trás da Feirinha de Tambaú, em João Pessoa. Na próxima terça farão uma encenação dos meus poemas. Depois coloco aqui os detalhes tipo hora e coisital. Uma honra enorme pra mim e pra qualquer poeta, receber imagem de tuas criaturas talentosas e generosas.

RONALDO MONTE

Meu amigo querido, escritor, ficcionista, poeta, psicanalista, professor aposentado do curso de Psicologia da UFPB e outros babados fortíssimos, fez o seguinte comentário sobre o micro-conto que escrevi e publiquei no post anterior (Contículo): “É o melhor pior conto do mundo. Mas você ainda é jovem, tem o futuro pela frente. Tente mais vezes. E conte sempre com o meu estímulo. Um beijão. Rona.” Quase caio da cadeira de tanto rir. Você tem razão, Rona.

UM POEMA DE
TARSO DE MELO


o olhar rasteja pelo tecido cabelos pele
sepulta nas veias, feito sonífero, seu silêncio
mas algo insiste em acordar o tempo
inútil (as sombras que baratas cruzam a sala)
e a cada corte, abrupto, incontrolável a cena
se reinicia: um filme talvez, um dia.

(um dia, poema do paulista de Santo André, Tarso de Melo. Do livro Carbono, editado pela Nankin e pela Alpharrabio Edições.)

3 comentários:

Úrsula Avner disse...

Caro escritor, cheguei a voce através do blogger da Taninha Nascimento. Apreciei muito a sua escrita poética num estilo irreverente. Passo a acompanhá-lo. Um abraço.

Nani disse...

com certeza! e há tantos poetas/escritores contemporâneos ótimos por aí... :) eu gosto é de ficar passeando pela tua estante... e a culpa é tua, pai, que eu sou fã de Neruda, Leminski, Alice Ruiz e Estrela, Quintana, Fernando Pessoa, Petrarca, Rimbaud, Verlaine, entre outros! Ah, sem contar nos livros de Kafka, Graciliano Ramos, Dostoievski, Machado de Assis, Saramago! Amo os velhos livros de meu pai! Ah, sem contar você e mamãe, dos quais morro de orgulho! te amo, tico. :}

Batom e poesias disse...

Oi Lau!
Adorei esse seu poema "signo".

Quanto as postagens posteriores, me faz pensar em quanto eu tento sempre conceituar poemas, definir... Tudo em vão...

As vezes, poemas são apenas poemas, poesia sem vínculos, com ou sem regras.
O processo de criação/produção é tão momentaneamente especial e pessoal, que vale o que vier.

Saudades das suas visitas na minha casa.

bjs
Rossana