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Mostrando postagens de Setembro, 2009
teoria literária



das águas turvas
nascerá o que não brota
nos jardins e nos prados

onde a vida punga
como equação do silêncio

(poema vermelho – lau Siqueira)

TEORIA LITERÁRIA...
Ainda comento por aqui, com um pouco mais de calma, as definições de Afrânio Coutinho sobre a literatura e suas teorias. Comprei ontem o livro. São conceitos preliminares e manejos de um gênero da arte onde as cores são forjadas na imaginação de quem lê. Tenho lido algumas teorias e, confesso, cada vez entendo menos. Principalmente porque acabo sempre discordando de mim mesmo. Vejamos: seria a literatura algum tipo de arte visual?

TEORIA LITERÁRIA!
Na verdade, penso que um poema (por exemplo) nunca está pronto. Não somente pelos conceitos de Umberto Eco. Cada leitura é um complemento. Cada leitura, na verdade, é uma nova forma de reescrevê-lo. Portanto, o escritor de poemas é sempre ele e mais alguém que o lê e arranca das sombras o que o próprio fato criativo, consolidado, não conseguiu. O leitor de poemas é, portanto,…
oração primeira



era o tempo
em que o minuano
encontrava poucos
alambrados sobre
o pampa

o limite
era a vastidão

- sesmaria
e sangue
na história

então foram
passeando os dias
e as noites de
vigília

coração farrapo

nasci acreditando
na sede libertária

na mão que ampara

(amem)

(lau siqueira – poema vermelho)

20 DE SETEMBRO
Lembro de como era a chegada do dia 20 de setembro, na minha casa, em Jaguarão. Meu pai paramentado, com as vestes históricas do povo gaúcho, campeiro e guerreiro. O cavalo tordilho, bem tratado, saindo da cocheira para a avenida, onde meu pai desfilava em cavalgada com seus companheiros do Centro de Tradições Gaúchas. Os CTGs são entidades criadas logo após o final da Segunda Guerra, em razão da resistência gaúcha ao americanalhismo cultural. Os americanos invadiram as Américas com sua poderosa máquina de mídia (triunfalista) e com o financiamento de déspotas assassinos para os países onde a organização popular estivesse tomando corpo. O povo latino sustentou-se na sua cultura!

CTG …
antropófago


esse sopro que
formamos com o tempo

sobre nosso rosto

sombreado longe
ao longo do pescoço

solapa estrelas nos rios
duma lua transbordante

com sorriso algo triste

(lau siqueira – poema vermelho)

POEMOSCÓPIO
Preciso ver mais longe. Preciso de um poema que seja um vôo animal no estradeiro olhar de quem permuta a nitidez das coisas simples. Como os jardineiros que sustentam no calo das mãos, tamanha delicadeza...

lero de astúcia


é linguagem
esse despir de auroras
absurdamente límpidas

onde apenas as teias
corrompem o silêncio

costura dos signos
que surgem pelas paredes
e dilaceram todas as coisas

rebelando segredos

.....................como caminhos
.....................que não vemos

.....................sentimentos
.....................que não temos

(lau siqueira – poema algo marrom)

PARADA DOS MOVIMENTOS
O que impressiona são as palavras ditas ao vento sem que, mesmo o vento, as escute. O que impressiona é a medida fora do compasso e o mormaço das desmedidas. O que segura é a onda que não transborda...…
digressões diluídas



vou
tecendo os dias
num tempo de memórias
...........................proscritas

concedendo ao bailado
das sombras
um ritmo de notas
desmedidas

enquanto
a vida vai sumindo
................pelas esquinas

(lau siqueira – poemas vermelhos)

PELE SEM PELE
Uma abordagem breve do que se pode ainda em termos de políticas públicas para o livro e para a leitura neste país de desencantos e possibilidades. Eis o que abordo no blog Pele Sem Pele, no post deste sábado. Também neste sábado há um novo post no blog Poesia é Risco, onde arrisco juntar poemas inéditos aos desenhos de Luyse Costa. Sigamos em frente.

POR FALAR NISSO...
Se estiver por João Pessoa no próximo dia 14/09/09, segunda-feira, às 14 horas, venha participar da organização do Fórum do Livro, Leitura e Bibliotecas do município de João Pessoa - FLLB/JP, na sala do laboratório de Biblioteconomia, no CCSA/UFPB – Campus 1. Maiores informações pelos telefones (083) 3216.7484 e 8750.7566.

