sábado, 15 de agosto de 2009

Sarau das ilhas inventivas



Enfim, Suzy Lopes, não sou exatamente eu. Sou outro no qual me reconheço e me perco. Avesso do meu avesso imundo. Escrevo poemas com a árdua missão de dizer porra nenhuma. Porque o que está dito é o ato repartido...

E porque a poesia é o exercício das lonjuras. Signo dum experimento que cruza o tempo no sarau das ilhas amigas, na canção das emoções inventivas.

Como o vento... Com sua identidade secreta e sua invisibilidade tão imensa quanto essas sensações que provoca na pele dos que não se movem na sua direção e dos que buscam o seu nascedouro.

Do universo que se reparte...
Transgredimos a volubilidade do instante, com a infinitude do gesto, da palavra, da vida e da arte...


(texto em homenagem à minha querida amiga, atriz paraibana Suzy Lopes)

IOSIF LANDAU
Mais um amigo se foi. Soube há pouco por e-mail, através de Silvana Guimarães, que Iosif Landau morreu no Rio de Janeiro, ontem, dia 14, às 22 horas. “Morreu dormindo, sem sofrimento”, segundo sua filha. Iosif, além de pessoa amável e firme em suas convicções, era um grande escritor. Entre outros, publicou “Comissário Alfredo”, pela Editora Record. Em seu blog, suas últimas palavras de afeto aos amigos e leitores e informações sobre sua obra e sua vida,nfim... acesse: http://yehudabenelin.blogspot.com/

AINDA DO CAFÉ EM VERSO & PROSA
Boas energias. Arte da boa. Gente de qualidade. Assim foi o sarau Café em Verso & Prosa, coordenado pela atriz Suzy Lopes, em homenagem à minha “indigência poética”, como diz o poeta cearense Francisco Carvalho. Quem possui Orkut, poderá conferir o registro fotográfico do evento, aqui. Esse mesmo sarau de Suzy Lopes, fará parte do Aldeia SESC, um evento que acontecerá em outubro. A próxima edição do Café em Verso & Prosa será no dia 8 de setembro, com o poeta Antônio Mariano. Desde já, venho convidá-los e convidá-las para mais uma noite de poesia e celebração da vida.

W. J. SOLHA
Recebi mais um livro de W. J. Solha, gentilmente enviado pelo autor. Nem comecei a leitura ainda, mas percebo a partir de uma leitura das obras anteriores que há uma atitude épica na escrita cristalina de Solha. Foi assim em A Canga, História Universal da Angústia e mesmo no explicitamente épico Trigal com Corvos. Relato de Prócula, lançamento nacional da Editora A Girafa, foi uma das obras selecionadas pela Bolsa Funarte à Criação Literária. O livro aborda as razões da defesa de Jesus, por Pilatos. Um livro onde o autor carrega nas tintas da pesquisa para conceber a sua ficção. Solha que é também ator e artista plástico ao longo da vida tem se mostrado, sobretudo, um inventor de linguagens densamente poéticas. Começo daqui a pouco a minha leitura! Busque-o nas livrarias ou apele para a internet. Olha o link! W. J. Solha é sinônimo de boa leitura.

POEMA DE JOMARD MUNIZ DE BRITO


Pela força molecular do
TRANS – rock e samba
no cinema transcendental.
Uma letra a menos do
transe e do transa, disco.
Difícil é continuar apostando
na unidade dos contrários.
Cara a cara em pluralidade de
cores e adversas diferenciações.
- ... “a fama de propiciar a nós, pobres mortais, o prazer de atiçar fogo nos segredos da alma.” (p. 19) –...”o arcaico e o moderno não acontecem em tempos separados, ao contrário, eles parecem ser a mesma coisa, parecem integrados, um monobloco”. (p.40)
Transpor a lógica dualista
pela analogia das trans
m u t a ç õ e s. O quê? A quem?
Amar nosso tempo em duração
pelas coisas da polis e poiesis.
Bruxuleou poeticidades em nave.
- “O pesadelo para captar as rasuras do real é o pesadelo que inferniza as madrugadas, as tardes, as manhãs e as noites do escritor”. (p. 64)
Pela solidão e velocidade
indóceis bárbaros internautas.
Séculos por quase segundos
terceiros nos arcos da Lapa
dissipados e descentralizados.
Aparições transatlânticas.
Menina da Ria. Moça Qui(m)bunda.
- “Escrever sobre o amor é talvez uma das nossas mais árduas façanhas”. (p.23) – “O leitor passa a se envolver com a seqüência de nascimentos daquela prole de tipos que nos desconcertam por causa do seu jeito feroz de ser tropicalistas”. (p. 81)
O samba transcende veias
imanentes do rock ao êxtase
de pulsões mergulhando azuis
águas diamantes de amaralina.
Terceiridade trans-semiótica:
Arraes, Antonioni, Almodóvar.
Violeta nos entrelaçando.
A base da baía de Guantánamo.
- “Sua canção bem que poderia ser um réquiem. Trágica, é verdade, embora mantenha os acordes de coerência e de esperança – por que não?” (p. 33)
Trans pode ser uma tara. Jamais
seria moléstia pegajosa entre
melancolias militantes. OU NÃO.


PS: citações são do livro do Marcius Cortez, Barbaridades Críticas, Chaminé Voadora Editorial, SP, 2009. Conjunto do texto pode ainda ser dedicado aos novos rebentos da Caetanave: Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado entre Giovana, João Franklin, Miguel Lavigne pelos mangues, mares, oceanos, deuses e orixás.
Recife, agosto de 2009.


(“Vida Máxima da Caetanave / Cidadania Pernambucana & / Barbaridades Críticas mais um belo texto de Jomard, enviado por e-mail)

Um comentário:

Lazaro disse...

EMBRIAGUEM-SE é preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.


Baudelaire

Espero que goste de poesia.