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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

somneto



na desinvenção de tudo
flores sumiram da janela
e nuvens desceram como
estrelas de intenso brilho

paredes forjaram pavios
e tudo feneceu num oco
de folhas sombreando
uma arapuca de ventos

exasperação do escuro
duma lágrima que bruma
num olhar escarpado

alamedas diluídas num
rosto nômade y noturno
- mordendo espumas

(lau siqueira – poema vermelho)

POESIA DIGITAL
Não sei quando vou publicar meu próximo livro. Nem sei se vou publicar meu próximo livro. No entanto me alegram as visitas que dizem Poesia Sim. Circunstâncias aladas e instantâneas como essa prática de escrever um poema e colocar numa garrafa, jogado-a ao mar. Esse mar de cibercoisas que nem sempre sabemos traduzir com exatidão, apesar das teses, apesar do tesão...

A PALAVRA SAUDADE
Penso que somente tenho saudade das coisas que não vivo. Dos momentos de ternura que não desfruto. Dos amores que não reparto. Dos delírios que me atam no espaço. A palavra saudade, algumas vezes, não machuca... arde!

DENUNCIO!
Minha filha, Mariana, concluinte de Design de Interiores no IFPB, deficiente auditiva oralizada, lamentavelmente foi impedida de fazer teste para estágio em uma empresa daqui de João Pessoa. Mesmo com seu curriculum aprovado e indicado pelo CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola. E o motivo externado pelo CIEE foi exatamente este: é deficiente auditiva e a empresa não aceita! Uma deficiência que não a impede de lidar com destreza com softwares como AutoCAD, Cinema D4 e realizar com perícia, tarefas de renderização, projeto e decoração de ambientes. Vou acionar o Ministério Público.

OS MEIOS DA MENSAGEM
Recebi por e-mail dois poemas de muita contundência. Coisa de calar algumas cabecinhas estreladas da poesia contemporânea. Nunca tinha lido nada da sua autora, Magna Moraes. Com autorização da mesma, cumpro a ousadia de publicá-los aqui no Poesia sim. Imensa é a alegria de tê-la descoberto neste universo cibernético. Os poemas de Magna fecham a boca dos críticos incautos da poesia que hoje circula na rede. É possível sim, num garimpo apurado, encontrarmos textos de qualidade indiscutível. A prova está aqui.

DOIS POEMAS DE MAGNA MORAES


Duelo

Nos dias em que sou santa
lavo os pés do amante

Nos dias em que sou bruxa
lhe cuspo na cara

Sou gota de lágrima
ou língua afiada?

Sou pingo de chuva
ou ponta de faca?

Maria? Messalina?
Canto a noite ou dia?

Faço um filho
ou sigo sozinha?


São Jorge

O galopador de mundo me guia
Para o lado esquerdo das coisas
Em direção à mudez dos astros
E à transparência dos gestos
Palavras: só as onomatopaicas
E nas noites profundas: os risos
Nada para se compreender
Exceto a luz e a sombra do cavalo
Nenhum rastro de Deus
Nem do homem,
que pisou na lua
e se perdeu

(recebi os dois poemas por e-mail da professora e escritora Joana Belarmino. Publico com a autorização da própria autora)

7 comentários:

Roseli disse...

Lau, estou solidária contigo, com Mariana e com tua famílía.
Tenho uma sobrinha mulata, e fui eu e minha mãe quem criamos, sei o que é pré-conceito e preconceito e o que ele faz na cabecinha delas que estão começando.
Acima de tudo é uma ótima oportunidade pra vocês ensiná-la a assumir seu lugar no mundo onde há pessoas com deficiências de caráter, o que faz das pessoas com limitações físicas algo fácil de se resolver, é só querer.
Tenho lido seu blog Poesia é Risco e Cores. Lindo dueto!
Torcendo por vocês!

Roseli Vaz

Grupo Cero VersoB disse...

Olá, Lau,
"Desinventar" é ótimo...

Já que para construir devemos destruir primeiro...

"Quando tudo está destruído
a única possibilidade é poética".
Miguel Oscar Menassa

abraço aqui do sul,

Grupo Cero VersoB disse...

Olá, Lau,
"Desinventar"... é ótimo!

Pois para construir devemos primeiro
destruir.

"Quando tudo está destruído
a única possibilidade é poética."
(Verso de Miguel Oscar Menassa)

um abraço desde o sul,

lírica disse...

Gostei muito do "duelo" Lau!
Parabéns!
Tens coisas lindas aqui.
Volto!

Lírica

Nydia Bonetti disse...

Eu digo smpre sim, à poesia, ao poeta que não cala diante das injustiças e das imbecilidades e à democratização da poesia através da rede.

Achei linda a imagem do poema colocado na garrafa, jogado ao mar... Quem tiver olhos de ver e de sentir, que a encontre...

beijo, Lau!

adazani disse...

Lau,
Eu o incentivo a acionar o MP, sim, juntamente com Mariana. Estarão, desta forma, auxiliando a inúmeras Marianas que cotidianamente são privadas de direitos assegurados na Constituição pela visão tacanha e preconceituosa de parte do empresariado.
Ela encontra-se totalmente amparada pelo art. 7º da Constituição que proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão da pessoa com deficiência.
Mais que tudo, essa empresa, se for possível saber seu nome, deve ser denunciada publicamente como discriminadora que é. Porque ainda que não se importem com o ser humano, importam-se - e muito - com a opinião pública.
Abraços e muita força para vocês!
Ada

SAM disse...

Lau ,

estou completamente indignada com este fato que na verdade representa mais um ato de violência contra os direitos humanos representado pela discriminação odiada por qualquer cidadão. É mesmo caso de providência judicial e busca na área do Ministério Publico uma interferência neste quadro concreto, que na verdade, o que se vê deve ser uma visão discriminatória que atinge a todos que têm uma deficiência. Não é possível!!!


Abraço