espasmo



a tristeza
é um lobo mirando
estrelas numa noite
>>>>>>>>sem lua

nunca sabemos
de onde os uivos
arrancarão a pele

e os pelos
do que sibila
no olhar

e tão somente
guarda-se num
vazio íngreme

valente

como quem
todo dia
morre sorrindo


(lau siqueira – poema vermelho)

AS RAZÕES DO POEMA
O poema, não raras vezes, nasce de alguma coisa muito próxima da realidade. No entanto, Pessoa tinha razão. Nunca é mais que algo absolutamente irreal, fingido (ou quase)... As palavras são despidas de sentimentos. Já os sentimentos, não. Nem sempre. Algumas vezes eles nascem na pele das palavras. No tênue de uma derme que não se decompõe nem mesmo no mais absoluto silêncio.

MINICONTOS
Escrevi um texto sobre o livro de Marcelo Spalding e Laís Chaffe, dois escritores gaúchos. Espantou-me profundamente a capacidade que tiveram de publicar uma obra dupla, com tamanha unidade. Marcelo e Laís são gaúchos. Escritores e empreendedores dessa grande ciranda da economia da cultura. Confira aqui o texto sobre o livro! (
http://lau-siqueira.blogspot.com/)

CONSCIÊNCIA NEGRA
Hoje participei de uma mesa de abertura de um Seminário da Consciência Negra. Encanta-me sempre a possibilidade de implantação de políticas públicas que sejam a sustentação de ações realmente transformadoras. Desencantam-me as vaidades e as apropriações indébitas da história. Nós, poetas, temos um compromisso histórico com as lutas por igualdade. Os poetas do romantismo brasileiro, por exemplo, eram militantes da vanguarda abolicionista. Estavam ombro a ombro com Zumbi dos Palmares.

POETAS CONTRA A HOMOFOBIA
A violência tem muitas faces. Uma das mais visíveis é o preconceito. Seja de que tipo, de que matiz for... Lá na Feira do Livro eu li na capa de um livreto sobre homofobia, uma frase de Albert Einstein que dizia mais ou menos assim: “que sociedade é esta, onde é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito”. No blog do Antônio Cícero, podemos acessar a votação de uma lei contra a homofobia. Visite-o!
http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/lei-contra-homofobia.html

IGUALDADE
Hoje ouvi um cidadão falar de utopia, como se utopia fosse o irrealizável. Engano, amigo. As utopias nos ensinam a caminhar pelo mundo, transformando as coisas consideradas imutáveis.

POEMA DE PAUL ÉLUARD

Apenas desfigurada

Adeus tristeza
Bom dia tristeza
Estás inscrita nas linhas do teto
Estás inscrita nos olhos que amo
Não chegas a ser a miséria
Pois os lábios mais pobres te denunciam
Por um sorrisoBom dia tristeza
Amor dos corpos amáveis
Potência do amor
Cuja amabilidade surge
Como um monstro sem corpo
Cabeça desapontada
tristeza belo rosto

(ÉLUARD, Paul. La vie immédiate. Paris: Gallimard, 1981. Tradução do próprio Antônio Cícero, em seu blog cujo link vc pode encontrar aqui no Poesia Sim)

Comentários

Se não utopia, porque levantar da cama.

Se não poesia, ainda seremos humanos?
Valeska Asfora disse…
E eu fico mesmo sem saber se a gente lê a poesia ou se a poesia é que lê a gente...Mais uma para a coleção das minhas favoritas!
Valeska Asfora disse…
E eu fico mesmo sem saber se a gente lê a poesia ou se a poesia é que lê a gente...Mais uma para a coleção das minhas favoritas!
susannah disse…
A poesia transfigura aquilo que se nos avizinha, aquilo que é experiência. Você bem coloca que ela emerge da pele das palavras... A consciência dessa intermediação é tudo para evitar o dizer as coisas: a poesia que diz morre sob o autoritarismo da língua; a poesia que cala nasce liberta. Perseguir isso é o risco: "nunca sabemos / de onde os uivos / arrancarão a pele" (não deu pra não ver esse gesto na sua poesia).
Bjs!
Luciana Marinho disse…
muito bonita a companhia das tristezas do teu poema e do de eluard..

nunca sabemos
de onde os uivos
arrancarão a pele

beijo
=)
hannah disse…
Um lobo, a tristeza, um monstro sem corpo, que uiva e arranha.
Roberta disse…
Além da excelência da poesia de Paul Éluard, e o seu vermelho vivo de lobos sem luas, ótimas reflexões acerca dos por ques inúmeros da poesia, além da pertinente divulgação de campanhas que visem combater o preconceito. Há sempre uma abrangência que permite a cada visita um acréscimo no que diz respeito à fruição artística e ao pensamento crítico. :)

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