POEMAS E TEXTOS DA TRIBO
Mais uma vez meus poemas e alguns textos de rodapé farão parte do Livro da Tribo e estarão percorrendo o país. Faço desta, uma edição especial para apresentar aos leitores e leitoras do blog Poesia Sim, o material selecionado pelos editores para a edição de 2010 que será lançada em outubro em livrarias e espaços alternativos do país inteiro. Neste número o formato natural do Poesia Sim será transgredido. No mais, conheça o site da Editora da Tribo, colocando o mouse aqui e apertando a tecla esquerda.

v e l o z

a vida pássaro

p o r . n ó s


* * *

a pele
do motivo



a visão nua
das tuas omoplatas

tão iguais
a tantas

esconde alguns rebanhos
da minha tristeza

* * *

tese de machado

no entalhe
a madeira se reparte

com porte de quem
cumpre o rito criador

o machado parte

a árvore tombada
já não é a mesma

virou linguagem
substrato e signo de
abismo e arte

* * *

editorial


talvez
entre tantas palavras
submetidas
seja preciso dizer
nada

* * *

mercado central
de joão pessoa


são tristes
as folhas murchas
do repolho
que um homem
faminto não pode
comer

* * *

cobaia


não existem feridas
que não cicatrizem

mas a marca funda
de um olhar amargo

dói como a dor de
um bicho esmagado

* * *

refrão


os ventos são algazarras
do infinito
em nossos cabelos gris

(bis)

* * *

insensatez


misturo tudo:
vida e linguagem.
texto e imagem.

vivo como quem voa
e pousa: coragem.

SOBRE O MEDO
O medo é um cavalo saindo das trevas, com o susto de quem foge não sabe de quê. O medo é um sol imenso no céu e uma boca escancarada para a sede. O medo é a possibilidade de enfrentá-lo.

PARADOXO DA TRISTEZA
Triste de quem dos próprios atos se esconde. Ou quem (por mediocridade ou vaidade) preferiu rastejar caminhos já percorridos. Triste dos que cospem a própria sede. Os que vomitam certezas sombrias. Os que tremulam no cerco das próprias falas... coalas!

PROFUNDAMENTE RASO
Meu coração é essa palmatória-reversa que há muito não alimenta sua calma. Por isso, temo tantas vezes ninguém mais do que eu mesmo e minhas impropriedades. Meu coração, bêbado e faminto, tropeça... sangra e segue em frente.

LIBERDADE
Um passo a cada vez. Uma certeza ancorada no escuro. A liberdade movimenta-se como um rio. É a extinção do fardo. A leveza do abstrato. O ato além do ato. Artefato. A vida além do tato.

ANIBAL BEÇA
Com pesar comunico o falecimento, neste início de semana, em Manaus, do amigo poeta amazonense Aníbal Beça. Neste mês de agosto perdemos também outro amigo escritor, Iosif Landau, no Rio de Janeiro. Pouco antes, em julho, tivemos a triste notícia também do falecimento do amigo e poeta carioca, Rodrigo de Sousa Leão, um dos mais significativos da nova geração.

Comentários

Papagaio Mudo disse…
poesia sempre...

abs,



Gustavo
Luciana Marinho disse…
...



belíssimo post.





"Sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada. Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"

florbela espanca
Adriana Karnal disse…
Difícil dizer qual é o melhor...gosto muito de tudo aqui.Lau, vc é mestre...

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