Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2009
teatro


o bobo triste
fingiu que iria ao cinema

(suspiro)

não partiu por dentro da
noite absurdamente lua

(pigarro)

candeou as estrelas
com seu berimbau

(uau)

perdeu as trilhas
nas sinfonias do ar

(do bar)

(poema vermelho – lau siqueira)

LUIZ DE ALMEIDA
Uma grande pesquisa sobre o Modernismo Brasileiro. Assim é o blog Retalhos do Modernismo, de Luiz de Almeida. São textos e mais textos sobre o movimento de 1922 que tracionou a poesia contemporânea para fora dos dogmas literários. Um movimento que cresceu alimentado pelas vanguardas e por uma tradição que se eternizou pela atemporalidade. Não conheço outro espaço na internet com tamanha carga de informações sobre um mesmo tema. Confira!

FEIRA DO LIVRO
A Feira do Livro de Porto Alegre sempre foi um lugar sagrado pra mim. Não apenas para comprar livros nos balaios, em tempos duros. Mas, por ser um ambiente agradabilíssimo para .passear, encontrar os amigos e amigas, encontrar pessoas interessantes. Enfim, a Feira do Livro sempre me pareceu um tipo de civi…
macambúzio




.................a solidão
é um passo inseguro
pra dentro dos próprios
..................muros

e é como se em nada
além das palavras
..............houvesse luz

a solidão é esse barco
que jamais naufraga
ou sai da deriva

e no raso
que se espalha
protege fere e abriga

(lau siqueira – poema vermelho)

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS
Nem sempre o poema é apenas um artefato de linguagem. Algumas vezes, transborda nas escamas do peito. Quando escrito vira mesmo linguagem. No máximo, mergulha num silêncio absoluto. Coisas sentidas com o pensamento, e pensadas com o sentimento. Algumas vezes é como se o poema não estivesse sendo escrito, mas expelido da alma. Confessa algo? Logicamente que sim, mas... como sufocar o que transborda? Escrever poemas é, entes de tudo, transbordar-se. (Os distanciamentos de tal raciocínio, talvez sejam os mesmos entre o poema e a poesia.)

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS I
Que poema não é confessional? Sinceramente, existem alguns mitos em poesia que precisariam ser, minimamente, questi…
caminho luminoso




para nosotros
uma vida bem pequena

e um grande e luminoso
........................caminho

um lugar onde
andando é que se fica

e o que chega
permanece andando

até que os pés em ruínas
......................virem asas

(lau siqueira – poema vermelho)

JOSÉ SARAMAGO
“Não há diferença entre a escrita de um blog e a escrita literária", afirmou recentemente o escritor português José Saramago ao jornal Folha de São Paulo. E conclui: “Creio que para o público é indiferente esse debate. Querem ler coisas de qualidade e idéias." Claro que aqui enxuguei a resposta desse menino de 87 anos, ligado nas coisas do seu tempo. Saramago possui um blog, já divulgado por aqui. Confira! http://cuaderno.josesaramago.org/

JOSÉ SARAMAGO I
Um clássico contemporâneo. Poderíamos definir assim o escritor português. Com suas provocações e sua coragem estética, Saramago poderia muito bem ir dormir em paz todos os dias. Mas, ele sabe também das suas responsabilidades e não cala diante da ameaça ao mundo qu…
águas que pulsam
pululam aos ubres
na noite insalubre

(lausiqueira - terceto para o blog Poesia é Risco)

POESIA É RISCO
O terceto acima é, na verdade, um haiquase. Foi escrito em no celular e enviado para minha amiga Luyse Costa, com quem mantenho o blog Poesia É Risco. Todo sábado postamos um poema (eu) e um desenho (ela) com tema previamente escolhido. O tema do próximo sábado é “bailarina” que, certamente, não terá a mesma origem eletrônica. Mas, que tal criarmos o hábito de escrever poemas curtos para enviá-los aos amigos, pelo nosso telefone celular?

