quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

blindagem


vivo neste redemoinho
como um cogumelo de ondas
invisíveis sobre a areia

um nada que se avoluma
cada vez que domino a palavra
como amante que permanece
esguio diante do amor

começo a tecer meus rios
paralelos como os rios que
em mim permanecem

cálidos e correntes como um
certo expressionismo curdo

(uma vez vencido sou outro)


(lau siqueira – do livro texto sentido)

EXPLICAR O POEMA
Num desses dias passados, certo ser poético, habitante aqui do blog, declarou gostar de alguns dos meus poemas e pediu para explicar um em particular. O título do poema é Devasidown e está num dos posts abaixo, em letras garrafais. Explicar o poema? Na verdade esse habitante me deixou no compromisso de buscar uma resposta coerente para o seu lúcido questionamento. A resposta que encontrei em Jorge Luiz Borges: “Suspeitei muitas vezes que o sentido é, na verdade, algo acrescentado ao verso. Tenho plena convicção que sentimos a beleza de um poema antes mesmo de começarmos a pensar num sentido.”

deuslumbrado


vivo cada dia
como o jardineiro
que do alimento das
flores extrai a beleza

certeza volúvel que
some no esmerilhar das
horas que se gastam
em sumidouros
onde provo nos
frutos o sumo e a
semente

comungo certezas
e dúvidas como quem
fornece o hálito
que submerge
na procura

...no tubo de ensaio
da paisagem




(lau siqueira – poema vermelho)

ENCONTRO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA:
Identidades, Militâncias e a Nova Consciência! De 14 à 15/02, em Campina Grande-PB. Das 14, às 18h, no CEDUC II (Centro de Educação). O evento acontece durante o 19º Encontro da Nova Consciência (
http://novaconsciencia.multiply.com/) e está organizado pelo Núcleo Literário Blecaute. Entre os participantes, Maria Valéria Rezende, Antonio Mariano, Astier Basílio e Rinaldo de Fernandes, Antônio de Pádua e Rosângela Melo. A proposta do encontro direciona-se para uma discussão sobre a literatura brasileira contemporânea, nas esferas da militância, das identidades, da nova consciência, na utilização das novas mídias.

POEMA DE PAUL CELAN

A palavra que lemos,
Os anos, as palavras desde então.
Somos sempre os mesmos.

Sabes, o espaço é infinito,
Sabes, não precisas voas,
Sabes, o que se escreveu em teu olho
Aprofunda-nos o fundo.

(Ir ao fundo, poema de Paul Celán. Tradução de Cláudia Cavalcanti. Do livro Cristal, publicado pela Iluminuras.)

4 comentários:

Analuka disse...

Belos poemas, meu caro! Provocativos, por vezes melancólicos, quase sempre bem pulsantes... Apreciei especialmente o do topo,"Blindagem". Linda a imagem "tecer rios" ! Deixo beijos alados azuis.

evandro mezadri disse...

Belas poesias, com conteúdo e sentimentos profundos. Gostei de todas elas, seguirei seu blog.
Abraço e sucesso!

dadina disse...

questionar aquilo que não se entende é algo bem lúcido mesmo, mas quando o assunto é poesia e arte...
acho que é preciso pensar um pouco e procurar vc mesmo um sentido e quando vc gosta do que vê, se torna mais fácil.
viva, lau.

Vieira Calado disse...

Não conhecia o blog.

Achei interessante e variado.

Saudações.