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Mostrando postagens de Dezembro, 2009
solos do silêncio



saudade é doce
que amarga no ato
diagonal do existir

coisa de quem pensa

(viver
implica sentir profundo
a delicadeza de
quando as máscaras
estão nuas
sobre a serragem que
cobre o chão dos
trigais...)

saudade é doce
que amarga no ato
diagonal do existir

coisa de quem pensa

(lau siqueira – poema vermelho)

UM NOVO ANO NOVO
Escrevo para o blog nas últimas horas de 2009. Um ano de poucos avanços, mas muitos aprendizados. Um ano de resistência, de vontade, de sonhos decaídos... mas, realidades transformadas. Vamos para 2010 com asas de quem sabe que muito mais que pelo vôo, a beleza do pássaro está na verdade do canto. Ir em frente, sempre. Levar as mesmas bandeiras, ainda que caminhemos com os olhos vendados para não nos perdermos do invisível.

DO POEMA E SUAS RAZÕES
Tem poema que explode em linguagem e nos tornamos seus cavalos de tróia, a inventar as surpresas de uma racionalidade completamente disponível para os batuques da invenção. Tem poema que pede para nascer. E o parto torna-se um jo…
Escala

Às vezes, quando estou de um jeito
que nem mais a tristeza incomoda
penso que minh’alma é uma escada.

Então vou subindo, palavra por
palavra... Separando as sílabas
conforme a capacidade de
armazenagem dos meus bolsos. Até
que a poesia acena para mim de
alguma janela.

E depois some como o vôo que fica na memória
tamanha a beleza do pássaro.

(LS, poema do quarto livro, Texto Sentido)

POR UM CAMINHO LUMINOSO EM 2010
Que todos os dias do Ano Novo, sejam dias de reconstrução e de uma esperança que não se rende. Que cada instante seja concebido na certeza de estarmos no mesmo caminho, na mesma luta por liberdade e felicidade repartida... Que a busca pela paz, seja uma constante em nossas casas ou em nossos países. Que cada um de nós consiga perceber que o sonho de um mundo mais justo depende das nossas atitudes. Que as nossas utopias nos ajudem a seguir em frente, sempre. Feliz 2010 para os que trabalham por um mundo mais justo. Para os que não trabalham... boa sorte. Adelante!

O BALANÇO QUE BAL…
por que
escrevo poemas
curtos?

(eu
an
do
em
bus
ca
do
sil
ên
cio)

(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos, republicado na edição de Predadores, pelo projeto Dulcinéia Catadora)TESTAMENTO?
Ando pensando seriamente em reunir alguns poemas dos meus quatro livrinhos e realizar uma edição capaz de congregar algo representativo da minha produção. Logicamente que neste volume, não poderiam faltar os inéditos. Afinal, são poemas e mais poemas escritos e pouco mais de 200 publicados em livro. Creio que está no momento de reunir, pelo menos, os cem poemas que considero mais significativos e tentar uma publicação de maior fôlego. Detalhe: não estou disposto a pagar o olho da cara por isso. Caso não haja interesse de editoras acerca desse projeto, devo enfiá-lo em alguma lei de incentivo.

REVEILLON
Ainda bem que moro em João Pessoa e posso tranquilamente, descer a Avenida Epitácio Pessoa para brindar um 2010 ouvindo as belas canções cubanas que se agruparam no Buena Vista Social Club. Depois do Buen…
poemas noturnos


as folhas do coqueiro
não dormem

balançam o sono
do quintal

(poema do meu livro, o Guardador de Sorrisos, Trema Edições, 1998)

ARTE EM TODA PARTE
Estive em Olinda sábado passado, visitando alguns ateliês do projeto Arte em Toda Parte. O Movimento da Ribeira, levado pelos artistas plásticos da cidade há 45 anos, propõe a abertura de todos os ateliês, para estudantes, artistas, turistas, pessoas interessadas em arte. E eles ficam lá conversando, atendendo o público. Como Luciano Pinheiro e a genial Guita Chafifker. É muito lindo! Olinda é uma cidade que respira cultura, o ano inteiro. Uma cidade que luta, também, contra as suas mazelas tem no patrimônio histórico e na arte um dos vetores mais importantes do seu desenvolvimento. Preservar é preciso!

ENCONTRO DE COCOS
A cidade de João Pessoa sedia o I Encontro de Cocos do Nordeste, promete. Estarão reunidos cantadores, tocadores e dançadores de diversos municípios da Paraíba e Pernambuco, além de grupos convidados do Rio Grande d…
olho de arroio



estou cercado
de silêncios

vivendo
no tempo das
memórias sumidas


cuspindo um hálito
áspero



como lágrimas
do chão

(lau siqueira – lau siqueira – série Poesia Sim. Poemas que podem ser mudados ou mesmo excluídos a qualquer tempo)

MOVIMENTO E PAUSA.
Escrever o poema, algumas vezes, metade é não pensar em nada e não sentir. A outra metade é pensamento em mergulho e sentimento raro. Escrever poemas não é só montar o limbo das palavras. Manter-se ereto sobre elas. É, ao contrário, muitas vezes valer-se do tombo para uma expressão mais definida. Para que os silêncios digam coisas com suas vozes de nunca mais. (Pode até ser, mas, não há de sempre ser assim.)

POESIA POR AÍ
Tenho lido bons poemas, muitas vezes recebidos por e-mails. Poemas que jamais foram publicados em livro ou mesmo em revistas. Foi assim que li bons textos de Luciana Marinho, por exemplo, enviado pelo Orkut. Agora, mostro aqui a poesia de Susannah Busato.

Um corvo à espreita
Susanna Busato

não mais
outra vez não
mais outra
vesga …