segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

razão
nenhuma




o que escrevo
é apenas parte
do que sinto

a outra parte
finjo que minto

e acredito

(do livro Sem Meias Palavras, 2002. lau siqueira)

POESIA E INTERNET
Até bem pouco tempo a poesia brasileira contemporânea era reconhecida apenas no eixo Rio/Sampa. Era uma representação de poetas da região ou poetas radicados por lá, apenas. Qualquer antologia brasileira, principalmente nos anos 90, no máximo incluía alguém do Paraná, Rio Grande do Sul ou Minas. Uma mentalidade de imperialismo futebolístico, absorvida e difundida pela academia e pela mídia do centro do país. Todavia, a internet e suas redes sociais derrubaram essas muralhas. Hoje, se não há ainda o pleno reconhecimento que existe poesia de qualidade fora dos eixos mais badalados, pelo menos há uma grande desconfiança.

nua

vestido rosado
detalhe infame
no decote

sua fotografia
me atravessa
neste momento

perdido entre
a eternidade
o esquecimento


(poema vermelho – lau siqueira)

POESIA E INTERNET - I
Talvez o grande poeta brasileiro do século XXI esteja inaugurando um blog hoje. Como duvidar? É raro, mas não incomum, lermos bons poemas em scrap do Orkut, e-mails e em blogs. Poemas jamais publicados. Poetas jamais reconhecidos. Algumas vezes, nem mesmo em suas cidades e regiões de origem. Fazer uma antologia de novos da poesia contemporânea brasileira é algo, hoje, bastante temerário. As possibilidades de algum esquecimento obtuso estão infinitamente ampliadas.

PEDRO MARODIN
Pedro Marodin é um poeta gaúcho, artista fantástico, que conheci no Empório Café, em João Pessoa, recitando poemas. Confira alguns vídeos do poeta: No Fórum S. Mundial:
http://www.youtube.com/watch?v=CndvjmuKfKY; Recital em João Pessoa: http://www.youtube.com/watch?v=RtvYiwxxQdY . Vale a pena conferir.

POEMA DE JOSÉ PAULO PAES

Um dia segui viagem
sem olhar sobre o meu ombro.

Não vi terras de passagem.
Não vi glórias nem escombros.

Guardei no fundo da mala
um caminho de alecrim.

Apaguei a luz da sala
que ainda brilhava por mim.

Fechei a porta da rua
a chave joguei no mar.

Andei tanto nesta rua
que já não sei mais voltar.

(Canção do Exílio, poema de José Paulo Paes. Do livro Prosas seguidas de odes mínimas, Editora Cia. Das Letras)

3 comentários:

Manuel da Rosalina disse...

Bela poesia,
bom blogue!

Abraço-poema,

MdR

Guida Linhares disse...

Lau..Gostei muito do teu espaço poético, bastante interativo. Abraços, Guida

susannah disse...

O que pode esconder uma fotografia? Que grafos de luz ocultam aquilo que somente a voz pode revelar? Que corte profundo pode trazer à tona a lâmina do olhar?

"No olho da tela,
a lâmina
me enlaça
me lambe
me cega."

Eis a viagem...
Bj!