aos predadores
da utopia




dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres

(do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos, lançado pelo selo Trema Editorial, em 1998)

OS TIGRES POR AÍ
Inesperadamente este poema foi sendo divulgado em diversos veículos e hoje acredito que é, disparado, meu poema mais conhecido e mais lido. Aqui mesmo, no Poesia Sim, onde privilegio poemas inéditos, este poema já foi publicado umas 5 vezes nos últimos 5 anos. Infelizmente, há que goste tanto do poema que prefira publicá-lo em blogs, orkut e até em coluna social, sem qualquer referência ao autor. Por isso, ainda pretendo publicá-lo no Poesia Sim outras vezes.

A CIRCUNSTÂNCIA DO POEMA
Acho que foi em 1997 que o ditador peruano, Fujimori, apresentou para a imprensa do mundo inteiro, um líder do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso numa jaula. Fiquei chocado e naquele instante escrevi este poema que, por sinal, nasceu pronto. Motivado politicamente, o poema foi tomando uma proporção existencial e revelando outros caminhos. Em diversas oportunidades foi tema de debates sobre liberdade. É o meu poema mais traduzido, também. Italiano, espanhol, inglês... o poeta espanhol Joan Navarro traduziu para o Catalão.

CONCULT
Hoje estarei facilitando um grupo temático na II Conferência Municipal de Cultura, em João Pessoa: “Cultura e Economia Criativa”. O tema é novo no universo cultural da cidade. O conceito de Economia criativa nasceu na Austrália em 1994 e foi desenvolvido na Inglaterra do primeiro-ministro Tony Blair a partir de 1997. Foi a grande sacada do governo Inglês para superar a crise econômica que assombrava os países capitalistas centrais naquele período da história do mundo.

ECONOMIA CRIATIVA
Mas, vou citar como referência outro marco histórico. Monteiro Lobato, em 1930, decidiu encarar as dificuldades de distribuir nacionalmente seus livros num país com pouco mais de 20 livrarias. Escreveu uma carta para milhares de comerciantes (farmacêuticos, donos de bancas de jornais, de padarias, mercearias, etc.) com a seguinte pergunta: “Você quer vender, também, uma coisa chamada livro?” E assim criou uma rede de distribuição com mais de dois mil postos de vendas em todo o Brasil.

NO TEMPO DA DELICADEZA
A minha parceira no blog Poesia É Risco, Luyse Costa, estará expondo suas belas aquarelas na IV Semana de Democratização da Comunicação no período de 19 à 23 de outubro, no hall do CCTA – Departamento de Comunicação da UFPB. Vale a pena conferir “No tempo da delicadeza”, título da exposição desta jovem e talentosa artista paraibana.

PATROCÍNIO DA OI
Esta saiu em O Globo On Line. A partir de 15 de outubro estão abertas as inscrições para o edital de seleção dos projetos culturais que serão patrocinados pela empresa de telefonia Oi no próximo ano. Os recursos serão destinados para o financiamento, total ou parcial, de projetos aprovados em leis de incentivo à cultura. As inscrições para o processo de seleção estarão disponíveis até 16 de novembro por meio do site www.oifuturo.org.br ou www.oi.com.br . Artistas e produtores culturais podem concorrer com mais de um projeto. O programa incentiva iniciativas que valorizem talentos regionais e que possibilitem o intercâmbio de idéias e a convergência entre arte e tecnologia. Também são considerados omo aspectos relevantes a capacidade de formação de novas platéias, a criação de novas oportunidades de trabalho e de formação de artistas.

POEMA DE ADEMIR ASSUNÇÃO

a tarde aspira o aroma do insenso
a vida dura um tempo
mínima moldura onde flora e transfigura
o que se fez fundo, beijo, iluminura

e como se chama mesmo aquilo que se faz
em nós, nômades em paz na borda de um oásis
a brisa breve valsa sem nenhum alarde
névoa espessa, uma vez desfeita, nunca mais

(um belo poema do meu amigo Ademir Assunção, na revista Coyote número 19)

Comentários

Roberta disse…
"aos predadores da utopia" é belíssimo! Sua economia potencializa sua força e expressividade. Alcança, de fato, proporção existencial, a despeito da motivação política inicial.

Os bons poemas, acredito, são permeáveis às mais diversas fronteiras, capazes também de transcendê-las.

O poema que encerra esse post é um sopro da "brisa breve" que "valsa sem nenhum alarde", e que arranca da tarde o aroma e o tempo. Comovente!
Fama disse…
Olá, lindo seu blog. Poemas e Poesias são realmente encantadores! parabéns.
Visite meu blog também sou novata por aqui, mas o blog está legal é sobre artesanatos.abraços
Nydia Bonetti disse…
dentro de mim
morreram muito bichos

dos que sobreviveram
todos voam

muitos deles cantam
outros fazem mel

alguns (raros)
brilham no escuro

depois de ler Lau Siqueira :) bjos.

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