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domingo, 20 de dezembro de 2009

por que
escrevo poemas
curtos?


(eu
an
do
em
bus
ca
do
sil
ên
cio)

(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos, republicado na edição de Predadores, pelo projeto Dulcinéia Catadora)

TESTAMENTO?
Ando pensando seriamente em reunir alguns poemas dos meus quatro livrinhos e realizar uma edição capaz de congregar algo representativo da minha produção. Logicamente que neste volume, não poderiam faltar os inéditos. Afinal, são poemas e mais poemas escritos e pouco mais de 200 publicados em livro. Creio que está no momento de reunir, pelo menos, os cem poemas que considero mais significativos e tentar uma publicação de maior fôlego. Detalhe: não estou disposto a pagar o olho da cara por isso. Caso não haja interesse de editoras acerca desse projeto, devo enfiá-lo em alguma lei de incentivo.

REVEILLON
Ainda bem que moro em João Pessoa e posso tranquilamente, descer a Avenida Epitácio Pessoa para brindar um 2010 ouvindo as belas canções cubanas que se agruparam no Buena Vista Social Club. Depois do Buena Vista, os fogos e, finalmente, o som eletrizante do baiano Armandinho, bom herdeiro dos antológicos Dodô e Osmar. Ele é filho de um dos dois (ou dos dois, não sei). Um grupo afeito a politicagem coronelista, no entanto, vai promover um outro réveillon na cidade com o grupo Calypso. Nada contra o grupo. Tudo contra aqueles que tentam transformar o que deveria ser ação de política pública, em terreno de disputa eleitoral. Na Paraíba, tenho dito, o réveillon está defasado. O ano de 2010 começou em 2009.

POLÍTICA
Geralmente os escritores contemporâneos tentam passar magnânimos, ao largo da conjuntura política do país, dos estados e mesmo das cidades onde vivem. Alguns, são meramente cooptáveis e acabam aceitando cargos, por vaidade e ambição. Outros, assumem uma postura cidadã, como os poetas do romantismo brasileiro em relação ao império e à escravidão. Em tempos de preservação da natureza e de agro ecologia, assusta a possibilidade de termos um presidente de nome Serra, com propostas tão devastadoras quanto as do PSDB.

POESIA?
Tenho, sinceramente tentado escrever poemas. Sinceramente, nos últimos tempos não tem sido assim tão fácil. Sento em frente ao computador, vasculhando memórias e inundando a minha capacidade de correr o risco de um poema. Nada acontece. Quando as coisas estão assim, prefiro mudar de assunto. Ao invés de poema, leitura. Ao invés de poema, música. Ao invés de poema, poesia. Todo dia um sabiá canta na minha janela...

DESCULPAS
Estou com problemas para conectar em casa, por isso meus posts estão mais que atrasados. Peço, pois, desculpas aos visitantes do blog Poesia Sim. Espero em breve sanar este problema.

POEMA DE CHARLES BAUDELAIRE

A Natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam sair às vezes palavras confusas:
Por florestas de símbolos, lá o homem cruza
Observado por olhos familiares.

Tal longos ecos longe onde lá se confundem
Dentro de tenebrosa e profunda unidade
Imensa como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se transfundem.

Perfumes de frescor tal a carne de infantes,
Doces como o oboé, verdes igual ao prado,
- Mais outros, corrompidos, ricos, triunfantes,

Possuindo a expansão de um algo inacabado,
Tal como o âmbar, almíscar, benjoim e incenso,
Que cantam o enlevar dos sentidos e o senso.

(da antologia: Poetas Franceses do Século XIX, Editora Nova Fronteira. Organização e tradução de José Paulo Paes)

2 comentários:

susannah disse...

Lau, impossível não dizer que mergulhado numa floresta de signos, sentir e desnudar-se para as sensações são gestos que vc mesmo aponta como trilhos que o levam para o "não sei onde". Baudelaire que o diga. E qd eu tb não escrevo, leio e canto, em voz alta, danço e ensaio um passo, e é como se tivesse escrito e dançado tudo meu, a noite inteira. (Ah! eu tb escrevo versos curtos, pra fazer pensar... o universo).
Bjs!

Nani disse...

Paim, pois taremos la ouvindo as belas musicas de buena vista!