macambúzio




.................a solidão
é um passo inseguro
pra dentro dos próprios
..................
muros

e é como se em nada
além das palavras
..............
houvesse luz

a solidão é esse barco
que jamais naufraga
ou sai da deriva

e no raso
que se espalha
protege fere e abriga

(lau siqueira – poema vermelho)

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS
Nem sempre o poema é apenas um artefato de linguagem. Algumas vezes, transborda nas escamas do peito. Quando escrito vira mesmo linguagem. No máximo, mergulha num silêncio absoluto. Coisas sentidas com o pensamento, e pensadas com o sentimento. Algumas vezes é como se o poema não estivesse sendo escrito, mas expelido da alma. Confessa algo? Logicamente que sim, mas... como sufocar o que transborda? Escrever poemas é, entes de tudo, transbordar-se. (Os distanciamentos de tal raciocínio, talvez sejam os mesmos entre o poema e a poesia.)

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS I
Que poema não é confessional? Sinceramente, existem alguns mitos em poesia que precisariam ser, minimamente, questionados. Nada como um bom debate para que possamos usufruir desse dom maravilhoso que é o pensamento. Mas, o pensamento não pode, absolutamente, apresentar-se como algo estático. Pensamos na medida em que vivemos. O pensamento deverá ser necessariamente, o suporte para uma vida melhor, para uma poesia melhor...

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS II
Um amigo que admiro muito me fez uma provocação necessária. Lendo alguns tópicos do Poesia Sim, ele sugere um ensaio sobre o comportamento da crítica hoje, com suas vertentes virtuais e, algumas vezes, com erupções eruditas absolutamente desnecessárias e falsas. Ele tem toda razão quando afirma que, em alguns textos críticos, não sabemos o que realmente está posto. Algumas vezes parece que o ensaísta quer apenas chamar atenção para a profundidade rasa do próprio umbigo.

PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS III
Questiona-se sempre a qualidade da literatura que é, diariamente, despejada aos montes em blogs e sites. Realmente, a grande maioria não passa de exercício pessoal. O que não é negativo, de forma alguma, porque a nossa juventude jamais escreveu tanto. Isso já vale uma vida inteira! No entanto, devemos questionar, também, a qualidade da crítica que se apresenta como dona da verdade. Geralmente, sem o embasamento teórico necessário, emitindo opiniões bastante rudimentares. Ao invés de contundentes, esses “críticos” conseguem ser, apenas, grosseiros. Se pensarmos a fundo, realmente a internet é a bola da vez na divulgação da boa e da má literatura. Por aqui, encontramos praticamente toda a produção contemporânea. Mas, tanto em termos de literatura quanto de crítica literária, peneirar é preciso.

OS MAUS EXEMPLOS
Não acho que Arnaldo Antunes esteja, pelo menos, entre os dez poetas mais contundentes do nosso tempo. No entanto, respeito a sua produção poética. Mas, entre outras coisa,s o que acho inadmissível em termos de “crítica” é a publicação de textos como os de um tal Paulo Polzonof. Há alguns anos, no jornal paranaense Rascunho. Paulo gastou dois parágrafos referindo-se ao cabelo de Arnaldo de forma preconceituosa e pejorativa. Isso é crítica? Não tive estômago para ler o resto.

REAGIR É PRECISO
É claro que o jornal não sofreu qualquer abalo com o meu protesto, mas solicitei imediatamente o cancelamento da assinatura que, por sinal, era uma cortesia. Lembro que, na época, o editor me escreveu argumentando que aquele seria um espaço importante para a minha poesia. Eu respondi argumentando que esses espaços não me interessavam. E a prova definitiva veio logo após, com um texto ainda mais grosseiro, chamando Sebastião Uchoa Leite de “empilhador de sílabas”. O texto era do mesmo Polzonof. Provavelmente um cidadão muito mais vaidoso que apaixonado por Literatura. Certamente muito mais grosseiro que contundente.

A POESIA DE SÉRGIO DE CASTRO PINTO

o lápis
é um caniço
pensante

na maré
vazante
da linguagem

(O Lápis, poema do paraibano Sérgio de Castro Pinto. Do livro O Certo da Memória)

Comentários

Mirse Maria disse…
Lau!

Concordo principalmente com poetas e escritores, que insuflam a ânima com palavras em seu emprego, de cunho fora do âmbito normal para o entendimento do poema. às vezes, para mim, que também sou escritora, leio muito e entendo bastante de mitologia, é difícil acompanhar o raciocínio não claro do poeta.Que normalmente, responde ao comentário com um agradecimento e pronto. Ficando o leitor sem o entendimento do que o poeta ou escritor quis passar.

O uso adequado da linguagem, a construção do poema ou prosa, num linguajar objetivo, já subjetiva o pensar poético.

Essa é minha opinião. Nem toco ou leio pessoas que criticam outros. Cada um tem seu jeito e explana a palavra de modo que seja compreensível.

Oportununo seu debate!

Parabéns!

Abraços

Mirse
Dina disse…
Discordo.
lau siqueira disse…
Mirse, mas a crítica é necessária! O problema é que o que algumas pessoas fazem, não é crítica. É falta de respeito, mais que tudo. Independentemente disso, tem gente boa pensando criticamente a poesia contemporânea... enfim... sigamos em frente. O poema é o que se completa na leitura. Nunca um poeta pode recusar a parceria na feitura dos seus versos. O leitor é o primeiro olhar sobre a poesia... é onde as coisas acontecem. Portanto, poema algum é motivo de vaidade.
um beijo!
Lau

PS. Dina, cala a boca!
Modus disse…
Pois bem, uma máxima-poética: "o amor é uma flor rocha, que nasce no coração do trouxa". (Insecto M.)
Tenho por hábito, construir pontes, mesmo que alguns insistam ainda em erguer muros...
Adorei
Oriane

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