Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2010
grafite







morrer é quase
um imprevisto


morro sempre
quando penso
que não existo

(Lau Siqueira, do livro Sem Meias Palavras, 2002, Ed. Idéia)

RANGER OS DENTES Meus dias andam reflexivos demais. Pensar sobre tudo e não desperdiçar um único momento tem sido meu (di)lema. Talvez tenha sido assim a vida inteira e imensa, mas a verdade é que venho medindo minhas horas perdidas. A vida que se apresenta, algumas vezes, com rigidez de pedra, comunga com a ternura.  É como se a vida não me permitisse perder um único instante de poesia. Mesmo quando a rigidez dos ossos e da palavra, fazem ranger os dentes e os versos.
HUMANOS Sábado passado estive reunido com alguns alunos e um professor, num projeto de extensão em um bairro periférico de João Pessoa. Fiquei um pouco assustado pela forma como a academia sustenta equívocos históricos. Equívocos de transcrever e perseguir realidades urbanas eivadas de vícios, na sustentação de análises superficiais. As pessoas em estado vulneráveis de vida precisam deixar de…
leminskiagem











passo pelo mundo
ancorado numa coragem
que desconheço


sei lá de que lado está
meu avesso
(Lau Siqueira – do livro Texto Sentido)


JOSÉ EDUARDO AGUALUSA Uma das frases mais conseqüentes que já li acerca da relação do jovem com a leitura, foi numa entrevista do escritor angolano José Eduardo Agualusa, em entrevista à revista Discutindo Literatura, número 15. Confira: “Se o adolescente se interessa por pugilismo, ele tem que ler um livro sobre isso. Acho que a paixão é o grande motivador para a leitura, e a dificuldade do educador, às vezes, é identificar e encontrar paixões em seus alunos. Eles têm que descobrir que a literatura também é uma grande paixão em si, e o grande erro que se faz é forçar as pessoas a ler o que não querem, o que torna o hábito de leitura muito chato para esses adolescentes. A literatura tem que ser uma festa para ele, tem que ser bom, se não afasta mesmo.”



POESIA BEM NA FOTO O projeto Cidade Poema, coordenado pela amiga e escritora gaúcha Laís Chaffe, cumpre …
cometa







a noite
consome
o tempo
em estrelas
e pedaços
imensos
dum
desabitado
infinito


a noite
solfeja as
paredes
de um
silêncio
impreciso
e pálido


como
o hálito
fálico
dum risco
quebradiço
cortando
o céu

(lau siqueira – poema vermelho)


O CORTE DO VERSO Nunca sei quando o corte determina o verso. Algumas vezes, apenas invento um precipício para a palavra que desmorona aos poucos, no eco do significado. Nunca a medida é exata, no entanto. Sempre o corte deixa no verso a imprecisão necessária aos olhares difusos. Da forma como são inexatas as folhas de uma árvore. Meu verso nunca estabelece as medidas. De certa forma, as despreza. O ritmo nunca estabelece o verso. Não há medida para o que se compõe no rastro do infinito, do incompreensível, do inexplicável, do imponderável... O corte do verso, algumas vezes, apenas sangra.
APOESIA COMO ESCUDO Uso a poesia como se usa um escudo. Uma couraça que me protege de lanças invisíveis. Jamais nego esta sagrada estupidez. É como se fosse a pele da minha alma. A poesia …
pulo didático







acostumei mirar de frente os precipícios


não raras vezes medindo meu porte de asas
para o pulo desmedido das coisas inexatas

na hora do salto nem mais um instante


sem replay
sem sunday
sem nada


o eco do próprio nome sumindo numa
emulsão partida de dentro do que parece
mais íngreme e menos vulnerável


coragem de seguir cumprindo o destino de
um rio que se faz sempre nascente ao longo do
curso e no espalmar das margens


(Lau Siqueira, poema vermelho)


UMA HISTORINHA DE JOÃO
Anos atrás o grande intelectual brasileiro, João Alexandre Barbosa, deu uma conferência sobre Drummond no FENART (Festival Nacional de Artes). Professor da USP, colunista da Revista CULT, respeitado pra caramba nos meios e nos fins, mas, como todo ser humano, já sofrendo na pele e nos pelos os efeitos do tempo. Com a idade bem avançada, mas, profundamente lúcido e sábio, João me fez morrer de rir. Estávamos jantando em algum lugar da praia quando passou uma moça bem jovem e muito bonita. João olhou pra menina, depois vir…
asa norte








em meio aos hotéis de um luxo fusco o passa redo in visível esc onde esc ombros de modern idade abando nada