SERGIO LUCENA
Um dos mais significativos artistas …
a natureza do espetáculo


amarelas
eram as flores do ipê

esparramadas nos galhos
e no palmo de asfalto
antes do chão

pétalas e mais pétalas
falando ao meu silêncio
a p r e s s a d o

exalando o indomável
escândalo da beleza

(poema vermelho – lau siqueira)

POEMA INICIAL
Não lembro se já publiquei “a natureza do espetáculo” por aqui. Foram os versos que deram origem ao blog Poesia é Risco que mantenho com Luyse Costa. Foi um poema “encomendado” pela revista CultPB. Minha amiga Luy é, seguramente, uma das boas promessas do cenário das artes visuais made in PB. O blog Poesia é Risco é feito a quatro mãos, mas com um único princípio: experimentar a proximidade das linguagens. Eis o risco concreto!

riso do vento
folia das folhas
no meu quintal

(terceto vermelho - lau siqueira)

SERIA CORPORATIVISMO?
Fiquei impressionado com a repercussão de alguns artigos que ando escrevendo para o Pele Sem Pele. Setores da universidade se portam de forma estranhamente corporativa, na defensiva. Infelizmente entenderam os artigo…
paradigma



a vida é um eterno
ir embora

costura de
instantes diluídos
na eternidade

tempo de retornos
irreparáveis

e encontros
irreconciliáveis

(poema vermelho – lau siqueira)

POETA MARGINAL
Era início de noite, num desses dias passados. Estava eu no Espaço Mundo, Centro Histórico de João Pessoa, conversando com um conhecido. De repente chega um cidadão grisalho, magro, falante, vendendo seus folhetos de poesia. Era o poeta Valter di Lascio. Paulistano do Bexiga (no momento paraibano da bixiga lixa) que sumiu de casa e nunca mas voltou.

POETA MARGINAL I
Bem... é certo que os poetas marginais ainda resistem. Apesar de alguns serem muito chatos e esteticamente péssimos. Ou uma coisa ou a outra. Ou, na pior das hipóteses, ambas. Ontem estava eu num evento onde um destes seres se apresentou e deu medo de tão ruim. No entanto, a questão é a seguinte: a Poesia Marginal existe?

POESIA MARGINAL EXISTE?
O poeta Chacal esteve aqui em João Pessoa, se não estou enganado, no ano passado. Criou-se uma polêmica com …
viver é delicado
argumento de samba
sentimento de fado
(hai-quase vermelho, lau siqueira)
COLLOR NA ACADEMIA
Não fiquei estarrecido com a eleição do senador Fernando Collor de Melo para a cadeira 20 da Academia Alagoana de Letras, no último dia 2. E por um motivo muito simples. As academias, no geral, são ecos desavergonhados da política literária. Jamais da boa literatura. Não existe nada mais conservador em termos de instituição cultural. O que se pratica é a bajulação descarada em casos como esse. O ex-presidente nunca publicou um livro. Apenas artigos nos jornais de sua propriedade (ele é um tubarão do ramo em Alagoas) e noutros por aí. As academias caem no descrédito por conta de atos dessa natureza. Reconheço que existem grandes escritores em muitas academias. Inclusive na ABL. No entanto, coisas desse tipo nos fazem pensar muitas vezes acerca da necessidade da existência das academias.

AS DECISÕES DESCABIDAS
Lembro de quando em 1985, junto com a jornalista Joana Belarmino, entrevistei…
las flores mallarmeanas


quería
en un poema
ofrecer flores

una manera lógica
de no arrancarlas
de la placidez silvestre

como las flores
de la adivina mallarmeana
“que nunca están en el buqué”
y cuyo aroma experimentamos
en las planicies viajeras
del significado

la palabra pétalo
entre humus y tallos de lenguaje
embriagando el dolor extraído
de este polen con el cual enloquezco
las abejas africanas
del olvido

pero todo lo que tengo
son esas manos vacías y un
apasionamiento petrarquiano
de insoportable hálito
modernista

(do meu terceiro livro, Sem meias palabras. Tradução Martin Palácio)

LOS TRAZOS DE PANDORA
Está confirmado. Recebi e-mail de Martin Palacio Gamboa solicitando autorização para publicar meus poemas na antologia bilíngüe (português/espanhol) que em breve apresentará um panorama da poesia brasileira cont…