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sábado, 5 de setembro de 2009

viver é delicado
argumento de samba
sentimento de fado
(hai-quase vermelho, lau siqueira)

COLLOR NA ACADEMIA
Não fiquei estarrecido com a eleição do senador Fernando Collor de Melo para a cadeira 20 da Academia Alagoana de Letras, no último dia 2. E por um motivo muito simples. As academias, no geral, são ecos desavergonhados da política literária. Jamais da boa literatura. Não existe nada mais conservador em termos de instituição cultural. O que se pratica é a bajulação descarada em casos como esse. O ex-presidente nunca publicou um livro. Apenas artigos nos jornais de sua propriedade (ele é um tubarão do ramo em Alagoas) e noutros por aí. As academias caem no descrédito por conta de atos dessa natureza. Reconheço que existem grandes escritores em muitas academias. Inclusive na ABL. No entanto, coisas desse tipo nos fazem pensar muitas vezes acerca da necessidade da existência das academias.

AS DECISÕES DESCABIDAS
Lembro de quando em 1985, junto com a jornalista Joana Belarmino, entrevistei o poeta Mário Quintana. Nunca mais esqueci. O poeta disse que “a ABL é um tipo de associação recreativa e funerária que gasta a maior parte do tempo recebendo visitantes estrangeiros ilustres, de qualidade duvidosa.” E assim caminha a desumanidade.

coisa minha e sua
olho pra noite
e te vejo lua


(do meu terceiro livro – Sem meias palavras, 2002, Ed. Idéia)

NO PELE SEM PELE
Novamente abordo um tema que, me parece, apesar de tudo não vem despertando assim tanto interesse. A poesia e a internet, os ciclos do tempo, a relação com a universidade, o queixume de uns poucos, a ritualização dos espaços... Enfim, muito ainda se haverá de pensar sobre o assunto. Já existe uma bibliografia a respeito, mas ainda muito se há de pensar e escrever. Visite o blog, comente. Não deixe barato este debate. Dia desses vou abordar as academias de letras e a sua infeliz importância para a cultura brasileira.

UM POEMA DE ALICE RUIZ

e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o flho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria

(drumundiana, poema de Alice Ruiz. Da antologia da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília)

3 comentários:

dina disse...

Para ter direito a um assento na ABL aceita-se cartão? Parcela em 10x? Eu também acho as escolhas da academia duvidosas. Até o dia em que eles me colocarem lá.

David Aragon disse...

@ Dina,

A questão não é como entrar para a ABL, mas porque entrar para a ABL, ou para qualquer outra academia. O livro do Jorge Amado Farda, Fardão, Camisola de Dormir, já falava sobre essas "politicagens" corrompendo um meio que deveria ser essencialmente literário (mas nunca é).

Se algum dia eu fosse convidado a participar de uma agremiação de poetas, coisa da qual duvido, eu não aceitaria. Sou um homem do meu tempo, de um individualismo feroz.

Lembrei da frase do Goucho Marx, eu nunca entraria para um clube que me aceitasse como sócio.

@ Lau Siqueira,

Parabéns pelo blog, está bem organizado e o conteúdo é muito interessante. Mais uma prova de que a poesia ainda não está morta.

Saudações!

CHINFRAS e TALS

Luciana Marinho disse...

o melhor desse post foi ler essas poesias... teu hai-quase (hai-tudo) vermelho e alice ruiz!