quinta-feira, 20 de agosto de 2009

corpo antigo



sorvo distâncias
entre o sim e o não

e muito pouco

existo enquanto
lírio aceso no oco

(

no mangue invisível
de um sopro

)


(poema vermelho – lausiqueira@yahoo.com)

POESIA É RISCO
A revista CultPB só tem um defeito: demora demais para carregar as páginas, nas indolências da placa avó do PC do Besta aqui. Mas, têm várias grandes vantagens. Uma delas é a sensibilidade aliada ao profissionalismo de Érica Chianca e Taísa Dantas. Uma revista virtual de qualidade, com uma puta duma vocação para ser impressa e bombar geral. Em uma das suas últimas edições fui convidado a misturar meu trabalho com os desenhos de uma jovem artista. Foi assim que conheci Luyse Costa, estudante de História na UFPB, 22 anos, com a qual estou reincidindo na proposta da Érica e da Taísa, com a criação do blog “Poesia é Risco”. (Confira o link)!

POESIA É RISCO I
Luyse fez a gentileza de comparecer ao sarau organizado pela atriz Suzy Lopes, no projeto Café em Verso & Prosa leia nos posts abaixo). E assim foi surgindo a idéia de darmos prosseguimento ao que nos foi sugerido. Então fizemos uma primeira experiência a partir de um lero no MSN. E nos surpreendemos com a repercussão entre os amigos e até mesmo entre pessoas do “muído” e do miado. Assim, decidimos organizar a produção para o projeto não virar um bordel de ocasiões. Vamos publicar poemas e desenhos todo sábado. E principalmente sentir o gosto da coisa, do eterno desafiar-se em busca do desafino mais afinado. Até porque um pouco de disciplina nunca danificou a anarquia de ninguém.

COLETIVOS DE ARTISTAS
Uma das boas novas do pensamento estético neste início de século é a afirmação dos coletivos artísticos. Ou seja: a definição do processo criativo como ato partilhado, ao tempo em que se processa o abandono das vaidades inúteis e a progressiva supressão do ego. A partir do momento em que a criação se solidifica como uma ação coletiva, as coisas ficam mais próximas de uma possibilidade real da transgressão, da necessária reinvenção de sensações mais sólidas: as que se desmancham no ar.

AFFONSO ÁVILA
Não sei se acontece com vocês, mas sempre fico muito feliz quando penso que encontrei um livro que me será de grande valia para o exercício da reflexão necessária sobre o fazer poético. Pois sábado comprei “O poeta e a consciência crítica”, do Affonso Ávila, que saiu na coleção debates, da Editora Perspectiva. Uma leitura que já me trouxe grandes satisfações em alguns textos. Como esse fragmento que publico abaixo.

“POESIA NOVA - UMA ÉPICA DO INSTANTE
A situação atual da poesia no Brasil reflete, entre afirmações criadoras e perplexidades críticas, a mudança radical de concepção do fato poético que, nos últimos dez anos, se operou em nosso país. Essa transformação, intimamente vinculada à modificação mais abrangente das estruturas de conscientização de nosso povo, não se restringiu a um fenômeno de linguagem como parecerá à prieira vista. Suas implicações são mkais profundas e traduzem, simultaneamente, uma nova atitude do poeta diate da realidade que sucita o ato criador e a adequação do seu instrumentos ao imperativo das modernas técnicas de comunicação.”

Somente este fragmento já me remete à zilhões de pensamentos. "O Poeta e a Consciência Crítica", de Affonso Ávila, é um livro de teoria literária para ser lido com prazer e para que o poema seja escrito, cada vez mais, na sangria das palavras que arrancam a pele.

2 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Para se pensar, Lau.

Bons textos, boas dicas...

E... boa noite!

fabiano Silmes disse...

Lau Gostei muito do seu poema Corpo antigo...

Abraços.