sábado, 6 de março de 2010

a versão







.....existo y penso.........
 ....
pessoanamente



não raras vezes afeiçoado
às imensidões



fingidor dos sentimentos
voláteis

colhendo impressões

fervidas vivas

como bicho que perdeu os
olhos comendo imagens
(lau Siqueira – poema vermelho)

UM POUCO DE JOÃO DO RIO - “(...) a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em Benarès ou em Amsterdã, em Londres ou em Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua. A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. (...)”

QUEM FOI JOÃO DO RIO? -
João do Rio (1881-1921) foi um escritor brasileiro, precursor da vanguarda e da literatura homoerótica. O texto acima foi extraído do livro “A alma encantadora das ruas”, escrito durante o governo de Rodrigues Alves. Um livro que gosto de ver na estante para, vezenquando, abrir numa determinada página e arrancar iluminuras como esta. Tão imenso quanto Machado de Assis, infelizmente, ainda é pouco conhecido do público leitor brasileiro.


 
transmitológico







...no olhar que persegue a Lua
haveremos de transformar o esgoto
do mundo em estrelas de brilho cintilante.





Na sensação que tudo sempre volta a ser
como antes. Nas minas

inconclusas duma sonata de hálitos que
se confundem com o vento.



(poema vermelho – lau siqueira)


POR FALAR EM PÚBLICO LEITOR - Não escondo minhas preocupações com as vitrines das livrarias e com os suportes livreiros dos supermercados. Parece que o mercado do livro cresce vertiginosamente em direção oposta à boa literatura. A literatura que se veste de arte como a de João do Rio e outros tantos que marcaram suas épocas (ao sabor do esquecimento e diante de consagrações, muitas vezes, injustificadas...), me parece cada vez mais ausente ou menos prestigiada nas grandes feiras, bienais e livrarias. A mediocridade vem se superando em destaques nas mídias e no mercado do livro. Assim sendo, entendo que as políticas de leitura devem ter um alvo muito bem definido.

OS MELHORES POETAS? -
Toda antologia revela equívocos e acertos e talvez por isso sejam tão necessárias. Principalmente as mais pretenciosas, nos obrigam a pensar. Aquelas que pretendem demarcar as águas na história da literatura. Por exemplo, acho que "Os cem melhores poetas brasileiros do século", publicado pela Geração Editorial, com seleção de José Nêumane Pinto começa seus equívocos pelo título. Acho muita petulância alguém apontar "os melhores" em um período tão ampliado. Da mesma forma que acho um equívoco se criar um pódium desse tipo. A seleção de Nêumanne Pinto me parece muito mais movida pelos apelos da política literária que da estética e da história da literatura. Ainda assim apresentam pérolas como o poema que publico abaixo.

UM POEMA DE GEIR CAMPOS

Não faz mal que amanheça devagar,
as flores não tem pressa nem os frutos:
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste - o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.

(Alba, poema de Geir Campos, na antologia os Cem Melhores Poestas brasileiros. Seleção de José Neumanne Pinto, Geração Editorial) 

8 comentários:

dade amorim disse...

Lau, não consegui responder tua mensagem, o endereço failed permanently =o!
Recebi teu livro sim, sempre dou uma relida aqui e ali - enfim, gostei dele.
Passa lá on Inscrições de vez em quando, vai. Podemos tomar um chá ou um café, se vc preferir.

Roberta disse...

Fazia tempo que eu não vinha. A visita sempre rende, cada post contém uma imensidão sugestiva de versos e matérias de debate.

A alma encantadora das ruas é uma relíquia que sempre vale a releitura, por traduzir à perfeição a pureza-barbárie-delirante que as ruas têm.

Seus poemas também nos mergulham em belezas vastas. Perco os olhos comendo imagens, perseguindo a Lua, faminta atrás dos ventos.

Também acho petulante alguém listar "os melhores" de um século. O mal é necessário, alguns entendem assim. Continuo atrás dos ventos, achando que não faz que amanheça devagar. É o tipo de avaliação que deixo pra quem gosta e quem sabe fazer. Meu negócio é fruir. :)

João Brás Zileiro disse...

Olá Lau, sou um poeta sergipano que recém descobriu o mundo do Blog . Comecei minha aventura já encontrando menção a João do Rio, minha descoberta de alguns anos atrás; na época fiquei indignado quando muitos não o conheciam, me senti então intimo como alguém que havia descoberto um oráculo em desuso. Costumo pensar em escritores do porte de João do Rio como “viajantes do tempo”, atemporais, vagando também pelas ruas de nosso tempo e ainda assim sem espanto captando a essência, catalogando, definindo, reafirmando intuições. Lembrando do seu comentário sobre os 100 poemas, comprei recentemente um livro das 100 melhores crônicas brasileiras e lá estava João do Rio. Mas, compartilho com você a preocupação com o encontrado nas livrarias, com o que vem sendo literariamente consumido, consumado, aderido: romances da “moda” – quem dita a moda?Apenas vestígios de minha indignação, nada grave, ou não - ,tão holiudianos e cinematográficos que passam de Best Sellers a sucesso de bilheteria de um “cinema” também duvidoso, sem falar que os preços destes livros são bem caros. Menos mal porque “a coisa aqui ta preta” mesmo, haja água no feijão, mas como bom Brás Zileiro “a gente vai levando”, então vago em sebos em busca de mais viajantes do tempo.

Minerva Pop disse...

Olá,
Gostaria de convidá-lo a visitar o minervapop.blogspot.com, buscamos melhorar e enriquecer nossos “posts” e “debates”, e pelo conteúdo do seu blog, entendemos que temos afinidade em certos assuntos.
Valeu!

Anselmo

susannah disse...

Há grandes questões no mundo, Lau, e elas têm um peso enorme quando percebemos sua presença tão perto da gente. Seu poema "teia" me mostra isso bem de perto:
"então fui diluindo a loucura
ao compreender que a nascente
de tudo era um caos

urbano e diurno"

E assim, percebo sua poesia como vc mesmo apresenta:
"colhendo impressões
fervidas vivas
como bicho que perdeu os
olhos comendo imagens"

Quero ler seu livro quando terminar. Quero escrever a partir dele como esse poeta
"não raras vezes afeiçoado
às imensidões

fingidor dos sentimentosvoláteis"

caminha
"isento das alegrias
fúteis e das tristezas
dispensáveis"

Bjs!

poesia se quer disse...

Eu sempre perco meus olhos por aqui. Eles insistem em ficar...

Genny Xavier disse...

Caro poeta,
Aportei por aqui através da indicação do meu amigo Antonio Naud Júnior...mas diria que um porto de poesia merece mesmo as mais positivas referências...gostei desse porto de palavras soltas e livres, de idéias belas e verdadeiras...
Se desejar, será bem-vindo em meu "Baú de Guardados".
Saudações Poéticas!
Genny Xavier

Betomenezes disse...

Oi lau,
tudo bem?

tu poderia trocar o endereço do meu blog aí?

coloca esse agora

http://betomenezes.tumblr.com/

Valeu lau.

Roberto Menezes