UM RONDEL SIMBOLISTA
Paul Verlaine, um dos mestres simbolistas, dizia que o simbolismo era, acima de tudo, música. Lendo o poema abaixo, do poeta simbolista português, se pode perceber o quanto há de verdade nisso. Essa organização do poema em três estrofes, com repetição dos primeiros versos em pontos específicos de outras estrofes, forma um tipo de composição poética chamada rondel. O rondel é uma forma poética de origem medieval, muito …
assimétrico
& compulsivo



.........pensamento
é plano sem planos
que aos brotos revela
ramagens

...............jamais raízes

sinais amputados duma
pele tramitando seus
imensos contrários

mastigando palavras
inundadas duma beleza
absolutamente inútil

(lau siqueira – poema vermelho)

ESCREVER É UM ABISMO
“Tem qualquer coisa em escrever poesia que leva um homem pra beira do abismo”, disse Charles Bukowski. Gosto de medir a coerência das frases. No caso, a coerência chega a ser o próprio abismo. Então fico pensando na empáfia dos que acreditam saber tudo de poesia. Como desvendar o infinito? Fico pensando, pensando... e a conclusão é a mesma sempre: não sei como nem quando será o próximo verso. A racionalidade na poesia é uma doença inevitável. A racionalidade é o próprio abismo.

POESIA E TRANSGRESSÃO
Algumas vezes percebo que há quem confunda a transgressão na linguagem poética com poetas embriagados e drogados. Palavrão não é transgressão de linguagem, porra! Falar sobre drogas, homossexualidade, …
aos predadores
da utopia




dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres

(do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos, lançado pelo selo Trema Editorial, em 1998)

OS TIGRES POR AÍ
Inesperadamente este poema foi sendo divulgado em diversos veículos e hoje acredito que é, disparado, meu poema mais conhecido e mais lido. Aqui mesmo, no Poesia Sim, onde privilegio poemas inéditos, este poema já foi publicado umas 5 vezes nos últimos 5 anos. Infelizmente, há que goste tanto do poema que prefira publicá-lo em blogs, orkut e até em coluna social, sem qualquer referência ao autor. Por isso, ainda pretendo publicá-lo no Poesia Sim outras vezes.

A CIRCUNSTÂNCIA DO POEMA
Acho que foi em 1997 que o ditador peruano, Fujimori, apresentou para a imprensa do mundo inteiro, um líder do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso numa jaula. Fiquei chocado e naquele instante escrevi este poema que, por sinal, nasceu pronto. Motivado politicamente, o poema foi tomando uma proporção existencial …
tulipas


a beleza
mora no hálito
das cores

e a beleza
é frágil

como oceanos
e cordilheiras

...

sobretudo
a beleza é eterna

na memória
das coisas não
vividas

(lau siqueira – poema vermelho)PROVOCAÇÃO NECESSÁRIA
Estava pensando sobre o que escrevi no post anterior acerca de certos aspectos da crítica. Muito especialmente acerca da crítica literária dos nossos dias e noites. Os críticos mais agudos da literatura contemporânea, geralmente, esquecem de refletir sobre suas próprias argüições. Quando escritores omitem suas culpas literárias. Na verdade, a literatura cresce na medida em que a crítica também cresce. Não se pode confundir rigor crítico com expressão de verdades estéticas congeladas. Somente isso. Sou um poeta extremamente ávido por discordar de mim mesmo. Não acredito numa crítica que não seja, minimamente, aberta às possibilidades. A Teoria Literária não é um fato consumado. OS BUFÕES DA CENA
Sinto que, algumas vezes, a vaidade determina opiniões absolutamente desnecessárias ao debate literár…
árido & ácido




cerzindo ventos
na paisagem

.................farrapo
duma simbiose de
............escambos


um nada comum
por entre falésias
.........e instantes

rugindo miras

como quem despe
risos descarnados
(poema vermelho – lau siqueira)

CRITICAR OU DESQUALIFICAR?
É lamentável o recorte que alguns críticos da literatura brasileira contemporânea buscam para justificar seus argumentos. Especialmente pelas suas escolhas na conceituação da contemporaneidade. Acabam confundindo pedantismo com erudição. Recentemente li, numa conhecida revista virtual, uma entrevista que muito me impressionou pelo desconsolo extremado. Um desconsolo estupidamente repartido entre entrevistador e entrevistado. (Desconfio de reflexões coletivas sem contraponto!) Mais uma vez confirmei que as dúvidas são as minhas melhores certezas. Afinal, a velocidade é a marca desse tempo de tragédias descartáveis e misérias indomáveis. Talvez o grande poeta brasileiro contemporâneo esteja, neste momento, inaugurando um blog. Como ana…