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Mostrando postagens de Novembro, 2009
topografia
toda dor
tem seu curso
final e sua primaz
agonia

é como uma estaca
atravessando o córtex e o
abdome com felpas
espinhentas sem nome

toda dor
tem seu curso
final e sua primaz
agonia

antanho de distâncias
fado vezes afônico
e cuspido do circo vital
- fruto já sem casca

toda dor
tem seu curso
final e sua primaz
agonia(lau siqueira – série Poesia Sim. Poemas que podem ser mudados ou mesmo excluídos a qualquer tempo)

ESCREVER ENTRE OS CAMINHOS
Concordo com Edgar Morin, quando diz “Não escrevo de uma torre que me separa da vida, mas de um redemoinho que me joga em minha vida e na vida” (em Meus Demônios). Todo poema é produto de uma circunstância. Seja ela emocional, intelectual ou difusa. Algumas vezes parece que o poema bebe nessas três fontes. E arrebenta as emoções de quem escreve ou lê, em cada palavra; e lapida com rigor as madeixas do excesso... mas, principalmente, todo poema é um mergulho num absurdo abismo, onde não sabemos o que será e se o que fica. Todo poema é sempre um eterno e incon…
cabaré jamaica



na vida há
sempre uma
despedida

ponte & vírgula
da partida

preâmbulo dum
silêncio hirsuto

expirado
no que morre
nascedouro

(...e um rio
corre em mim)

(lau siqueira – poema vermelho)

HOTEL JAMAICA
Ontem fui levar uma das minhas filhas, Mariana, no aeroporto Guararapes, em Recife (hoje levo a outra, de muda pra Goiás). Cansado para pegar a estrada de volta para João Pessoa naquela hora noite alta, decidi pernoitar no estabelecimento mais próximo com cara de hotel. Pernoitei no Hotel Jamaica. Na verdade, um elo rotativo da cadeia do sexo barato na capital de Pernambuco. Uma cama de casal, uma TV com alguns canais (dois pornô)... sequer um frigobar. Mas, por R$ 40,00, não dormi na BR 101. Lá, esta madrugada, escrevi o poema acima. Na verdade, pensando em Tristan Tzara e seus hábitos dadaístas no Cabaré Voltaire (que nada tinha a ver com o Hotel Jamaica), em Genebra.

SÃO DEMAIS OS PERIGOS DADAÍSTAS
Um “perigo” invadia o mundo naquele momento histórico, o comunismo. A polícia secreta suíç…
somneto



na desinvenção de tudo
flores sumiram da janela
e nuvens desceram como
estrelas de intenso brilho

paredes forjaram pavios
e tudo feneceu num oco
de folhas sombreando
uma arapuca de ventos

exasperação do escuro
duma lágrima que bruma
num olhar escarpado

alamedas diluídas num
rosto nômade y noturno
- mordendo espumas
(lau siqueira – poema vermelho)

POESIA DIGITAL
Não sei quando vou publicar meu próximo livro. Nem sei se vou publicar meu próximo livro. No entanto me alegram as visitas que dizem Poesia Sim. Circunstâncias aladas e instantâneas como essa prática de escrever um poema e colocar numa garrafa, jogado-a ao mar. Esse mar de cibercoisas que nem sempre sabemos traduzir com exatidão, apesar das teses, apesar do tesão...

A PALAVRA SAUDADE
Penso que somente tenho saudade das coisas que não vivo. Dos momentos de ternura que não desfruto. Dos amores que não reparto. Dos delírios que me atam no espaço. A palavra saudade, algumas vezes, não machuca... arde!

DENUNCIO!
Minha filha, Mariana, concluinte …
espasmo



a tristeza
é um lobo mirando
estrelas numa noite
>>>>>>>>sem lua

nunca sabemos
de onde os uivos
arrancarão a pele

e os pelos
do que sibila
no olhar

e tão somente
guarda-se num
vazio íngreme

valente

como quem
todo dia
morre sorrindo

(lau siqueira – poema vermelho)

AS RAZÕES DO POEMA
O poema, não raras vezes, nasce de alguma coisa muito próxima da realidade. No entanto, Pessoa tinha razão. Nunca é mais que algo absolutamente irreal, fingido (ou quase)... As palavras são despidas de sentimentos. Já os sentimentos, não. Nem sempre. Algumas vezes eles nascem na pele das palavras. No tênue de uma derme que não se decompõe nem mesmo no mais absoluto silêncio.

