sonata





no que separa
o sol da colina


desavisado vento
em púrpura resina


espaço
entre palavras
que nada dizem


mas
decidem
o eixo


e o contexto


(ls – poema vermelho)


MINHAS DESCULPAS
Infelizmente fui obrigado a um hiato enorme na atualização dos meus blogs. Muito trabalho pode até explicar um pouco, mas a causa maior é que desde o carnaval, por uma série de negligências íntimas e mudanças na casa, estive sem internet. No entanto, espero agora voltar à normalidade. Os últimos posts foram bastante tumultuados. Aos que por aqui transitam, o meu mais carinhoso abraço.

GERMINA LITERATURA
A revista Germina inaugurou uma página onde o poeta explica a circunstância do poema. E o poeta inaugural soy yo. O poema é o mesmo e quixotesco velho de guerra, “aos predadores da utopia”. Confira: http://www.germinaliteratura.com.br/2010/ageneticadacoisa_lausiqueira_mar10.htm

O VINHO
O vinho é uma bebida sagrada. Uma bebida que não pode ser profanada, nem pelo artesanato do fabricante, nem pela desmedida gula de um apreciador. Um apreciador de vinhos, não poderá jamais ser um ébrio. Será sempre como um beija-flor que procura seus sumos, suas essências... e de nada mais se alimenta, se não da beleza.

CONSTANÇA LUCAS
Dia 22 de abril a artista visual e escritora portuguesa, Constança Lucas, estará expondo na Fundação Companhia da Terra, aqui em João Pessoa. De 13 de abril a 22 de junho, ela estará realizando uma mostra dos seus desenhos/retratos de poetas. Na verdade, são traços personalíssimos de uma artista que é doutoranda na USP, exatamente pela sua busca estética. Estão nesta exposição, Drummond, Pessoa e outros poetas de língua portuguesa. A exposição acontece simultaneamente na Livraria Alpharrabio, em Santo André-SP e na Livraria Cultura, na Avenida Paulista, em São Paulo-SP. Aos que andam por volta desses pontos e datas, segue a dica.

DEU NO ESPELUNCA
Li no blog Espelunca (http://zonabranca.blog.uol.com.br/), dum putamigo poeta, Ademir Assunção, que o MinC aplicou uma verba considerável em revistas comerciais como a Rolling Stones, a Cult e a Brasileiros. E a farra foi com edital público! O edital foi lançado para periódicos de conteúdo cultural. Infelizmente e com muita certeza, o edital deve ter aberto brecha para essa concorrência desleal. Eu tenho uma visão muito crítica acerca dos editais editais públicos. Dia desses escrevo sobre isso.

POEMA DE OTÁVIO SITÔNIO PINTO


A segunda, de branco, dobrou alvadia
a esquina. segunda, mas primeiro dia
da semaninha fevereira de janeiros,
terça clara, amarela, desceu, velocípede,


a ladeira de tarde, manhã, calçadinha.
Quarta era marrom, quente, morena, materna,
Nédia e formidável como a feira.
De azul-marinho, de boina, fardada, a quinta,

Que tudo era feira na semana tanta
De acontecimentos. Encarnada, a sexta-feira
dulçã de sol, bunine, bordeaus,


véspera de sábados beges como beijos.
Por fim, domingos, como devem ser: azuis
Rimbaud, de gude, feito o céu e o começo.


(Semana Tanta, poema do livro Caminhos de Toboso. Da coleção Quebra-Quilo, publicação da Universidade Estadual da Paraíba. Otávio Sitônio Pinto é um poeta paraibano dos mais férteis e fortes.)

Comentários

Márcia Maia disse…
Eu li a explicação dos tigres, na Germina, mas preferia não ter lido. É como se cortasse as asas dos tigres do poema. Deu pra entender?

Saudades de tu, Lau.

Beijo e beijo!
susannah disse…
Mais uma vez o silêncio: na sonata, no vinho, na ausência do poeta. Tudo marca o raio que separa o eixo do contexto, o olhar que instaura a ação para o horizonte que sempre se anuncia? Há caminhos diversos para se chegar à beleza, não é mesmo?

E já que falamos de olhares, vai meu convite pra também ler meu artigo na http://www.germinaliteratura.com.br/2010/literatura_mar10_susannabusato.htm sobre a poesia de Virna Teixeira.

Bjs!

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