arquipélago


surreal e cingido
como luas vermelhas
numa noite imunda
de estrelas

cuspindo silêncios
espumados no
repouso duma voz
sombria

volúpia das águas
num oceano denso
de estios

(((((((((((((( rio )


(lau Siqueira – poema vermelho)

EU COMI CARPINEJAR
Calma! É verdade, mas não é bem assim. Ocorre que uma das atrações da Feira do Livro de Porto Alegre é o stand Degustação Literária. Os poemas são impressos em um papel especial, de fibra de arroz, com sabores diferenciados. Depois de ler o poema podemos comê-lo. Li e comi um Fabrício Carpinejar. E digo mais: era delicioso.

ELE ERA UM CAVALHEIRO
Estava assistindo a amiga Laís Chaffe no stand da Degustação Literária, onde escritores são chamados para falar dos seus processos e da sua obra, com chapéu de Mestre Cuca e avental. Um senhor sentou do meu lado e começou a recitar Olavo Bilac no meu ouvido e ficou protestando: “ninguém mais recita Bilac! A juventude não conhece os grandes poetas.” Conversamos bastante. Ele é um militar reformado e tem 82 anos. Freqüentador assíduo da Feira. Se chama cavalheiro. (Esse é o espírito da Feira do Livro de Porto Alegre!)

CIDADE POEMA
O sarau Cidade Poema aconteceu na Arena de Histórias, um lugar muito bem transado. Comigo, participaram alguns poetas gaúchos, como José Antônio Silva, Laís Chaffe, Alexandre Brito, Sidnei Schneider, Christina Dias, Laís Chaffe e Paulo Seben. Um bom público na arena, muitos jovens. Não sei descrever o prazer de ter participado deste momento com poetas da minha terra.

O LUCRO DA FEIRA
Eu li algum tubarão lamentando a queda nas vendas em relação ao ano passado. Uma queda acentuada, de 17%. Eles não conseguem ver na Feira outro valor que não o valor comercial. Não sabem o quanto a Feira do Livro de Porto Alegre traz de benefícios para a cidade em muitos aspectos. Também não calculam o movimento da economia da cidade em muitos outors setores, durante a Feira. Desenvolvimento é uma coisa, lucro é outra. A Feira não pode se transformar num supermercado de Best Sellers somente para satisfazer os tubarões do livro e da leitura.

RATOS DE FEIRA
Quando morava em Porto Alegre estava entre os que freqüentavam a Feira diariamente. Não somente para comprar livros, pois não tinha dinheiro para isso. Mas, para respirar cultura junto aos acontecimentos paralelos, às pessoas, enfim... Ontem, das 16 às 20:30h, fiquei com os olhos fixos nos stands e nos balaios. Comprei muitos livros, mas sobretudo saciei a vontade de respirar a Feira. Sequer na Casa de Cultura Mário Quintana (a minha Meca) coloquei os pés. Hoje meu passeio se dará pela Casa, pelos museus e pelo belíssimo Memorial do Rio grande do Sul.

POEMA DE LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

Um dia, meu filho,
disse o velho índio
indicando o topo das árvores
como quem afasta um véu,
tudo isto será céu.

(publicado em adesivo pelo projeto Cidade Poema, lido por mim no sarau homônimo)

Comentários

Anônimo disse…
Agradecemos a sua atenção. Curta ao máximo, mas volte depressa!
Beijinhos sem mira.
Lílian Maial disse…
Quando eu digo que vc é um antropoefágico, vc não pode questionar, depois de ter comido Carpinejar!!!

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