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Mostrando postagens de Agosto, 2009
limite que vôa



derme de delicadezas
onde sobreponho o íntimo
e resoluto hábito

na verdade apenas
a umidade
do lábio

intumescido pendor dos
meus desejos impuros em
hálitos de luas excitadas

metade ausente do homem
no que respira a pele
insidiosa da ternura

matriz do que pulsa na
pele em volúpia e sentido
fálico

densidade rubra
disfarçando o vazio

(lau siqueira – poema vermelho)

PELE SEM PELE
Por puro desleixo ainda não coloquei um link para meu outro blog, Pele Sem Pele aqui no Poesia Sim. Também ainda não coloquei o link do Twitter (que estou aprendendo a usar) e muito menos para um trabalho que estou desenvolvendo com a artista plástica Luyse Costa no blog Poesia É Risco. Quem quiser conferir, pode entrar nos links que coloquei aqui, neste texto.


SÍNTESE
que a morte
me encontre
embriagado
e que não ria
ao me ver
do outro lado

(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos- 1998)

MAIS POESIA
Não é programa do Ministério da Cultura. É apenas um pensamento meu. Estou pensando em ir colocando mais poesia aqui n…
POEMAS E TEXTOS DA TRIBO
Mais uma vez meus poemas e alguns textos de rodapé farão parte do Livro da Tribo e estarão percorrendo o país. Faço desta, uma edição especial para apresentar aos leitores e leitoras do blog Poesia Sim, o material selecionado pelos editores para a edição de 2010 que será lançada em outubro em livrarias e espaços alternativos do país inteiro. Neste número o formato natural do Poesia Sim será transgredido. No mais, conheça o site da Editora da Tribo, colocando o mouse aqui e apertando a tecla esquerda.

v e l o z

a vida pássaro

p o r . n ó s

* * *

a pele
do motivo


a visão nua
das tuas omoplatas

tão iguais
a tantas

esconde alguns rebanhos
da minha tristeza

* * *

tese de machado

no entalhe
a madeira se reparte

com porte de quem
cumpre o rito criador

o machado parte

a árvore tombada
já não é a mesma

virou linguagem
substrato e signo de
abismo e arte

* * *

editorial


talvez
entre tantas palavras
submetidas
seja preciso dizer
nada

* * *

mercado central
de joão pessoa


são tristes
as folhas murchas
do repolh…
fagulhas





impulsão dos corpos
que descem e sobem
no coletivo

(pausa)

de tão ausente
quase não vi o rosto

(pausa)

rigor antigo
face e rugas
do invisível

(pausa)

com suas mãos
caminhantes

(pausa)

alinhavo do infinito

(pausa)

bico ferino
realidade ponteaguda

(pausa)

como uma agulha
espetando a memória
de um silêncio absoluto


(lau siqueira – poema vermelho)

POESIA É RISCO
A revista CultPB (www.cultpb.com) só tem um defeito: demora demais a carregar as páginas, nas mãos da placa avó do PC do Besta aqui. Mas, têm várias grandes vantagens. Uma delas é a sensibilidade aliada ao profissionalismo de Érica Chianca e Taísa Dantas. Uma revista virtual de qualidade, com uma puta duma vocação para ser impressa e bombar geral. Em uma das suas últimas edições, fui convidado a misturar meu trabalho com os desenhos de uma jovem artista. Foi assim que conheci Luyse Costa, estudante de História na UFPB, 22 anos, com a qual estou reincidindo na proposta da Érica e da Taísa, com a criação do blog “Poesia é Risco”.

POESIA É RISCO I
Luy…
corpo antigo



sorvo distâncias
entre o sim e o não

e muito pouco

existo enquanto
lírio aceso no oco

(

no mangue invisível
de um sopro

)


(poema vermelho – lausiqueira@yahoo.com)

POESIA É RISCO
A revista CultPB só tem um defeito: demora demais para carregar as páginas, nas indolências da placa avó do PC do Besta aqui. Mas, têm várias grandes vantagens. Uma delas é a sensibilidade aliada ao profissionalismo de Érica Chianca e Taísa Dantas. Uma revista virtual de qualidade, com uma puta duma vocação para ser impressa e bombar geral. Em uma das suas últimas edições fui convidado a misturar meu trabalho com os desenhos de uma jovem artista. Foi assim que conheci Luyse Costa, estudante de História na UFPB, 22 anos, com a qual estou reincidindo na proposta da Érica e da Taísa, com a criação do blog “Poesia é Risco”. (Confira o link)!

POESIA É RISCO I
Luyse fez a gentileza de comparecer ao sarau organizado pela atriz Suzy Lopes, no projeto Café em Verso & Prosa leia nos posts abaixo). E assim foi surgin…
Sarau das ilhas inventivas



Enfim, Suzy Lopes, não sou exatamente eu. Sou outro no qual me reconheço e me perco. Avesso do meu avesso imundo. Escrevo poemas com a árdua missão de dizer porra nenhuma. Porque o que está dito é o ato repartido...

E porque a poesia é o exercício das lonjuras. Signo dum experimento que cruza o tempo no sarau das ilhas amigas, na canção das emoções inventivas.

