devassidown


azul de oceania
infinito & invisível
(((((((((()))))()))))))
fumaça em círculos
((((((((((())))))()))))
cinzeiro yellow
de cinzas nicóticas
(((()((((((((((((((((((
certezas e finitudes
do pensamento
))))))))))))))))())))))
somente a arte nos
salva do abismo
))))(((())))(((())))((()
somente o abismo
nos preserva da
memória

(poema vermelho – lau siqueira, para o blog Poesia é Risco)

INFLUÊNCIAS AFETIVAS
Estive lendo uma matéria na revista Bravo 141 sobre uma edição das cartas que o poeta Mário de Andrade trocou com seu tio (na verdade casado com uma prima sua), Pio Lourenço Correa. É inegável a importância de alguns aspectos puramente afetivos na obra de qualquer artista. Mário costumava dizer que o sítio do seu “tio” Pio era a sua Pasárgada. Foi lá, por exemplo, que escreveu obras importantes como Macunaíma. Foi seu tio quem o acolheu na tristeza de ter perdido, precocemente, seu irmão. Enfim... Sentir é também criar. Criar é, sobretudo, sentir = pensar. O poeta pensa o que sente e sente o que pensa.

POESIA E PRECONCEITO
Existe poema racista? Acho que sim. Aliás, tenho certeza. Lembro de um poema de Mário Quintana, dizendo que as “negrinhas” quando tiravam a roupa pareciam ainda estar vestidas. Também um de Oswald de Andrade, escreveu algo que além de racista era homofóbico. Ele escreveu um poema chamado Boneca de Piche, supostamente dedicado ao Mário de Andrade. Um poema motivado pelas desconfianças que mantinha acerca da sexualidade do autor de Macunaíma e pela cor da sua pele. Feio isso, mas faz parte da história da literatura brasileira. Também Raquel de Queiroz fez um comentário infeliz: “Se Mário de Andrade tivesse assumido a sua homossexualidade, teria sido mais feliz.” Ora, quem disse que ele era infeliz?

MÁRIO DE ANDRADE
Admiro profundamente dois modernistas, Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Mário, além de poeta maiúsculo, foi um grande pesquisador da Cultura Popular brasileira. Também foi o primeiro gestor de cultura do Brasil, idealizador do então Departamento de Cultura do Estado de São Paulo. Foi afastado por questões políticas, mas sua herança ainda pode ser percebida. Por exemplo, ele foi o precursor do que hoje é a política de preservação do patrimônio histórico e que resultou no IPHAN e IPHAEPs.

SALA DE AULA
Sou um cara com uma vaidade bastante “esquisotérica”, mas reconheço que algumas coisas me deixam com o riso nas orelhas. Por exemplo, nesta última sexta-feira estive com alunos do Departamento de Letras da UFPB que estão estudando meu livro, Texto Sentido, na cadeira de Teoria da Poesia. Foi um dos momentos mais agradáveis da minha vida de poeta, tenham certeza. Além da turma receptiva e simpática, descobri alguns poetas que vou reproduzindo aos poucos neste blog. Tiramos fotografias, autografamos livros, conversamos descontraidamente... Espero que tenham gostado. Eu adorei. Espero ter contribuído de alguma forma com a formação dessa meninada bacana.

INFLUÊNCIAS AFETIVAS II
Inevitavelmente sempre há quem nos dê a mão para ingressarmos nos processos criativos da Literatura. No meu caso, foi minha irmã, Leceni, hoje professora de Português e Literatura em uma escola pública de Cascavel-PR. Leceni me apresentou aos livros ainda na infância e, mais do que isso, ao prazer da leitura. Por isso, muito mais que poeta, graças a Zeus, sou um leitor de Poesia. Aliás, o leitor é muito mais importante que o escritor, conforme dizia Jorge Luiz Borges. O escritor faz o que pode já o leitor escolhe. O leitor é seletivo, o escritor, nem sempre.

POETAS DA SALA DE AULA
Mais do que o papo agradável com os alunos foi bacana ter descoberto o haikaista Felipe D’Castro e o poeta Alex Luiz Roque. Abaixo, com muito prazer, publico três haikais do Felipe e um poema do Alex. Tem mais gente escrevendo naquela turma, mas a timidez não permitiu o acesso. Espero que, pelo menos, por e-mail, tenham a gentileza de revelar seus dotes ao pobre do Lau Siqueira.

Olhar de verão.
No olho verde a aurora
Almejos de velhice.


(Felipe D’Castro)

Tempestade incessante
A aurora não surge.
Vida de inverno.


(Felipe D’Castro)

Dois de novembro
Do céu, chuva costumeira.
Dia anual do choro.


(Felipe D’Castro)

ESTAGNAÇÃO PELA FALA

.........no corpo da fala
A linguagem é chama que arde em silêncio
Num gesto tantas vezes cobiçado

.........de se conceder
A vingança pela palavra proferida
Em fábula infame numa estética arcaica

..........simplesmente muda
E teorizada à bala numa sílaba certeira.

(poema de Alex Luiz Roque)

PONTO FINAL
Concluo refletindo sobre a magnitude de reconhecer que esses meninos estão escrevendo melhor que muito marmanjo pretensioso que freqüenta a mídia por uma questão de circunstância. A Poesia, nossa musa preferida, sempre é bem maior que os poetas. Ah, antes que esqueça: o Ponto Final é um círculo... representa, pois, algo interminável.

Comentários

Felipe D´Castro disse…
Muito obrigado, Lau! Quase tive um troço quando vi os haikais! Estou procurando evoluir a cada vez mais, espelhando-me, claro, em poetas como você, o Saulo e assistindo as aulas de Amador. Tô sendo bem "treinado" ^^.
Abração! E mais uma vez,
obrigado!
(Inclusive esse primeiro é bstante parecido com um do Saulo, meu "mestre inconsciente" kkk !!!)

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