blindagem


vivo neste redemoinho
como um cogumelo de ondas
invisíveis sobre a areia

um nada que se avoluma
cada vez que domino a palavra
como amante que permanece
esguio diante do amor

começo a tecer meus rios
paralelos como os rios que
em mim permanecem

cálidos e correntes como um
certo expressionismo curdo

(uma vez vencido sou outro)


(lau siqueira – do livro texto sentido)

EXPLICAR O POEMA
Num desses dias passados, certo ser poético, habitante aqui do blog, declarou gostar de alguns dos meus poemas e pediu para explicar um em particular. O título do poema é Devasidown e está num dos posts abaixo, em letras garrafais. Explicar o poema? Na verdade esse habitante me deixou no compromisso de buscar uma resposta coerente para o seu lúcido questionamento. A resposta que encontrei em Jorge Luiz Borges: “Suspeitei muitas vezes que o sentido é, na verdade, algo acrescentado ao verso. Tenho plena convicção que sentimos a beleza de um poema antes mesmo de começarmos a pensar num sentido.”

deuslumbrado


vivo cada dia
como o jardineiro
que do alimento das
flores extrai a beleza

certeza volúvel que
some no esmerilhar das
horas que se gastam
em sumidouros
onde provo nos
frutos o sumo e a
semente

comungo certezas
e dúvidas como quem
fornece o hálito
que submerge
na procura

...no tubo de ensaio
da paisagem




(lau siqueira – poema vermelho)

ENCONTRO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA:
Identidades, Militâncias e a Nova Consciência! De 14 à 15/02, em Campina Grande-PB. Das 14, às 18h, no CEDUC II (Centro de Educação). O evento acontece durante o 19º Encontro da Nova Consciência (
http://novaconsciencia.multiply.com/) e está organizado pelo Núcleo Literário Blecaute. Entre os participantes, Maria Valéria Rezende, Antonio Mariano, Astier Basílio e Rinaldo de Fernandes, Antônio de Pádua e Rosângela Melo. A proposta do encontro direciona-se para uma discussão sobre a literatura brasileira contemporânea, nas esferas da militância, das identidades, da nova consciência, na utilização das novas mídias.

POEMA DE PAUL CELAN

A palavra que lemos,
Os anos, as palavras desde então.
Somos sempre os mesmos.

Sabes, o espaço é infinito,
Sabes, não precisas voas,
Sabes, o que se escreveu em teu olho
Aprofunda-nos o fundo.

(Ir ao fundo, poema de Paul Celán. Tradução de Cláudia Cavalcanti. Do livro Cristal, publicado pela Iluminuras.)

Comentários

Analuka disse…
Belos poemas, meu caro! Provocativos, por vezes melancólicos, quase sempre bem pulsantes... Apreciei especialmente o do topo,"Blindagem". Linda a imagem "tecer rios" ! Deixo beijos alados azuis.
evandro mezadri disse…
Belas poesias, com conteúdo e sentimentos profundos. Gostei de todas elas, seguirei seu blog.
Abraço e sucesso!
dadina disse…
questionar aquilo que não se entende é algo bem lúcido mesmo, mas quando o assunto é poesia e arte...
acho que é preciso pensar um pouco e procurar vc mesmo um sentido e quando vc gosta do que vê, se torna mais fácil.
viva, lau.
Vieira Calado disse…
Não conhecia o blog.

Achei interessante e variado.

Saudações.

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