MINICONTOS
Escrevi um texto sobre o livro de Marcelo Spalding e Laís Chaffe, dois escritores gaúchos. Espantou-me profundamente a capacidade que tiveram de publicar uma obra dupla, com tamanha unidade. Marcelo e Laís são gaúchos. Escritores e empreendedores dessa grande ciranda da economia da cultura. Confira aqui o texto sobr…
arquipélago


surreal e cingido
como luas vermelhas
numa noite imunda
de estrelas

cuspindo silêncios
espumados no
repouso duma voz
sombria

volúpia das águas
num oceano denso
de estios

(((((((((((((( rio )

(lau Siqueira – poema vermelho)

EU COMI CARPINEJAR
Calma! É verdade, mas não é bem assim. Ocorre que uma das atrações da Feira do Livro de Porto Alegre é o stand Degustação Literária. Os poemas são impressos em um papel especial, de fibra de arroz, com sabores diferenciados. Depois de ler o poema podemos comê-lo. Li e comi um Fabrício Carpinejar. E digo mais: era delicioso.

ELE ERA UM CAVALHEIRO
Estava assistindo a amiga Laís Chaffe no stand da Degustação Literária, onde escritores são chamados para falar dos seus processos e da sua obra, com chapéu de Mestre Cuca e avental. Um senhor sentou do meu lado e começou a recitar Olavo Bilac no meu ouvido e ficou protestando: “ninguém mais recita Bilac! A juventude não conhece os grandes poetas.” Conversamos bastante. Ele é um militar reformado e tem 82 anos…
brios




todo dia
escrevo
n’água
uma
palavra
eterna

depois
apago
tudo
com o
sopro
das
nuvens

e o rio
corre
corre
corre
morre

nau
fragan
do
silên
cios

(lau siqueira – poema vermelho)

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Viajo daqui a pouco. Chego hoje às 12:30, em Porto Alegre. À noite, participo do sarau Cidade Poema na Arena de Histórias do Cais do Porto, juntamente com os poetas gaúchos José Antônio Silva, Paulo Seben e Christina Dias. A mediação ficará por conta dos escritores gaúchos Fernando Ramos e Laís Chaffe. Vai ser tudo de bom! Confira aqui a programação completa da Feira do Livro: http://www.feiradolivro-poa.com.br/programacao.php

PRAÇA DA ALFÂNDEGA
Certamente que antes disso vou procurar meus passos antigos. Certamente que vou encontrá-los esquecidos de mim, ainda presos aos ladrilhos, às folhas das árvores, ao ácaro dos livros que não pude comprar. Era um habitante assíduo da Feria do Livro de Porto Alegre. Mais de vinte anos depois, meu retorno à Feira do Livro é um encontro comigo mesmo. Vou carregado de p…
devassidown


azul de oceania
infinito & invisível
(((((((((()))))()))))))
fumaça em círculos
((((((((((())))))()))))
cinzeiro yellow
de cinzas nicóticas
(((()((((((((((((((((((
certezas e finitudes
do pensamento
))))))))))))))))())))))
somente a arte nos
salva do abismo
))))(((())))(((())))((()
somente o abismo
nos preserva da
memória

(poema vermelho – lau siqueira, para o blog Poesia é Risco)

INFLUÊNCIAS AFETIVAS
Estive lendo uma matéria na revista Bravo 141 sobre uma edição das cartas que o poeta Mário de Andrade trocou com seu tio (na verdade casado com uma prima sua), Pio Lourenço Correa. É inegável a importância de alguns aspectos puramente afetivos na obra de qualquer artista. Mário costumava dizer que o sítio do seu “tio” Pio era a sua Pasárgada. Foi lá, por exemplo, que escreveu obras importantes como Macunaíma. Foi seu tio quem o acolheu na tristeza de ter perdido, precocemente, seu irmão. Enfim... Sentir é também criar. Criar é, sobretudo, sentir = pensar. O poeta pensa o que sente e sente o…
inconclusivo


vida
palavra que não
adjetiva

maiúscula ou minúscula
antes ou depois
da vírgula

viga icônica
dos sentidos

sopro que às vezes
dói

outras vezes libido
de pássaro

solamente

f
.....l
.........u
.............i


(poema vermelho – lau siqueira)

LUIZ FERNANDO PRÔA
O querido poeta Luiz Fernando Proa nos convida para caminhar pela Paz e contra a Hipocrisia, no próximo dia 8, domingo, às 14 horas, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Toda a nossa solidariedade ao amigo poeta! Luiz vive momentos tristes para todos nós e, certamente, a maior provação da sua vida. Seu filho, viciado em crack, matou uma amiga que queria apenas ajudá-lo. Essa marcha é de todos nós! Somos poetas de uma sociedade em guerra consigo mesma. Se alguém desejar receber a carta comovida, lúcida, doída, sobretudo sincera, do poeta Luiz Fernando Prôa convocando a manifestação, encaminhe o pedido para lausiqueira@yahoo.com. Que esta luta seja de todos e todas nós.

55ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Saiu a programação. Estarei dia 12, às 19h…