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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

noigandres stop



quando ao meio
parto

passo trinco ato

farto do espanto

o mundo vestiu
a camisa do sol

as nuvens agora
são pó

oh


(poema vermelho – lau siqueira)

O VERBO NECESSÁRIO
Cuidar é um verbo tipo “sangue bom”. Mais que o verbo, o seu significado enquanto elemento de ação. Cuidar uns dos outros, umas das outras. Cuidar do planeta e do ar para respirar o que não é imundo. Cruzar um rio de crocodilos e piranhas cuidando de não espetar os pés. Cuidar é um verbo assim... nos ensina que somos algo absurdamente além de nós.

A POÉTICA CLÁSSICA
“Escrevendo pra ti, homem instruído e culto, de certo modo, caríssimo amigo, estou dispensado de assentar, num longo preâmbulo, que o sublime é o ponto mais alto e a excelência, por assim dizer, do discurso e que, por nenhuma outra razão senão essa, primaram e cercaram de eternidade a sua glória os maiores poetas e escritores.”

A POÉTICA CLÁSSICA I
“Do sublime” é um clássico da pensamento universal e foi escrito por um cara chamado Longino. Existem dúvidas, inclusive, se era mesmo esse o seu nome e mesmo sobre a data da sua obra, existem dúvidas. Estima-se que ele tenha vivido no primeiro século da era Cristã. (Por isso prefiro chamá-lo mesmo de Longino.) O livro “A Poética Clássica”, traz tratados de Aristóteles (Arte Poética), Horácio (Arte Poética) e Longino (Do Sublime), de quem extraí o fragmento apresentado no primeiro tópico sobre A Poética Clássica. O trabalho de tradução ficou por conta de Jaime Bruna, diretamente do grego e do latim.

LINGUAGEM INVENTADA
O poeta escreve a partir de uma linguagem inventada. Dentro dela, cabem todas as realidades. Cabem também os sonhos e os delírios de quem supõe estar a plenos pulmões, caminhando pelo universo. A realidade da linguagem embriaga os fatos, para reinventá-los em objeto e silêncio. Repito: o poeta escreve a partir de uma linguagem inventada. É certo que isso não é tudo, tanto quando nem de longe é nada.

CHICO CESAR
Terça-feira, no sarau Café em Verso & Prosa (ver postagem anterior), fui apresentado ao poeta Joedson Adriano da Silva Santos de forma bastante inusitada. A primeira vez que o notei sua presença foi quando da chegada de Chico Cesar, com um livro na mão. Docemente provocado pela atriz Suzy Lopes, Chico disse que iria ler um poema de um poeta que lhe deu um livro, poucos momentos antes, na chegada ao Empório Café. E leu um texto bastante complexo e denso, desse poeta. Antes do final, o poeta se aproximou e, gentilmente, me presenteou com o seu Ode aos deuses. Gracias, amigo!

POEMA DE JAILSON MARROQUIM

NOS ESCRITÓRIOS
O AR REFRIGERADO
CONGELA OS SENTIMENTOS

DEDOS RÍGIDOS
DATILOGRAFAM
OFÍCIOS E MEMORANDOS

À NOITE
QUEM SABE UM POEMA?

(Do ofício e do ócio, poema do livro Haicrônicas e Poemânticas, do poeta Jailson Marroquim.)

2 comentários:

Leandro Cesaroni disse...

O conteúdo é excepcional.
Grandes obras, de grandes escritores.
Uma envolvente viagem no velho baú da literatura.
Parabéns!

Milena Medeiros disse...

Parabéns, excepcional e sou fã rs me parece piegas e pouco.
Escreveria por tempos aqui minha admiração por seu trabalho...
O sarau foi belo e o livro me rendeu alguns suspiros imagens e sensações extasiantes.
Abração Lau!