Translate

domingo, 10 de janeiro de 2010

grafite





morrer é quase
um imprevisto

morro sempre
quando penso
que não existo


(poema do livro Sem meias palavras – lau siqueira)

ESCREVER POESIA? SEI...
Escrevo poemas desde menino. Não sou diferente dos outros. E mais: não inventei absolutamente nada. Não transgredi porra nenhuma. Não arrebentei a boca do balão. Apenas vivi muito desses meus quase 53 anos, escrevendo, lendo e pensando poemas. Sem que isso implique alguma ordem. Na poesia toda ordem é de outra ordem, penso. Agora me diga: E eu com isso?

A LÍNGUA NO ESPELHO
Andei lendo no jornal A Vaia, de Porto Alegre, editado por Fernando Ramos, que o meu querido poeta e tradutor Sidnei Schneider, nascido em Santa Maria-RS, teve como primeira língua, não o português, mas o alemão. O Rio Grande do Sul tem esse lastro interessante de misturas. Culturas diversas que se agregaram na formação intelectual e política do povo. As colônias ainda conservam intactas suas unidades, através da língua. E Sidnei, além de bom poeta é um cara bacana.

CODINOME BEIJA-FLOR
Hoje foi um dia especial. Certamente que por muitas outras coisas, mas também porque plantei três roseiras. É que aprendi ainda menino a conversar com as flores. Elas sempre dizem do que vestem a própria beleza. Não escondem nada. Contam que a beleza perdura, quando pura ou quando esmurra...
Ainda tenho violetas na memória de todos os tempos. Orquídeas e outras flores-pássaro... Aquelas cuja beleza é voar. Sempre cultivei amor pelas pequenas e intensas coisas. Pela delicadeza... Acho que por isso aprendi a conversar com as flores.

ESSE OFÍCIO DIVERSO
Calma, já me sinto perdoado por Jorge Luiz Borges. Por isso o título do tópico. Na verdade queria largar aí um miúdo pensamento sobre essa labuta de dor e prazer que o poeta trama com a palavra. Por isso nunca se sabe exatamente quando um poema começou. Ou se realmente, ele teve um destino ao ser publicado. O poema pode, desta forma, pode ser exatamente isto e mais o seu oposto. Ou exatamente nada disso. Bueno... ta dito.

UM POEMA DE JORGE LUIZ BORGES


Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E o alcácer abarca o universo
E não tem nem anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de teu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que ´pe um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
A fera, no negro entardecer.

(Labirinto, poema de Jorge Luiz Borges. Do livro Elogio da Sombra, Editora Globo. Tradução de Carlos Nejar e Alfredo Jacques.)

7 comentários:

Leda Lucas disse...

Lau!
Acho que um sopro de Borges passou por nós dois.
Postei no blog uma imagem e lembrei-me de Borges. Fui pegar um livro dele para escolher um poema e li, ESPANTOSAMENTE! o Labirinto que você acabou de postar.
E, incrível, foi que postei também um poema de Borges cujo título é As coisas que tem muito a ver com o que escrevi para a Chegada da Luz.
Poesia é uma acontecimento tão sério!
Leda

Leda Lucas disse...

... o mais incrível, ainda, é que foi minha gata Clarinha que num acesso de carência, passeou sobre o telhado e selecionou o seu blog.
Agora, as coincidências!
Leda

Encontros Casuais disse...

Cara muito boa, conheça tambem
http://36apenas.blogspot.com/
obrigado, e parabens

Flávia Muniz disse...

Ah! Quer saber?
Esse blog é muito bom!!!!
E eu gosto um monte do Lau!!!


beijos

susannah disse...

Para quê é a poesia, meu caro Lau? Para deixar a vida entranhar como caco ecoado de nosso berro, de nosso desterro eterno, porque nenhum lugar é bom demais pra gente, porque olhar para as coisas nos leva sempre adiante, sem a certeza do retorno? "Fragmentes" tem essa força de se postar frente a essa consciência a que somente a poesia pode nos conduzir. A consciência da gente eclodir como consciência do outro, como fragmento lançado na imagem acreditada como nossa.
Bjs!

Luyse disse...

Devassidown.

Daniela Delias disse...

"Grafite" é lindo, como tudo o que encontrei por aqui. Bjos!