olho de arroio



estou cercado
de silêncios

vivendo
no tempo das
memórias sumidas


cuspindo um hálito
áspero



como lágrimas
do chão

(lau siqueira – lau siqueira – série Poesia Sim. Poemas que podem ser mudados ou mesmo excluídos a qualquer tempo)

MOVIMENTO E PAUSA.
Escrever o poema, algumas vezes, metade é não pensar em nada e não sentir. A outra metade é pensamento em mergulho e sentimento raro. Escrever poemas não é só montar o limbo das palavras. Manter-se ereto sobre elas. É, ao contrário, muitas vezes valer-se do tombo para uma expressão mais definida. Para que os silêncios digam coisas com suas vozes de nunca mais. (Pode até ser, mas, não há de sempre ser assim.)

POESIA POR AÍ
Tenho lido bons poemas, muitas vezes recebidos por e-mails. Poemas que jamais foram publicados em livro ou mesmo em revistas. Foi assim que li bons textos de Luciana Marinho, por exemplo, enviado pelo Orkut. Agora, mostro aqui a poesia de Susannah Busato.

Um corvo à espreita
Susanna Busato

não mais
outra vez não
mais outra
vesga vez:
o sempre cega a voz
da entrega em mim talvez
no corpo à risca
de ser nunca
ma(i)s a outra
da vez.

Postes
Susanna Busato

Na resistência da tarde
espreito esquinas:
solitários, os postes se
entreolham se
desejam nas
vielas e
virilhas.


LER-SE NO OUTRO
Escrever poemas é um pouco isso, também: ler-se no outro. Essa coisa de escrever-se, também. Tatuar-se num espelho d’água, com tintas e cores do sol e das nuvens. Ou, quem sabe, música dos átomos. Enfim, modernidade e ancestralidade... imensidões imprecisas, perdidas do próprio esquecimento. Enfim, o racional de uma teoria cuspida na pele de cada poema, sem explicações codificadas... Mas, também um mergulho insano num abismo, de onde metade de todas as metades, jamais volta com a mesma maleabilidade da argila molhada que um dia foi.

OS POETS NO PELE SEM PELE
Tenho escutado bastante o CD dos PoETs. Escrevi um texto, que devo publicar no meu outro blog, o Pele Sem Pele. Procure os PoETs, no youtube.

Comentários

Luyse disse…
Não importa. É solidão e fim.
susannah disse…
Lau, para falar de poesia só a poesia e sua diccção e vc, na sua metalinguagem, traz o que a poesia revela: participação do leitor no texto, participação do autor no mundo, participação da palavra no universo das palavras plenas de sentido em busca de um gesto que lhes retire do limbo. Eu vejo a poesia assim, pedra esculpida, sólida e rara, armação de ritmo e som, plena da nossa carne.
nydia bonetti disse…
Também gosto demais da poesia de Susanna, Lau. Um nome a ser guardado. Beijo.
piso laminado disse…
Adoro poesias
bjs Paula
Boa poesia.

Na minha opiniao a poesia e um dos melhores meios de se expressar.

Postagens mais visitadas deste blog