terça-feira, 18 de maio de 2010

deus







fingiu que estava
criando o mundo
trabalhou seis dias
oito horas em dois turnos
salário de cento e oitenta
pregos


ornamentou noites
criou nuvens
e ventos
do barro fez a criatura
num sopro
o inventário das paisagens



uma vez pronta a maquete
exonerou-se e ficou mudo


hoje
dies dominicu
reaparece com trezentas
mil faces midiáticas


(dizem que vive em tudo)

(do livro Sem Meias Palavras, Ed. Idéia-PB, 2002. Lau Siqueira)


FUNERAL DAS ALMAS

Quando a vida - enquanto instrumento divino - perde fôlego diante do espelho e o olhar já não conduz a nada. Quando as lonjuras já não se conjugam, pois que o universo inteiro conspira. Quando Urano determina com seus ritos o vórtice da morada. Quando tudo parece envolto em uma bolha de aço. Quando nada mais importa... nem o raio que me corta.



CANÇÃO DE CORTAR IMPULSOS
A tristeza é o lobo do homem. O escopo do homem. A tristeza é o talho no olho do homem. O alho cortado do olhar que assusta. A tristeza é uma imensidão de oceanos convulsivos. Literatura de uivo e de gozo. Nome diluído na impostura do silêncio. A tristeza é o bobo do homem.



RÉQUIEM PARA FAUSTO
Recebi com tristeza a notícia do falecimento do amigo querido Fausto Rodrigues Valle, esta semana. Médico e escritor de muito talento e coração suave. Nascido em 1930, em Araxá-MG, Fausto foi daqueles homens que espalhou gentilezas pelo mundo. Certamente que também cometeu seus pecados, mas foi tão imenso o quanto soube. Membro da União Brasileira de Escritores, contista de primeira. Conheça um pouco do amigo Fausto: http://www.ubebr.com.br/perfil/atuais/fausto-rodrigues-valle-



SEGUNDA MOSTRA DE TEATRO DE GRUPO
Se estiver por João Pessoa, não perca a segunda mostra de teatro de grupo que começou hoje. Sempre às 20 horas, no teatro Lima Penante. Um evento bacana que engloba cursos, oficinas, debates e outros babados.

POEMA DE PERE SERAFÍ






Mundo caduco! Onde está a prudência
de Salomão? Não te podes valer,
porque mudaste em falho parecer
tua vontade sem outra resistência.


Corrompes da alta virtude a aparência,
a fingir teu receoso querer.
Eu não sei como irás satisfazer
ao obrigado: faltas em potência


Mas te há de vir o tempo que a cruel vida
Conhecerás, a buscar retirada
E sem poder, terás mal sem medida.


Só a lembrança da virtude havida
de quando em vez será de nome loada,
de ti já não podendo ser cobrada.


(Soneto moral contra o mundo, de Pere Serafí. Poeta nascido na Grécia – provavelmente – em 1505 e falecido em Barcelona, em 1583. Tradução e organização do poeta Fábio Aristimunho Vargas. Editora Hedra, 2009)



5 comentários:

Diario da Fafi disse...

Oi Lau...

A sua poesia é algo assim de divino.

Amei.

Carinhos.

Rodrigo Della Santina disse...

Meu caro, passo aqui hoje somente para dizer que tem uma surpresa pra você lá no meu blog: um prêmio-selo. Veja lá!
Abraços,

Ela.May disse...

adorei seu blog! adorei sua forma de escrever e jogar com as palavras... bom encontrar um espaço assim online! rs

abraços!

Isabella Nucci disse...

Grande obra!

elenilza ribeiro disse...

Elenilza Ribeiro > Adorei o espaço : POESIA SIM... lugar de deleite da alma que repousa em nós tricada pelo tempo.