(lau siqueira – poema vermelho)

O MELHOR DA FESTA
Porto Alegre tem se destacado por eventos cujo objetivo é a promoção do autor e da produção literária pampeana. O Festipoa Literária é um deles. Dia 21 próximo será o lançamento da coletânea deste importante festival literário, às 20h, no Boteco do Pé, na João Alfredo 571, Cidade Baixa. Participam da coletânea: Alexandre Brito, Altair Martins, Ana Mariano, Caio Riter , Carlos André Moreira, Carol Teixeira, Cassio Pantaleoni, Cris Cubas, Diego Petrarca, Edgar Vasques, Guilherme Moojen, Ítalo Ogliari, José Antônio Silva, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Leonardo Marona, Luis Pimentel, Luis Fernando Veríssimo, Marcelo Spalding, Márcio-André, Maria Rezende, Monique Revillion, Olavo Amaral, Paulo Tedesco, Reginaldo Pujol Filho, Rafael Bán Jacóbsen, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Rosp, Rubem Penz, Sidnei Schneider, Telma Scherer, Walmor Santos.
UMA FRASE DE GA…
ploft







escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude


as ondas se formam
e a gente conclui
que aquilo não é
poesia


é física

(este poema foi publicado no meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos e numa edição da coleção Dulcinéia Catadora)


AOS IMORTAIS “Desejais pois uma eterna duração de nós mesmos? Não é um descaramento? Não pensais em todas as outras coisas que tereis então de suportar por toda a eternidade como as suportastes até aqui, com uma paciência mais que cristã? Ou julgais poder obter, pela vossa presença, um eterno sentimento de bem estar? Um único homem imortal sobre a terra bastaria para mergulhar o que o envolvesse numa fúria universal de suicídios e de enforcamentos pelo desgosto que inspiraria! E vós, habitantes da terra, com vossos conceitozinhos de alguns milhares de minutos de tempo, quereis estar eternamente dependentes da existência eterna e universal! Pode ser-se mais importuno? – Finalmente: sejai indulgentes com um ser de setecentos anos! – Ele não pôde exerc…
assimétrico

& compulsivo




pensamento
é plano sem planos
que aos brotos revela
ramagens


( jamais raízes )


sinais amputados duma
pele tramitando seus
imensos contrários


mastigando palavras
inundadas duma beleza
absolutamente inútil

(lau siqueira – poema do próximo livro, Poesia Sem Pele)

POESIA SEM PELE Conforme já anunciei por aqui, no final deste ano deverei lançar mais um livro de poemas. O título? Poesia Sem Pele. O prefácio que já foi encomendado e aceito ficará a cargo da escritora e professora paulista Susannah Busato. Para o texto da orelha, convidei também outra grande amiga (mineira) que ainda não confirmou. O projeto gráfico já foi encomendado à paraibana Tânia Miranda e deve fazer a diferença em relação às minhas publicações anteriores. O poema acima integrará esta nova coletânea.


NA BIENAL DE FORTALEZA O III Encontro do Fórum da rede Nordeste do Livro e da leitura irá acontecer nos dias 10 e 11 de abril, na Bienal de Fortaleza. O Fórum é uma realização conjunta da representação Nordeste …
sonata





no que separa
o sol da colina


desavisado vento
em púrpura resina


espaço
entre palavras
que nada dizem


mas
decidem
o eixo


e o contexto


(ls – poema vermelho)


MINHAS DESCULPAS
Infelizmente fui obrigado a um hiato enorme na atualização dos meus blogs. Muito trabalho pode até explicar um pouco, mas a causa maior é que desde o carnaval, por uma série de negligências íntimas e mudanças na casa, estive sem internet. No entanto, espero agora voltar à normalidade. Os últimos posts foram bastante tumultuados. Aos que por aqui transitam, o meu mais carinhoso abraço.

GERMINA LITERATURA
A revista Germina inaugurou uma página onde o poeta explica a circunstância do poema. E o poeta inaugural soy yo. O poema é o mesmo e quixotesco velho de guerra, “aos predadores da utopia”. Confira: http://www.germinaliteratura.com.br/2010/ageneticadacoisa_lausiqueira_mar10.htm

O VINHO
O vinho é uma bebida sagrada. Uma bebida que não pode ser profanada, nem pelo artesanato do fabricante, nem pela desmedida gula de um apre…