Como o vento... Com sua identidade secreta e sua invisibilidade tão imensa quanto essas sensações que provoca na pele dos que não se movem na sua direção e dos que buscam o seu nascedouro.

Do universo que se reparte...
Transgredimos a volubilidade do instante, com a infinitude do gesto, da palavra, da vida e da arte...


(texto em homenagem à minha querida amiga, atriz paraibana Suzy Lopes)

IOSIF LANDAU
Mais um amigo se foi. Soube há pouco por e-mail, através de Silvana Guimarães, que Iosif Landau morreu no Rio de Janeiro, ontem, dia 14, às 22 horas. “Morreu dormindo, sem sofrimento”, segundo sua filha. Iosif, a…
noigandres stop



quando ao meio
parto

passo trinco ato

farto do espanto

o mundo vestiu
a camisa do sol

as nuvens agora
são pó

oh

(poema vermelho – lau siqueira)

O VERBO NECESSÁRIO
Cuidar é um verbo tipo “sangue bom”. Mais que o verbo, o seu significado enquanto elemento de ação. Cuidar uns dos outros, umas das outras. Cuidar do planeta e do ar para respirar o que não é imundo. Cruzar um rio de crocodilos e piranhas cuidando de não espetar os pés. Cuidar é um verbo assim... nos ensina que somos algo absurdamente além de nós.

A POÉTICA CLÁSSICA
“Escrevendo pra ti, homem instruído e culto, de certo modo, caríssimo amigo, estou dispensado de assentar, num longo preâmbulo, que o sublime é o ponto mais alto e a excelência, por assim dizer, do discurso e que, por nenhuma outra razão senão essa, primaram e cercaram de eternidade a sua glória os maiores poetas e escritores.”

A POÉTICA CLÁSSICA I
“Do sublime” é um clássico da pensamento universal e foi escrito por um cara chamado Longino. Existem dúvidas, inclu…
juro que não sei




Escrevo poemas
para guardar memória
dos instantes invisíveis

partidos em milhares
de cacos mínimos

: farelo calcário.

Escrevo poemas
para não lembrar disso.

Para não esquecer,
também.

Porque poema é
beleza transgressiva...

Ostenta olhos parados
no tempo. Absolutos diante
do abstrato...


(poema vermelho – lau siqueira)


CAFÉ EM VERSO & PROSA
Quem estiver por João Pessoa no próximo dia 11, está convidado para uma noite de alegria e arte no Empório Café. A partir das 20 horas (a qualquer momento) deve começar o Sarau da atriz Suzy Lopes com os meus poemas, no projeto Café em Verso & Prosa. Simultaneamente o artista plástico Sandoval Fagundes estará pintando silhuetas de mulheres “completamente nuas”, transformando algum espaço do bar em atelier vivo. Além do varal poético será distribuída gratuitamente a edição zero zero (primeira e última) do zine Agosto Pra Tudo, com meus poemas. O Empório Café fica em Tambaú, na Rua Coração de Jesus, 210 – por trás da Feirinha de Artesanato.

A CON…
Imagem
as flores mallarmaicas

queria
num poema
oferecer flores
um jeito lógico
de não arrancá-las
placidez silvestre

! como as flores
da adivinha mallarmaica
“que nunca estão no buquê”
e cujo aroma experimentamos
nas planícies viageiras
do significado
a palavra pétala
entre húmus e caules de linguagem
embriagando a dor extraída
deste pólen com o qual enlouqueço
as abelhas africanas
do esquecimento

mas tudo que tenho
são essas mãos vazias e uma
paixão petrarquiana
de insuportável hálito
modernista (poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras - ls) MEIOS SEM ARRODEIOS
Luciana Marinho mora em Recife e é professora universitária. Talvez nem tenha ainda avaliado o peso do seu próprio texto. Escreve com a mesma sensibilidade com que captura imagens quando seu instrumento não é a palavra, mas a fotografia. Então, revela-se uma fotógrafa atenta ao temporal e ao eterno das coisas. O fato é que ela e…
olhar de arranjo


até a derradeira sílaba
caminho no que estimo
levar-nos ao silêncio

não exatamente mudo

(poema vermelho, l s – lausiqueira@yahoo.com)

O CANTO DAS ARARAS
Soube que Cátia de França, em show recente aqui na Cidade das Acácias, prestou uma emocionante e emocionada homenagem ao poeta que me habita. Disse que sou um homem de alma feminina. Na verdade, Cátia, minha alma é apenas alada. Transita na sensibilidade, mas também é rija e inflexível. Cátia é uma artista excepcional, uma cantora de uma ancestralidade visceral. Ela sabe que é no rigor que se separa o joio do joio e se prepara o plantio do melhor trigo. Agradeço a doce lembrança, com o coração escancarado...

POR FALAR NISSO
Lembro muito bem do show de lançamento do disco Avohay, de Zé Ramalho, no antigo Teatro Leopoldina (parece que hoje é o teatro da OSPA), em Porto Alegre. Foi no ano de 1978. No palco, com Zé, dois grandes artistas paraibanos que anos mais tarde seriam meus amigos, Pedro Osmar e Cátia de França. Pedro Osmar …