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quinta-feira, 8 de abril de 2010

ploft







escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude


as ondas se formam
e a gente conclui
que aquilo não é
poesia


é física

(este poema foi publicado no meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos e numa edição da coleção Dulcinéia Catadora)


AOS IMORTAIS
“Desejais pois uma eterna duração de nós mesmos? Não é um descaramento? Não pensais em todas as outras coisas que tereis então de suportar por toda a eternidade como as suportastes até aqui, com uma paciência mais que cristã? Ou julgais poder obter, pela vossa presença, um eterno sentimento de bem estar? Um único homem imortal sobre a terra bastaria para mergulhar o que o envolvesse numa fúria universal de suicídios e de enforcamentos pelo desgosto que inspiraria! E vós, habitantes da terra, com vossos conceitozinhos de alguns milhares de minutos de tempo, quereis estar eternamente dependentes da existência eterna e universal! Pode ser-se mais importuno? – Finalmente: sejai indulgentes com um ser de setecentos anos! – Ele não pôde exercer a imaginação a descrever o seu próprio ‘aborrecimento eterno’, - não teve tempo disso!” (Friedrich Nietzsche, em Aurora – Livro Quarto, fragmento 11)



UMBERTO ECO
A reflexão mais direta sobre a inutilidade da poesia, me parece que foi descrita por um dos pensadores mais admiráveis e complexos da história do mundo, o italiano Umberto Eco. No livro Ensaios sobre a literatura ele diz: “Não se pode dizer que alguma sbelas páginas podem, sozinhas, mudar o mundo. A obra inteira de Dante não serviu para restituir um sacro imperador romano à cidades italianas.



SOBRE AS ATITUDES DO DESCONFORTO
Não vacilo quanto às atitudes que causem desconforto se o objetivo é a urgência de enfrentamento aos processos mais violentos da história da humanidade, como a miséria humana. Diante do acomodamento, do individualismo, da imensa carga de irresponsabilidade na qual mergulham algumas pessoas diante de uma ação coletiva, a atitude determinada, firme, incorruptível, passa a ser o único caminho. A certeza de uma decisão não obedece a um resultado imediato, mas a estruturação de um resultado mais denso e mais duradouro.

UM POEMA DE MARCELO SANDMAN



1.


no viaduto, em
pleno lusco-fluxo
atrelados à própria miséria


eles voltam pra casa


centauros do cu-do-mundo
carregados de refugo
eles mesmos: refugo?


(3 Postais, poema de Marcelo Sandmann, poeta paranaense. Poema extraído do livro Criptógrafo Amador)

4 comentários:

Camila Chaves disse...

Lau, pensador.. Parabéns pelas reflexões. Estou seguindo seu blog... Me iniciando nisso tudo... Criei o meu há pouco para escrever meus pensamentos.
Beijos

susannah disse...

Não seria poesia "metafísica"? rsrsr Não consegui evitar! BJs!

Renata de Aragão Lopes disse...

Talvez por ser
tão e inevitavelmente
natural...

"Ploft!"

Beijo,
doce de lira

Wolf disse...

"Ploft!" faz muito sentido. Mas só porque o autor não encontrou poesia ali, não quer dizer que ela não esteja, e alguém possa se deparar com ela ;)