sábado, 8 de agosto de 2009

juro que não sei




Escrevo poemas
para guardar memória
dos instantes invisíveis

partidos em milhares
de cacos mínimos

: farelo calcário.

Escrevo poemas
para não lembrar disso.

Para não esquecer,
também.

Porque poema é
beleza transgressiva...

Ostenta olhos parados
no tempo. Absolutos diante
do abstrato...


(poema vermelho – lau siqueira)


CAFÉ EM VERSO & PROSA
Quem estiver por João Pessoa no próximo dia 11, está convidado para uma noite de alegria e arte no Empório Café. A partir das 20 horas (a qualquer momento) deve começar o Sarau da atriz Suzy Lopes com os meus poemas, no projeto Café em Verso & Prosa. Simultaneamente o artista plástico Sandoval Fagundes estará pintando silhuetas de mulheres “completamente nuas”, transformando algum espaço do bar em atelier vivo. Além do varal poético será distribuída gratuitamente a edição zero zero (primeira e última) do zine Agosto Pra Tudo, com meus poemas. O Empório Café fica em Tambaú, na Rua Coração de Jesus, 210 – por trás da Feirinha de Artesanato.

A CONDIÇÃO HUMANA
O que me faz sentir gana de ir em frente e realmente mover meus passos para o futuro é a possibilidade de transformar as coisas, os costumes, os saberes... para que todos cuidemos uns dos outros. Minha utopia tem um soluço rude. Compreender o valor da vida é compreender a necessidade de que somos sementes de um mesmo plantio. Mas, não somos humanos relapsos. Somos atávicos e imperfeitos. Não justifica o que não cabe quando somos, sobretudo, inteiros...

POEMA DE ANTERO DE QUENTAL

Amar! Mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos arpejos,
Não sejam só delírios e desejos
Duma douda cabeça escandecida...

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser – e não só beijos
Dados no ar – delírios e desejos –
Mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...

Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?

(Amor Vivo, poema de Antero de Quental, extraído da coleção Melhores Poemas, com seleção de Benjamin Abdalla Junior, publicado pela Global Editora).

ANTERO DE QUENTAL
O poeta Antero de Quental nasceu nos Açores, no dia 18 de abril de 1842 e faleceu no dia 11 de setembro de 1891. O poeta dedicou sua vida á filosofia, a poesia e à política. Estudante de Direito, fundou em Coimbra a Sociedade do raio, que pretendia renovar Portugal através da literatura. Foi tipógrafo, em Lisboa e Paris. Era portador de Transtorno Bipolar e na tarde do dia 11 de setembro de 1891, sentado num banco de jardim, suicidou-se com dois tiros na boca.

O BLOG DE MIROSLAV
Recebi uma adesão completamente imprevisível, no blog. Agora tenho como seguidor (e também sigo) o poeta Miroslav Dusanic. Um nome difícil de escrever no meu teclado, porque há um circunflexo virado sobre a letra s e um acento agudo sobre o c. Ele escreve coisas assim: човјек није у стању да сачува вријеме/ али упорно и стрпљиво чини покрете/ он се уздиже ка свјетлости и множи/ да не остане сам на вјетрометини...

2 comentários:

Marli Reis disse...

'instantes invisíveis'

Duas palavras próximas e todas as palavras em conjunto, tão possível entender!
Beijo!

BAR DO BARDO disse...

Antero, sempre bom!