teatro


o bobo triste
fingiu que iria ao cinema

(suspiro)

não partiu por dentro da
noite absurdamente lua

(pigarro)

candeou as estrelas
com seu berimbau

(uau)

perdeu as trilhas
nas sinfonias do ar

(do bar)

(poema vermelho – lau siqueira)

LUIZ DE ALMEIDA
Uma grande pesquisa sobre o Modernismo Brasileiro. Assim é o blog Retalhos do Modernismo, de Luiz de Almeida. São textos e mais textos sobre o movimento de 1922 que tracionou a poesia contemporânea para fora dos dogmas literários. Um movimento que cresceu alimentado pelas vanguardas e por uma tradição que se eternizou pela atemporalidade. Não conheço outro espaço na internet com tamanha carga de informações sobre um mesmo tema. Confira!

FEIRA DO LIVRO
A Feira do Livro de Porto Alegre sempre foi um lugar sagrado pra mim. Não apenas para comprar livros nos balaios, em tempos duros. Mas, por ser um ambiente agradabilíssimo para .passear, encontrar os amigos e amigas, encontrar pessoas interessantes. Enfim, a Feira do Livro sempre me pareceu um tipo de civilização literária pampeana, dialogando com o mundo.

FEIRA DO LIVRO I
Alguns dos poucos livros que trouxe de Porto Alegre, comprados na Feira do Livro há mais de 25 anos, ainda estão comigo. Por exemplo, “À sombra das raparigas em flor” (Em busca do tempo perdido), do Marcel Proust, numa edição da antiga Editora Globo, com tradução de ninguém menos que Mário Quintana. Pérolas acessíveis para quem buscava qualidade e não a sofisticação.

FEIRA DO LIVRO II
Meu reencontro com a Feira do Livro, dia 12 de novembro próximo, se dará numa leitura de poemas com a gaúcha Laís Chaffe, o paulistano Edson Cruz e a paranaense Estrela Ruiz Leminski. É o sarau do projeto Cidade Poema. Depois me imagino caminhando pela Praça da Alfândega, paquerando edições raras, respirando aquele ambiente onde a literatura é o centro da cena. Me imagino visitando o Castelinho, onde participo de uma exposição e catálogo, a convite da artista plástica Sandra Santos e do poeta Alexandre Brito. Enfim...

PORTO ALEGRE
Estive participando do PortoPoesia2, um evento interessantíssimo que reúne poetas do Rio Grande do Sul inteiro em debates, recitais, performances. Um evento bonito de se viver. São dias e dias de Poesia. Ano passado o evento aconteceu no Shopping Total, este ano, o PortoPoesia3, aconteceu num lugar mais poético: a Casa de Cultura Mário Quintana. Praticamente no mesmo período, acontece em Bento Gonçalves o Congresso Brasileiro de Poesia, um outro evento de tradição na Serra gaúcha.

MÁRIO QUINTANA
Uma das lembranças mais doces que tenho de Porto Alegre tem a ver com um recital do Mário Quintana, na Biblioteca Pública Municipal (literalmente lotada!). Na verdade, eu era um freqüentador assíduo de espaços como a Biblioteca Pública, o Museu Julio de Castilhos (onde assisti filmes incríveis) e a Discoteca pública Natho Henn.

POEMA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

A folha branca é a tradução
mais aproximada do nada.
Por que romper essa pureza
com a palavra não milpesada?

A folha branca não aceita
senão a que acha que merece:
essa só sobrevive ao fogo
desse branco que é gelo e febre.

(O fazer poético, poema de João Cabral de Malo Neto. Colhido no livro Análise e Interpretação de Poesia, de José de Nicola e Ulisses Infante. Editora Scipione, coleção Margens do Texto)

Comentários

Roberta disse…
Lau, agradeço-te pela visita e pelas palavras acolhedoras.
Ando relendo Mário Quintana, desta vez numa antologia antiga que tenho, bastante deteriorada pelo tempo. Relê-lo torna-se então um duplo prazer mergulhado em saudade: fruir seus versos de delicada ironia, acesos no perfume da flor poética, relembrar a mim no tempo - tantos eus já tocaram aquele objeto amarelecido (não há kindle que substitua essa sensação).
Belo o vermelho do teu poema, entre estrelas que dançam, trilhas perdidas, sinfonia e berimbau.
Quanto à João Cabral, contido e ardido, em sua branca febre de criar. Jamais neutro.
Mirse Maria disse…
Belo poema, Lau!

No seu estilo incomfundível.

João cabral, em sua engenharia poética, deixa uma paigina em poema!

Muito bom!

Abraços

Mirse
Wania disse…
Lau querido!

Que delícia te ver falando de Porto Alegre! Também compartilho desta tua mesma opinião sobre a nossa Feira do Livro, lugar encantado! Passear por entre aqueles jaracandás floridos em copas e chão, rodeado de livros, é um paraíso para mim tb!

Bom saber que virás aqui participar deste evento tão lindo e importante para nós gaúchos, Quem sabe não nos cruzamos por lá!


Quanto ao teu poema vermelho:
Lindo teatro de palavras

(aplausos)


Quanto à João Cabral de Melo Neto e Quintana, sem comentários...eles falam por si!


Sucesso para ti em Porto Alegre!
Bjssss

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