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Mostrando postagens de Março, 2010
diálogo do espanto





mergulhado no hálito
das coisas fugidias


salivando palavras
proscritas nas


híbridas paisagens
no renitente azul das

cumeeiras encardidas
de vento e silício

fecho meu corpo
fecho minha casa

movimento a sombra
decaída dos ombros

instrumentos que sobram
abraçados pela estupidez


e pelo espanto


(lau siqueira – poemas vermelhos)


POESIA SEM PELE
Talvez meu próximo livro (Poesia Sem Pele) fique pronto até o final do ano. Na verdade, continuo experimentando, escrevendo, perdendo poemas. Sobretudo exercitando permanentemente o manejo do sabre na luta armada da palavra. A insônia favorece o abraço das horas perdidas. Horas vividas na pulsação do que permanece íntegro enquanto se transforma. Acho que o livro nascerá dessa experiência de supremas alegrias e tristezas contundentes. Afinal, a poesia é também um fator humano. Na verdade, um experimento da existência. Na verdade, existir é um mix de linguagens.


POESIA SEM PELE I
O processo é mais ou menos esse: o equivalente a rupturas permanen…
a versão







.....existo y penso.........
 ....pessoanamente


não raras vezes afeiçoado
às imensidões


fingidor dos sentimentosvoláteis

colhendo impressões
fervidas vivas
como bicho que perdeu os
olhos comendo imagens(lau Siqueira – poema vermelho)

UM POUCO DE JOÃO DO RIO - “(...) a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em Benarès ou em Amsterdã, em Londres ou em Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua. A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. (...)”
QUEM FOI JOÃO DO RIO? -
João do Rio (1881-1921) foi um escritor brasileiro, precursor da vanguarda e da literatura homoerótica. O texto acima foi extraído do livro “A alma encantadora das ruas”, escrito durante o governo de Rodrigues Alves. Um livro que gosto de ver na estante para, vezenquando, abrir numa determinada página …
teia







então fui diluindo a loucura
ao compreender que a nascente
de tudo era um caos

urbano e diurno

aprendi a velejar pelas calçadas
como uma sombra entre sombras


sem inventar rastros
ousei vestir os sapatos da morte
e revelar-me ao círculo visceral
da existência

nem fui o
insano ou o decrépito humano
apenas despi a coragem e vivi
sem pele a lapidação da alma


perdi o que
não era essência


e agora
pleno de mim
não sei nem sou


(poema do livro texto sentido – lau siqueira)


MUNDO CIRCUNDANTE
Reproduzo aqui o comentário do poeta e crítico pernambucano, Luiz Carlos Monteiro, sobre o poema Teia, publicado no meu quarto livro (http://omundocircundante.blogspot.com/): “Lau Siqueira é poeta nascido em Jaguarão (RS), mas vive em João Pessoa (PB) desde 1985. Do seu quarto livro, Texto sentido, retiramos o poema “Teia” que fala na mudança e no aprendizado de vida do poeta. Ele assume a atitude de quem retorna da viagem dos primeiros anos de juventude para o choque da vida cotidiana. Não aponta mais cami…